quinta-feira, 7 de novembro de 2013

De quem é a dívida e quem pagou?

Recentemente, Rodrigo Constantino escreveu um interessante artigo com o seguinte título: “Menino mata os pais? A culpa é do videogame, claro!”. Cito alguns trechos:

"Essa mania que alguns têm de sempre buscar uma explicação reducionista para fenômenos complexos é mesmo cansativa. E eles sempre erram o alvo, pois buscam bodes expiatórios para retirar a responsabilidade de indivíduos. Objetos inanimados ganham vida, e se tornam os grandes culpados pelas desgraças. Armas matam, videogames assassinam, e os seres humanos se tornam autômatos, vítimas indefesas dessas forças exógenas malignas. É o que podemos concluir da fala do advogado Arles Gonçalves Júnior, presidente da comissão de segurança da Ordem dos Advogados do Brasil de São Paulo (OAB-SP). Segundo ele, o garoto Marcelo Pesseghini, suspeito de matar os pais, a avó e a tia-avó e depois se suicidar, foi “influenciado” por jogar muito videogame e que o caso é “um divisor de águas” na crônica policial. Eis os indícios: O garoto usava a imagem de um assassino de videogame no seu perfil do Facebook há um mês. O suspeito havia trocado sua foto de perfil no dia 5 de julho, passando a utilizar a imagem de um matador do game “Assassin’s Creed”. Esta foi a última atualização de Marcelo na rede social. Pronto: culpa do videogame!
Não importa que o garoto, ainda adolescente, tenha aprendido a atirar e a dirigir com os próprios pais. Tampouco importa que inúmeros outros garotos passem horas jogando videogame, os jogos mais violentos do mundo, e depois sejam crianças amáveis incapazes de fazer mal a uma mosca. Países como Japão ou Canadá possuem milhões de crianças e adolescentes mergulhados em jogos violentos ou filmes repletos de sangue, e nem por isso saem atirando nos pais por aí. Não vou negar que a exposição a esses filmes e jogos possa ter algum grau de influência, mas isso será potencializado somente se houver predisposição, por algum outro motivo, ao crime. O ambiente familiar e a punição legal são muito mais importantes do que os filmes e jogos. Pode ser confortante jogar a responsabilidade de atos nefastos no colo dos objetos, mas isso é fugir da realidade. Videogames não matam ninguém de carne e osso. Armas tampouco matam. Quem mata é sempre um indivíduo, e ele deve ser responsável por isso".
http://veja.abril.com.br/blog/rodrigo-constantino/cultura/menino-mata-os-pais-a-culpa-e-do-videogame-claro/>

Há algum tempo atrás o filme de Mel Gibson, a "Paixão de Cristo" suscitou protestos por parte da comunidade judaica internacional. O estigma de culpados pela morte de Jesus incomoda os judeus há muito tempo e o filme de Gibson, de certa forma, enfatizou novamente a direta participação dos judeus na condenação e morte de Jesus Cristo no primeiro século. Entretanto, em uma breve análise panorâmica da soteriologia vétero testamentária percebemos que a morte de Jesus foi selada na história cronológica humana no episódio descrito em Gênesis capítulo três, quando o primeiro casal de humanos desobedeceu a Deus e comeu da árvore do conhecimento do bem e do mal. Ou seja, a quebra da lei moral de Deus no Éden e não apenas o beijo de Judas, as mãos lavadas de Pilatos e a injusta alforria de Barrabás selaram a morte de Jesus.

Em uma análise ainda mais profunda da morte de Cristo, o apóstolo Paulo menciona em Gálatas 1:4 que “Jesus se entregou a si mesmo pelos nossos pecados, para nos desarraigar deste mundo perverso, segundo a vontade de nosso Deus e Pai, a quem seja a glória pelos séculos dos séculos”. Assim, a morte de Jesus foi voluntária, mas também determinada e substitutiva. Paulo afirma que mediante esta morte substitutiva os cristãos da Galácia podiam ter “graça e paz da parte de Deus, nosso Pai e do nosso Senhor Jesus Cristo” (Gálatas 1:3). Os judeus cristãos espalhados pela Galácia, por exemplo, deviam entender que só podiam ter paz com Deus devido a graça do perdão dos pecados que Jesus proporcionou morrendo pelos pecadores na cruz e nunca deviam pensar que teriam paz com Deus pelo simples fato de pertencerem a linhagem abraâmica.

A forma como entendemos nossa salvação, como toda teologia, incide diretamente na maneira como vivemos. Diversos momentos na história da igreja reforçam esta tese. Dentre outros, podemos citar a teologia filosófica desenvolvida por Agostinho de Hipona no quarto século, em que ataca a concepção pelagiana da participação sinergista na salvação. Agostinho em livros como, a Cidade de Deus e Confissões, enfatiza a percepção paulina da incapacidade humana de contribuir para própria salvação, evocando a desesperada e humilhante admissão de que dependemos unicamente da ação de Deus para sermos redimidos. Os seres humanos dependem tanto da iniciativa de Deus para serem salvos, quanto para responderem ao chamado a Salvação. No século 16, os reformadores repetem a ênfase agostiniana e as confissões reformadas, principalmente, defendem o entendimento monergista de nossa salvação atribuindo a Deus e, somente a Deus, toda a glória de nossa salvação. Em contrapartida, outras correntes da reforma como os radicais anabatistas pregavam a participação humana na salvação, e a famosa diferença da teologia soteriológica de Calvino e a de Armínio. Semelhantemente, temos Jonathan Edwards e George Withifield no século 18, defendendo a suprema graça de Deus como única responsável pela salvação em contrapartida a defesa de John Wesley do mérito humano. Posteriormente, no segundo grande despertamento americano no século 19, Charles Finney e outros avivalistas, provocam um despertamento mais centrado no mérito humano do que na soberania divina.

Como C. S. Lewis afirmava, todos fazem teologia de uma forma ou de outra, e esta afeta diretamente nossa maneira de viver. Recentemente, no dia 02 de Novembro, milhões de brasileiros foram visitar parentes e amigos queridos, e o que parece apenas uma homenagem tradicional brasileira no feriado de Finados, na verdade está embuído de uma teologia popular de que a morte física ainda não será o fim da oportunidade de se “trabalhar” pela salvação. Consequentemente, dentre outras implicações, a mais latente é que Jesus torna-se desnecessário. Como bem enfatizou o grande pregador Charles Spurgeon, o entendimento radical de um livre arbítrio humano, retira de Deus o mérito que é só dele quanto à nossa salvação. Estamos presos a uma natureza afetada pelo pecado, e a melhor versão de nós mesmos para este mundo é escondidos atrás de Cristo. Não será suficiente imitarmos os pés ou as mãos de Cristo, temos que de fato sermos assimilados pela própria mente de Cristo, que comandará cada impulso de nosso corpo. Cristo através de nós é a melhor versão que podemos ter de nós mesmos neste mundo.

Diante deste panorama bíblico de nossa extrema fragilidade moral e completa dependência da justiça de Cristo, podemos perceber melhor a razão da morte expiatória de Cristo. O primeiro homem, Adão, fez o que se faz até hoje, procurou se eximir de sua culpa. C. S. Lewis viu de perto a guerra religiosa, o ódio e a morte, poderia ter se tornado um cético violento e sádico, no entanto, como ele bem descreve foi surpreendido pela alegria, pela graça, pelo milagre do novo nascimento e a humildade do arrependimento. A grande questão nunca será arrumar outro culpado, esta não era a função do bode expiatório quando perambulava desesperado pelo deserto. O bode expiatório era a declaração tácita da completa culpa humana e da completa graça divina.

Quanto à legitimidade da substituição de um inocente por um culpado, pode-se evitar um perigoso terreno de especulação teológica, entendendo que não se trata aqui de um juiz humano, mas do criador soberano de todas as coisas que decidiu atribuir ao sacrifício de seu filho, o valor necessário à satisfação de sua justiça.

Tiago Leite

terça-feira, 15 de outubro de 2013

Ad Fontes – Reforma é volta à fonte

Igreja Primitiva: Os discípulos de Jesus tinham a fonte de água viva jorrando diante deles. O poder de Jesus mudava vidas de forma surpreendente e sobrenatural. Seus ensinamentos maravilhavam o simples e suas palavras redimiam muitos pecadores. Com a morte, ressurreição e ascensão de Cristo, os discípulos tinham o legado de suas palavras, a autorização de seu poder e o mundo para alcançar. Será que continuariam jorrando a água viva que Jesus possuía em abundância? No Pentecostes em Jerusalém, Pedro e os demais apóstolos testemunham a confirmação clara de que o poder e a autoridade de Jesus estavam neles através de seu Espírito e sua Espada, a Palavra de Cristo. A igreja primitiva tinha o alimento sólido de Cristo "fresquinho", “recém-saído do forno”, recém-proferido e ensinado no ministério público de Jesus Cristo. Mas, desde seus primeiros anos de vida, a igreja primitiva já era ameaçada pelo gnosticismo, pela perseguição dos religiosos judaicos e pelo incômodo que gradativamente foi gerando ao Império Romano. Entretanto, as portas do inferno não prevaleceram contra ela, e apesar do sangue de muitos mártires terem sido derramados, a igreja não desapareceu, pelo contrário, se expandiu e atingiu toda a área de domínio do império romano.

Período Patrístico: iniciou-se o período patrístico, considerado a partir do término dos documentos do Novo Testamento (100) até o decisivo Concílio da Calcedônia no ano 451. No início deste período a agenda da igreja era sobreviver. A igreja se preocupou em esclarecer a relação entre cristianismo e judaísmo, em defender a fé cristã diante dos seus críticos e produzir importantes ensaios sobre cristologia (estudo da natureza de Cristo) frente às polêmicas visões de alguns como Ário, que alegava ser Jesus apenas uma criatura. O imperador romano Galerius em 311 ordenou o fim da perseguição romana ao cristianismo, colocando-o entre outras religiões legalizadas. Constantino assumiu o império e logo declarou sua conversão ao cristianismo e a partir de 312 o cristianismo começou a se impor como a religião oficial do império romano. O debate teológico se tornou uma atividade pública e posteriormente política, o que levou Constantino a desejar uma igreja unida e estável. A busca por um consenso teológico gerou um período muito rico na história teológica na última fase do período patrístico. Teólogos como Justino Mártir, Irineu de Lion, Orígenes, Tertuliano, Atanásio e Agostinho de Hipona geraram progressos cruciais na teologia como: o fechamento do cânon do Novo Testamento, a valorização da tradição dos pais da igreja com a firmação de credos e pronunciamentos doutrinários que procuravam manter a transmissão doutrinária da igreja primitiva diante das especulações gnósticas da época e, também, a relação da teologia com a cultura. Doutrinas como as duas naturezas de Cristo, a doutrina da Trindade, a doutrina da Igreja e a doutrina da graça (Agostinho) foram estabelecidas. Escolas teológicas (como Alexandria e Antioquia) se estabeleceram como grandes centros de estudos teológicos, debates marcaram a consolidação de doutrinas (como a controvérsia ariana e o debate apolinarista) e quatro concílios foram realizados, como o de Nicéia (325) convocado pelo próprio Constantino a fim de solucionar os desentendimentos cristológicos que desestabilizavam seu império e o Concílio da Calcedônia (451) que confirmou as decisões do concilio de Nicéia e respondeu a novas polemicas a respeito da humanidade de Cristo.

Idade das Trevas: em 410, Roma foi conquistada por Alarico e até por volta do ano 1000 tem-se a denominada Idade das Trevas na Europa Ocidental. Neste período surgiram três grandes sistemas de poder em substituição ao antigo Império Romano: O império Bizantino (o centro era Constantinopla), a Europa Ocidental (o centro era Roma) e o Califado Islâmico (Sul do Mediterrâneo e extremo Oriente). Neste período a rivalidade política e teológica entre a igreja ocidental (Roma) e a igreja oriental (Constantinopla) se intensificou de tal forma que em 1054 houve o grande cisma entre o ocidente católico e o oriente ortodoxo.

Idade Média: já na chamada idade média, entre 1300 e 1500, o mundo ocidental teve dois grandes movimentos intelectuais de grande importância na história do pensamento e consequentemente na teologia: o Escolasticismo e o Humanismo. Neste período destacam-se os teólogos Anselmo de Cantuária, Tomás de Aquino, Duns Scotus, Guilherme de Occam e Erasmo de Roterdã.

O Escolasticismo enfatizava a justificação racional da crença religiosa bem como a apresentação desta crença de forma sistemática. Algumas escolas foram criadas neste movimento intelectual, destacam-se ao final o “caminho moderno” e a “escola agostiniana moderna”. Dentre outras diferenças, o “caminho moderno” defendia que a maior parte dos recursos necessários à salvação eram inerentes a natureza humana e a “escola agostiniana moderna” afirmava que estes meios encontravam-se fora da natureza humana (Gregório de Rimini). Posteriormente, os reformadores de Wittenberg (Lutero e Melancton) vão utilizar esta ênfase agostiniana da graça e anti-pelagiana (Pelágio foi criticado por Agostinho por pregar a salvação por mérito próprio).

O Humanismo (esta palavra tem significado diferente do atual): foi um projeto cultural que via no retorno as fontes originais do pensamento clássico (ad fontes) o caminho para se entender como as ideias eram adquiridas e expressadas. As artes, a arquitetura, a palavra escrita ou falada deveriam se apropriar das bases da Antiguidade Clássica. Este movimento além de outros ideais, inseriu no campo teológico o desejo de maior eloquência na escrita e na oratória, seguindo o estilo do período clássico e promoveu um projeto religioso voltado ao avivamento de toda a igreja cristã. Seria assim a busca do ideal de uma Renascença também no cristianismo. Este berço humanista influenciou diversos reformadores dentre eles, o alemão Martinho Lutero, o suíço Ulrico Zuinglio e o francês João Calvino.

Pré-Reforma: esta busca ad fontes produziu o ambiente ideal para o surgimento da Reforma Religiosa. Erasmo de Roterdã havia produzido o primeiro Novo Testamento Grego permitindo que os teólogos tivessem acesso direto ao texto original do Novo Testamento (ad fontes). Ele também produziu confiáveis edições das obras patrísticas, inclusive dos escritos de Agostinho de Hipona, talvez o maior influenciador patrístico dos reformadores. Consideráveis progressos teológicos apareceram como: a consolidação do legado patrístico, ou seja, a retomada dos escritos de Agostinho e de outros pais da igreja, a exploração do papel da razão na teologia, o desenvolvimento de sistemas teológicos, o desenvolvimento de uma teologia dos sacramentos, o desenvolvimento da teologia da graça (Agostinho), a discussão sobre o papel de Maria, e principalmente um retorno as fontes da teologia cristã, ou seja, a Bíblia, sobretudo o Novo Testamento. A versão romana (vulgata latina) do Novo Testamento começou a ser questionada devido aos vários erros de tradução que favoreciam crenças e práticas da igreja medieval. Estas descobertas abriram caminho para uma revisão teológica, fundamentada num entendimento mais apurado do texto bíblico. Inaugurou-se o ambiente fértil de estudos acadêmicos sobre a Bíblia onde a Reforma florescia.

Além dos fatores intelectuais provenientes do humanismo renascentista, outros fatores podem ser destacados para o surgimento da Reforma como: a insatisfação política com o domínio da igreja medieval pelas novas nações-estados centralizadas no noroeste da Europa; a cobiça das extensas terras da igreja pelos governantes nacionais; as discrepâncias entre a Igreja sobre a qual os humanistas liam no Novo Testamento e a igreja que viam (corrupção e o comércio da fé); o surgimento de uma próspera classe média urbana com um espírito novo de individualismo; e o fracasso da igreja medieval em satisfazer as reais necessidades espirituais do povo.

A Reforma, sobretudo, foi uma tentativa de retorno ao manancial de águas vivas que é a palavra de Jesus Cristo. Ad fontes, um retorno às fontes, ainda continua sendo um desafio à igreja de nossos dias que experimenta distorções semelhantes aos da igreja na idade média. Reler a história é caminhar em direção ao entendimento de nossa atual identidade. E entender nossa identidade pode nos levar a melhorá-la, corrigí-la e aproximá-la da identidade dEle, Cristo, o início, o meio e o fim de todas as reformas. Ele é a nossa fonte, voltemos ao Evangelho de Cristo, ad fontes!

Pr. Tiago Leite
ICE Águas Claras

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

A Reforma Protestante - Semper Reformandum

O primeiro concílio da igreja cristã em Atos 15, devido à controvérsia da conversão de não judeus (polarizada entre os apóstolos Paulo e Pedro), já revelava uma verdade que ainda hoje precisamos nos lembrar. A palavra de Deus é imutável e infalível, mas nós como intérpretes, somos mutáveis e falíveis. A palavra de Deus é profunda e extremamente rica, mas nós somos rasos de compreensão e pobres de entendimento. O mandamento de amar a Deus com “todo o nosso entendimento” continua um desafio. Daí se justificar que a cada domingo um expositor dedicado da Bíblia pode nos surpreender com percepções da verdade de Deus, implicações surpreendentes e aplicações contextuais mais adequadas ao nosso tempo. A Bíblia é a verdade de Deus, mas nós não a conheceremos completamente em nossa breve vida terrena. Desde as divergências de interpretações e aplicações no tempo da igreja primitiva até os nossos dias, a Palavra de Deus continua uma fonte inesgotável em nossa hermenêutica diária.

Além do engano interpretativo de Pedro, outros incontáveis exemplos ilustram a importância de não se subestimar a riqueza da Palavra de Deus. É preciso cuidado para não limitá-la a uma percepção precipitada e temporal, sem a devida profundidade em seu estudo e sem a devida contextualização de sua aplicabilidade. Como exemplo, observemos as frases de dois nativos registradas no processo de evangelização realizado por missionários ocidentais. Um evangelista indiano chamado Murthi afirmou: “não nos traga o evangelho com uma planta em um vaso. Traga-nos a semente do evangelho para plantarmos em nosso solo”¹ . William Towsend ouviu de um índio na Guatemala: “Se o seu Deus é tão esperto porque ele não aprendeu a nossa língua?”, esta pergunta o levou a dedicar treze anos de sua vida na tradução da Bíblia para a língua dos índios cakchiquel e posteriormente fundar a Missão de Tradução da Bíblia Wycliffe"² .

O princípio Sola Scriptura (só a Bíblia como regra de fé e prática), corretamente relembrado na reforma, não deve ser entendido simploriamente. Só a Escritura no sentido de ser somente ela como nossa base primordial de vida cristã. Mas, nunca Só a Escritura como se ela fosse um simples livro de receitas. Por exemplo, apesar dos reformadores destacarem o sacerdócio universal dos crentes e o princípio de qualquer pessoa poderia ter acesso a Bíblia e a sua compreensão clara, os reformadores e seus sucessores entenderam que um grupo seleto de estudiosos da palavra deveria pesquisá-la a fundo e facilitar seu entendimento para os leigos. É perigoso se entender que as compreensões e implicações da Palavra são facilmente dedutíveis e consensuais. Não tem sido assim em toda a história da igreja.

Alister McGrath³ cita o grande teólogo puritano John Robinson, que em 1620, pregou um sermão aos que estavam partindo para conhecer o Novo Mundo a bordo do navio Mayflower. Seu vigoroso discurso retratava os peregrinos partindo em uma viagem que os levaria não só a um novo mundo, mas também a uma nova apreensão da verdade. Eles seriam pioneiros espirituais e teológicos não só explorando o novo Mundo das Américas, mas também as novas percepções que encontrariam na Bíblia enquanto procuravam plantar o Reino de Deus em terras distantes. Uma frase sua repercute através das eras: “Estou verdadeiramente persuadido de que o Senhor tem mais verdades ainda a revelar em sua santa Palavra”.

McGrath faz uma leitura interessante deste aspecto do protestantismo: “Ser protestante é sair em uma peregrinação intelectual e espiritual que nunca está completa. Cada ambiente, cada geração, cada desafio força a comunidade de fé a reler a Bíblia, perguntando-se o que ela tem a dizer nessa situação que não disse em outra. Para o puritano Robinson, nenhuma pessoa, nenhuma era poderia jamais perscrutar totalmente as profundezas da Escritura. Por meio da orientação do Espírito Santo, novos desafios poderiam levar a novas percepções; acima de tudo, em relação às estruturas e à política da igreja. O que pode ser correto em uma situação ou para uma era pode não ser em outra ou para outra”4.

A igreja evangélica brasileira tem características diversificadas, assim como a igreja nativa africana e asiática. Somos fruto de uma dinâmica interação do protestantismo europeu e americano. Reformados, luteranos, anabatistas, anglicanos, metodistas, presbiterianos, congregacionais, episcopais, e, mais recentemente, o movimento pentecostal, transplantado dos Estados Unidos e adaptado em nossa cultura.

Fica cada vez mais evidente que algumas ideias protestantes tradicionais a respeito de arquitetura da igreja, estrutura denominacional, padrões de adoração, e até determinados valores e comportamentos morais (vestuário, cinema, futebol, namoro, teatro, dança e música já foram sem exceção, pecado em determinados momentos), com frequência, são pouco mais que construções culturais refletindo a bigorna de uma época antiga da cultura europeia ocidental e não a compreensão completa da verdade bíblica.
Entendo que o caráter de Cristo expresso nas bem aventuranças é atemporal, mas as implicações externas dele são expressas em códigos compreensíveis de nosso tempo. Exemplo: uma mulher ficar em silencio na igreja de Corinto supria naquele contexto a demonstração de um bom testemunho cristão. Hoje na mesma região o testemunho seria manifesto de outra forma. Diante disto, o que significa ser “padrão de procedimento para os fiéis” (1 Tm 4:12) aqui no Brasil, nas Filipinas, na Nigéria, na Coréia do Sul, etc., qual é a essência e a forma deste padrão?

Neste sentido, quanto à aplicabilidade dos princípios cristãos, devemos pensar no protestantismo como “semper reformandum”, sempre sendo reformado. Ou seja, o protestantismo localiza sua identidade no constante autoexame à luz da Bíblia e em sua disposição de se corrigir quando tomar a direção errada ou a situação mudar. O protestantismo seria visto como um método de aplicabilidade bíblica no contexto em que está.

Mergulhemos nas profundezas ricas da Palavra de Deus, conservando seus princípios fundamentais, o credo cristão. Uma base para igrejas históricas deve ser os estudos bíblicos presentes nas confissões de fé registradas na história da igreja protestante e reformada, mas sem perder de vista uma construção teológica nacional sólida e bem fundamentada. Também submetamos nossas estruturas denominacionais, eclesiológicas e estratégicas a constante avaliação de sua fidelidade aos princípios bíblicos e suas implicações em nossa cultura.

Ao nos lembrarmos da Reforma Protestante, lembremo-nos de que ainda não terminou. Semper Reformandum.


Tiago Leite



¹HIEBERT, Cultural Differences and the Communication of the Gospel, p. 381.
²TUCKER. Ruth. Até aos confins da terra. São Paulo: Vida Nova, 1986.
³McGrath, Alister E. Revolução Protestante. Brasília, DF. Ed. Palavra, 2012.
4_________________________. Pag. 459-450. Brasília, DF. Ed. Palavra, 2012.



terça-feira, 2 de julho de 2013

Praça ou Balcão?

A vida é uma praça de alimentação onde nos servirmos do que os outros podem nos oferecer? Comparamos, compramos, apreciamos ou dispensamos?

Ou o melhor nesta vida é quando saltamos para trás de um balcão e aprendemos a construir, criar, relacionar, entender, servir e oferecer?Alimentamos, aprendemos, crescemos, acrescentamos?

Vidas que se assentam a espera de um cardápio, empobrecem, "obesam" e adoecem.
Vidas que servem atrás de um balcão, aprendem, se enriquecem e se "ensaudecem".

Ande em bando, faça amigos, tenha irmãos.
Tenha planos, para e pense um pouco, não coloque apenas tijolo, arquitete, sonhe.
Dobre os joelhos, nutra o Espírito, contemple e se oriente com O Transcendente..

"entristecidos, mas sempre alegres; pobres, mas enriquecendo a muitos; nada tendo, mas tudo possuindo" 2 Co 6:10.

sábado, 22 de junho de 2013

Sugiro que marchemos!

Amigos, no que pude analisar na Bíblia e refletir até agora, ainda estou procurando analisar ainda mais, só posso concluir o seguinte: Sugiro uma marcha mais duradoura, não de algumas tardes, mas de décadas e toda uma vida.

Sugiro o tipo de marcha que Jesus começou sob o domínio de tiranos como Herodes, Pedro continuou sob o domínio de tiranos como o terrível Nero, Paulo pegou o bastão sob o domínio de tiranos como César, e uma multidão de outros cristãos tem continuado este tipo de marcha sob o domínio de autoridades corruptas.

O que quero dizer é que a Dilma, ou o Lula, ou a Fifa, etc não são novidade, e que cristãos sob domínios corruptos não é algo novo, e que assim como eles precisamos marchar ao coração das pessoas com o testemunho do evangelho, mais do que em qualquer outra avenida. Não digo que marchar pelas ruas não seja proveitoso de alguma forma civil, mas que a estratégia espiritual mais eficiente utilizada pela igreja desde Cristo não é esta.

Concordei com a leitura do Boechat de que o povo está gritando que não agüenta mais e etc. Mas como um ateu ele só poderá analisar até aí. Sabemos que a resposta ao anseio do povo não virá de um governo humano.

A marcha pelas ruas é válida, mas não é a melhor estratégia dos cristãos na Bíblia. Na verdade, não temos referências desta estratégia no NT, que contém a história de cristãos muito mais oprimidos do que nós hoje e igualmente inconformados.

Sugiro a marcha de Hebreus 12:1-2.

quinta-feira, 20 de junho de 2013

Por onde vocês tem andado, temos uma causa a defender!

Estes dias podemos ver nas ruas tantos jovens cristãos.
A Seara é tão grande e os trabalhadores são poucos.
Por onde vocês tem andado? Precisamos de vocês!
Temos uma bandeira e uma grande causa a defender já a muito tempo.
Não se esqueçam, já tínhamos e temos uma grande bandeira, me ajudem a levantá-la,
me ajudem e a outros a defender a grande causa de estarmos aqui.

Abaixo o link de um pedido de ajuda, e também o desabafo de um jovem pastor.
http://www.youtube.com/watch?v=JaKFJerJ1vA

quarta-feira, 19 de junho de 2013

Um exemplo de oposição á corrupção que é eficiente e abrangente

Pedro nos ensina: “Porque assim é a vontade de Deus, que pela prática do bem, façais emudecer a ignorância dos insensatos, como livres que sois não usando, todavia, a liberdade por pretexto da malícia, mas vivendo como servos de Deus. Tratai a todos com honra, amai os irmãos, temei a Deus, honrai o rei” 1 Pedro 2:15.

Uma oposição cristã é diferente das outras oposições. Ela é mais profunda, mais abrangente e muitas vezes mais dolorosa e invisível aos homens. Analisemos Pedro que seguindo o exemplo de Jesus fez uma oposição cristã.

A oposição cristã é mais profunda e combate as raízes do problema (pecado em nós e nos outros) mais do que apenas os fatores externos. Ela é mais respeitosa e compassiva. O Pedro que pegava a espada para guerrear havia aprendido a pegar a Bíblia e pregar, a usar sua vida para demonstrar. Deixou de atingir orelhas e passou a “atacar” o coração das pessoas. Como cristãos, para sabermos o que combater e como combater temos que nos lembrar da fonte da corrupção, da maldade inerente ao caráter humano. O Brasil é corrupto desde os seus primeiros habitantes na floresta, passando pelos tempos de família imperial e chegando até os nossos dias. A corrupção é um vírus alastrado desde o troco na padaria até o engravatado no congresso. É um problema tão profundo e arraigado que só pode ser corrigido com o tratamento profundo do Espírito. Quantos cristãos já se mobilizaram contra o adultério, a falta de respeito com os pais, a idolatria e a mentira. Estamos atacando a fonte ou a apenas a ponta do iceberg?
A PEC 37, o aumento das passagens de ônibus, os gastos excessivos e os desviados na Copa do Mundo são causas justas de oposição, justificam manifestações de insatisfação. Na verdade, temos inúmeras causas quanto ao nosso governo e seu sistema, muita coisa pode ser melhor. Há alguns anos enviei um documento a relatora da PL 122 protestando contra a criminalização da opinião. Compartilhei também de uma nota de protesto quanto a esta questão enviada ao Congresso por algumas igrejas. Fiz pouco, temos, como cristãos, feito pouco, admito. O povo de Deus não pode se omitir, tem que se posicionar, tem que ter opinião, precisa exercer seu papel profético de atalaia de Deus. Não podemos ser conhecidos como conformados e coniventes com o mal. Mas, onde começa o mal para o combatermos melhor e mais eficientemente? Tiago afirma: “De onde procedem guerras e contendas que há entre vós? De onde, senão dos prazeres que militam na vossa carne? Cobiçais e nada tendes; matais, e invejais, e nada podeis obter; viveis a lutar e a fazer guerras. Nada tendes, porque não pedis; pedis e não recebeis, porque pedis mal, para esbanjardes em vossos prazeres. Infiéis, não compreendeis que a amizade do mundo é inimiga de Deus? Aquele, pois, que quiser ser amigo do mundo constitui-se inimigo de Deus” (Tiago 4:1-4).

A oposição cristã é mais abrangente. O irritado Pedro não conquistou nenhuma vitória em suas causas em Jerusalém, não convenceu nenhum cidadão e nem mesmo Jesus. Mas, o Pedro moldado pelo Espírito mobilizou milhares de pessoas em Jerusalém. “Da multidão dos que creram era um o coração e a alma. Ninguém considerava exclusivamente sua nem uma das coisas que possuía; tudo, porém, lhes era comum”. De nenhuma influência, agora Pedro tinha mais de cinco mil homens mobilizados contra a corrupção interna e externa em Jerusalém. E dali, esta influencia percorreu todo o mundo conhecido em poucas décadas. Uma revolução cristã! Ouvi uma senhora afirmando em uma entrevista que estava nas ruas nas diretas já e agora voltava às ruas porque o Brasil não mudara nada. Claro que é um exagero típico de muitos movimentos, uma vez que ela é funcionária pública, vive em Brasília e, com certeza, experimenta uma infraestrutura de classe média consideravelmente melhor do que há vinte anos. Mas, esta afirmação da cidadã comprova o fato de que mudanças conjunturais e melhorias no governo são importantes, mas não matam a fonte do problema, apenas o amenizam por um tempo. As mudanças de Cristo são eternas.

A oposição cristã é mais dolorosa e invisível aos homens. Uma análise humana poderia classificar a mobilização de Pedro como um fracasso, ele não conteve a opressão do Império Romano e foi condenado a morte. Mas, em pouco tempo, milhares de pessoas de Jerusalém até Roma e nos confins da terra experimentariam a revolução de Cristo diminuindo de suas vidas e de muitas comunidades as práticas injustas e a depravação moral.
Analisemos a manifestação dos profetas do VT que agiam sozinhos em seus protestos e faziam denúncias contra a violação da Palavra de Deus. Não quebravam nada, não pichavam nada, não xingavam ninguém, e o resultado para muitos deles, foi perseguição e morte. Jesus no templo agiu escatologicamente contra a corrupção na casa de Deus, contra a falta de testemunho do povo de Deus, foi uma manifestação contra a religião e não contra o Estado. Contra a corrupção que nasce no coração e não nas cátedras do poder político. Que tal uma passeata contra a corrupção da igreja evangélica brasileira e suas heresias pragmáticas? É fato que não vemos nenhum dos apóstolos e discípulos de Jesus omissos contra as autoridades, mas também não vemos nenhum exemplo da igreja no NT em passeatas ofendendo as autoridades e atirando pedras contra os palácios do Império.

Concluindo:

Cuidado com a multidão. A multidão não cristã não entende a origem da injustiça e ataca os problemas da forma errada. A multidão não cristã é vulnerável e vai acabar se opondo aos cristãos. Jesus foi recebido por uma multidão em Jerusalém que o aclamaram Rei (Mt 21). Eles esperavam que ele fosse sentar no trono do palácio e destituir a opressão romana. Eles queriam ser libertos da opressão e corrupção romana, mas não estavam tratando de sua própria corrupção e opressão. Como, por exemplo, a hipocrisia religiosa, a exploração do Culto e o preconceito com os doentes, as mulheres e os samaritanos. Mas, Jesus não foi ao palácio, ele foi ao templo e expulsou os mercadores. Esta mesma multidão que o aclamara rei, atiçada pelo Sinédrio, gritou crucifica-o e foi condizente com sua morte (Mt 26). A multidão que quis adorar Paulo e Barnabé em Listra, por terem curado um coxo, no mesmo dia apedrejou a Paulo até a “morte” em praça pública por terem sido atiçados por judeus vindos de Icônio e Antioquia (At 14). A multidão de Jerusalém, alvoraçada pelos judeus vindos da Ásia, agarraram a Paulo no templo e tentaram mata-lo (At 21). Cuidado, a voz do povo não é a voz de Deus, a multidão sem Cristo ataca os problemas no lugar errado e da forma errada. Cuidado porque os mesmos que podem estar ao seu lado reivindicando causas comuns, confusos, podem estar amanhã marchando em perseguição a valores cristãos.

Oposição e manifestação sim, sem um coração cristão, não.
Que temos que nos opor as injustiças temos. A grande questão não é deixarmos de nos opor, mas a forma como devemos atuar para ser uma oposição cristã.
Podemos nos envolver em passeatas e protestos pacíficos e democráticos, sim! Mas todo protesto sem paus, pedras e bandeiras partidárias está sendo necessariamente não violento e não partidário? Você vai marchar por quais causas? Será uma marcha com o testemunho de uma postura cristã? A oposição cristã é sem ódio (segundo Jesus, o ódio equivale a homicídio), sem xingamentos (linguagem torpe condenada pela Palavra de Deus, violência verbal), com amor e respeito incondicional (o amor e respeito incondicional para com qualquer ser humano, mas a rebeldia e anarquia são reprovados por Deus).

Marchemos, protestemos, não sejamos omissos, mas com uma oposição cristã, como a de nosso Mestre e a de Pedro. Relembrando: “Porque assim é a vontade de Deus, que pela prática do bem, façais emudecer a ignorância dos insensatos, como livres que sois não usando, todavia, a liberdade por pretexto da malícia, mas vivendo como servos de Deus. Tratai a todos com honra, amai os irmãos, temei a Deus, honrai o rei” 1 Pedro 2:15.

segunda-feira, 17 de junho de 2013

O Cristão Deve se Envolver nos Protestos para Não ser Omisso à Opressão?

Diante de tantas manifestações na porta de estádios, marchas gospel e protestos evangélicos na esplanada, fica a pergunta: O cristão que não se envolver nestes protestos estará se omitindo do papel de melhorar a sociedade?

O cristão omisso e acomodado com as injustiças sociais é aquele que não se envolve com manifestações violentas, xingamentos, gestos obscenos, corre-corre, gás lacrimogênio e tiros de borracha, enfrentamento com a polícia, pichamento de prédios públicos e privados, destruição de patrimônio, impedimento de vias públicas?

Ou os cristãos omissos são aqueles que não dominam o seu espírito, rebeldes contra os pais, contra professores e contra qualquer autoridade? Muitos são meninos e meninas que saem de casa batendo a porta, deixando os pais em lágrimas, corruptos no caráter, nas palavras e nas atitudes. Entendem-se como as únicas vozes não omissas no meio de um bando de brasileiros alienados e conformados. São empolgados com a adrenalina da batalha nas ruas, se sentem com soldados lutando pela libertação de nosso país, mas totalmente omissos à luta interna de dominar o seu espírito.

O cristão omisso e acomodado com as injustiças sociais é aquele que não se envolve em marchas públicas contra leis antibíblicas? O cristão precisa seguir os que se dizem representantes dos evangélicos mas que não dominam a língua e nem a amabilidade para com qualquer pessoa independente da inclinação sexual? Milhionários da fé que não dominam a ganãncia e a soberba. Muitos cabeças destas marchas e protestos elegem algumas causas convenientes, mas vivem no luxo de suas próprias ambições. Vocês querem fazer parte dos seus rebanhos, querem se associar com eles? Ou o cristão não omisso seria aquele que no dia a dia privado e público se posiciona com amor, humildade, sabedoria e amabilidade?

Como um cristão transforma a sua sociedade? Como os discípulos de Cristo influenciaram o mundo diante do império Romano e da oposição judaica?

O confronto fora de um Estádio e a vaia a um presidente da república dentro de um Estádio, são a melhor forma de mudar a sociedade, de denunciar a injustiça? Confesso que fiquei com vergonha das duas atitudes. Não vejo exemplos semelhantes na Bíblia. Não vejo estas atitudes no povo de Deus para com as suas autoridades. O que vejo? Conveniência. É mais fácil pintar a cara e desenhar um cartaz do que mudar gradualmente uma realidade por posicionamentos constantes e consistentes em todos os fóruns devidos. É mais fácil usar a boca para vaiar alguns segundos e denegrir uma autoridade. Será que vaiar a presidente que elegemos democraticamente estando sentados em um banquinho novo e confortável do Estádio Nacional é realmente se posicionar contra injustiças no Brasil? Será que não seria mais eficiente, autêntico e convicente usar a sua vida gradualmente e perseverantemente para lutar e mudar a sociedade com exemplo, respeito e posicionamentos nos fóruns devidos?

Os bem-aventurados por serem perseguidos por causa da justiça tinham que tipo de caráter? Lendo Mateus 5 vemos que eram humildes, pacificadores, misericordiosos, limpos de coração, choravam por seus pecados e entendiam que para serem luz do mundo e sal da terra precisavam mostrar mais do que faixas e palanques, precisavam mostrar caráter.

Como Jesus tratou Herodes, Pilatos e outras autoridades opressoras? Como Paulo se refere às autoridades que o oprimiam e perseguiam? Quais são os pronomes de tratamento de Paulo para com Festo, César, Agripa e outras autoridades?

Amigos, também compartilho da causa pela justiça e pela boa gestão pública. Compartilho também da causa pela liberdade de expressão bíblica e pela defesa da família. Compartilho de manifestações pacíficas e respeitosas, manifestações de cristãos justos nas palavras e atitudes.

Mas, não compartilho das manifestações como a do último sábado em Brasília no Estádio Nacional. Não compartilho da passeata evangélica na esplanada. Não compartilho muitas marchas do povo gospel. Estive recentemente na Casa Rosada em Buenos Aires onde vi muitos protestos argentinos. Não compartilho disto também. Fico pensando que se os milhares de evangélicos brasilienses que aparecem nestes eventos fossem cristãos incorruptíveis, teríamos uma capital com menos divórcio, violência, sonegação de impostos, crimes e corrupção, mas o sal está perdendo a salinidade e a luz está perdendo a luminosidade.

Eu estava, sábado passado, no Estádio Nacional no Jogo de Abertura da Copa das Confederações para falar do amor de Deus junto com outros irmãos. Distribuímos uma mensagem de esperança para torcedores, policiais, funcionários e manifestantes.
Ver de perto as manifestações só reforçou esta convicção de que estes protestos e aglomerados contem mais erros do que acertos.

Algumas razões para um cristão não se envolver com muitas manifestações:

1. Apesar de terem algumas causas justas, você se mistura com gente que te usa para fortalecer outras causas que não são justas e aprovadas por Deus. Tem muita gente se promovendo as suas custas. Saiba quais causas representa e saiba quais pessoas está seguindo;

2. A Bíblia é contra a violência e a linguagem que não edifica. Vi de perto a violência dos manifestantes com atitudes e palavras contra policiais, civis e autoridades. A raiva e o ódio a pessoas não condiz com um cristão;

3. A principal forma dos cristãos mudarem uma sociedade injusta começa com a batalha interna contra a corrupção do nosso próprio coração. Se tivermos cristãos de caráter para com a sua família, para com os seus colegas de trabalho, para com o governo, as coisas podem começar a mudar. Se tivermos cristãos de caráter ocupando cargos públicos e privados as coisas podem começar a mudar. Se tivermos cristãos em postos do governo dando um bom testemunho de Cristo as coisas podem começar a mudar. Homens como José no Egito, Daniel na Babilônia, Lutero na Alemanha, John Knox na Escócia, Calvino em Genebra, William Willberforce na Inglaterra, Abraham Kuyper na Holanda e muitos outros tem muito a nos ensinar sobre como podemos lutar pela justiça.

As grandes injustiças que ocorreram no reinado de Salomão não se deveram a opressão política ou guerras armadas. As grandes injustiças do seu reino existiram pela derrota de caráter, pela depravação das atitudes. Salomão conclui: “Melhor é o longânimo do que o herói da guerra, e o que domina o seu espírito, do que o que toma uma cidade” Provérbios 16:32.

Amigos cristãos, se não querem ser omissos para com as injustiças sociais ou leis antibíblicas sugiro uma boa forma de começar a lutar por esta causa: procurem se tornar pessoas justas, imitem o Justo, Jesus Cristo. Se não começar por aí, nossos protestos não passarão de paus, pedras, palavrões ou apenas marchas, palanques e entrevistas acaloradas. Lutemos pela justiça, sejamos soldados justos com as armas da luz e com os frutos do Espírito.

Sugestão de leitura sobre o tema: http://tempora-mores.blogspot.com.br/2013/06/apontamentos-sobre-os-tumultos-e.html?utm_source=feedburner&utm_medium=email&utm_campaign=Feed:+blogspot/wFUcB+(O+Tempora,+O+Mores)

Abraço!

Tiago Leite

terça-feira, 11 de junho de 2013

O cristão, o gay e a "homofobia"

A tensão entre cristãos e gays tem provocado erros, exageros e agressões de ambos os lados. Convido os cristãos e os gays a analisarem o que a Bíblia ensina. Creio que a Palavra de Deus possui o tonalidade certa para o debate, possui o peso certo para as questões e possui os princípios certos para delimitar os limites de nossos comportamentos e os rumos de nossas vidas.


O QUE É SER CRISTÃO:

Ser cristão é ser um seguidor de Jesus Cristo. Os apóstolos, discípulos de Jesus, e todos os que creram nEle foram chamados, pelos demais, de cristãos no primeiro século (At 11:26). O termo cristão, então, no seu sentido original, significa alguém que depositou a sua vida aos pés de Cristo, seguindo a sua palavra e sua vida em detrimento de gosto pessoal (sua própria carne), da opinião geral (mundo) e das opressões espirituais (diabo e seus demônios) Efésios 2:1-10. “Então, disse Jesus aos seus discípulos: Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, tome a sua cruz, e siga-me” (Mateus 16:24).
O cristão está debaixo da obrigação dada por Deus de conduzir a sua vida pela Palavra de Deus e não se deixar seduzir por nenhuma outra palavra de homens. “Estou admirado de que tão depressa estejais desertando daquele que vos chamou na graça de Cristo, para outro evangelho, qual não é outro; senão que há alguns que vos perturbam e querem perverter o evangelho de Cristo. Mas, ainda que nós mesmos ou um anjo do céu vos pregasse outro evangelho além do que já vos pregamos, seja anátema. Como antes temos dito, assim agora novamente o digo: Se alguém vos pregar outro evangelho além do que já recebestes, seja anátema. Pois busco eu agora o favor dos homens, ou o favor de Deus? ou procuro agradar aos homens? se estivesse ainda agradando aos homens, não seria servo de Cristo. Mas faço-vos saber, irmãos, que o evangelho que por mim foi anunciado não é segundo os homens; porque não o recebi de homem algum, nem me foi ensinado; mas o recebi por revelação de Jesus Cristo.” (Gl 1:6-12).


O SIGNIFICADO ORIGINAL DO TERMO “HOMOFOBIA”:

Esta palavra foi usada pelo psiquiatra George Weinberg em 1971, no livro Society and the Healthy Homossexual (New York, St, Martin s Press, 1972), significando um complexo emocional que seria a causa da violência criminosa contra homossexuais. Entretanto, atualmente ela tem sido usada para definir toda e qualquer rejeição à conduta homossexual. “Homofóbico” no sentido que o dr. Weinberg tinha ao cunhar a expressão seria um criminoso com conduta psicopática e assassina, mas hoje é usada num sentido pejorativo a qualquer objeção ao movimento gay. O ensaísta e defensor da homossexualidade Rictor Norton admite em seu livro “A History of Homophobia”: “Com muita freqüência, a palavra ‘homofobia é apenas uma metáfora política usada para punir”.


NO QUE A BÍBLIA CONCORDA COM O MOVIMENTO GAY CONTRA A “HOMOFOBIA”:

Muitos direitos que o movimento gay reivindica são defendidos na Bíblia. E os princípios bíblicos são invioláveis e, se na experiência prática, cristãos não agiram e não estão agindo de acordo com estes princípios, de nenhuma forma resulta na invalidação dos mesmos. “Passará o céu e a terra, mas as minhas palavras não passarão” Mt 24:35.

Atitudes que o movimento pró-homossexual condena que a Bíblia já condenava.

1. A ofensa aos gays e a qualquer pessoa: a violência verbal é claramente condenada na Bíblia. Jesus ensina: “digo-vos que toda a palavra frívola que proferirem os homens, dela darão conta no dia do juízo” Mt 12:36. Jesus ensina que seus seguidores têm que ser o sal da terra, ou seja, temos que dar sabor à vida das pessoas (Mt 5:5:13). Paulo também nos fala que nossa palavra tem que ser “agradável, temperada com sal”, para que saibamos responder a cada um (Cl 4:6). A Bíblia é muito clara sobre os perigos da língua desenfreada e ofensiva: “Se alguém supõe ser religioso, deixando de refrear a sua língua, antes enganando o próprio coração, a sua religião é vã” Tg 1:26. “Pois quem quer amar a vida e ver dias felizes, refreie a sua língua do mal, e evite que os seus lábios falem dolosamente” 1 Pe 3:10. O cristão deve buscar edificar a vida dos outros com suas palavras “Não saia da vossa boca nenhuma palavra torpe, mas só a que seja boa para a necessária edificação, a fim de que ministre graça aos que a ouvem” Ef 4:29. “linguagem sadia e irrepreensível, para que o adversário seja envergonhado não tendo indignidade nenhuma que dizer a nossa respeito” Tt 2:8.

2. O ódio aos gays e a qualquer pessoa: este sentimento é colocado na Bíblia como uma das obras da carne e não do Espírito (Gl 5:20). “O ódio excita contendas, mas o amor cobre todas as transgressões” Pv 10.12. “Aquele que diz estar na luz e odeia a seu irmão, está agora nas trevas” 1 Jo 2.9. “Todo aquele que odeia a seu irmão é assassino não tem a vida eterna permanente em si” 1 Jo 3:15. A Bíblia condena o ódio a pessoas, mas incentiva que os cristãos tenham um aborrecimento contra atitudes contrárias à vontade de Deus, “... aborreço o proceder dos que se desviam; nada disso se me apegará” Sl 101:3. Um aborrecimento dos falsos caminhos (Sl 119:104, 128), da mentira (Sl 119:163), do mal (Sl 97:10, Pv 8:13), do desvio (Sl 101.3) e a oposição a Deus (Sl 139:21,22).

3. A violência contra gays e contra qualquer pessoa: podemos ver no V. T. diversos textos recriminando a violência e o homem violento (Sl 54.3, 140.1, Pv 16:29, Is 25:5), “Não tenhas inveja do homem VIOLENTO, nem escolhas nenhum de seus caminhos.” Pv 3:31. No N.T. fica ainda mais evidente este reprovação da violência diante das palavras de Jesus. Jesus repreende a Pedro por cortar a orelha do soldado e rejeita a possibilidade de convocar seus exércitos celestiais para arrasar o inimigo Mt 26:51-53. Jesus dá testemunho, em sua morte injusta e sem resistência, aos seus discípulos. Cristo foi manso e humilde de coração, exaltou os humildes e condenou a violência. Jesus pregou uma guerra com outras armas: o amor, a piedade, o perdão. Em seu sermão no monte Jesus condena o homicídio, o ódio, o insulto e a violência (Mt 5:21-26 e 38-42). Entretanto, devemos temer e saber que Deus age com justiça e julgará com violência os povos, e com amor a muitos. “Eis que o Senhor Deus dos exércitos cortará os ramos com VIOLÊNCIA; e os de alta estatura serão cortados, e os elevados serão abatidos.” Is 10:33.

4. A exclusão social dos gays ou de qualquer pessoa: a Bíblia demonstra uma incrível preocupação com os excluídos e marginalizados. No A.T. encontramos preceitos, instituições e narrativas referentes ao assunto temos as figuras do pobre, do órfão, da viúva e de outras pessoas em situação de fragilidade. A lei de Moisés continha dispositivos que iam além do mero atendimento de necessidades imediatas, criando condições para que houvesse maior justiça e menor desigualdade na sociedade de Israel. São exemplos disso a lei da rebusca (Lv 19.9-10; 23.22; Dt 24.19-21) e o ano de jubileu (Lv 25.8-34). Isaías, Oséias, Amós e Miquéias as vezes são chamados “profetas éticos” pois tratam de temas como a justiça, a misericórdia e a generosidade no trato com os sofredores. Jesus é nosso exemplo ao tratar com igualdade pessoas marginalizadas na sociedade de sua época (prostitutas, ladrões, samaritanos, mulheres, cobradores de impostos, aleijados, leprosos, doentes, etc). Ao anunciar o evangelho do reino, ele apontou, como uma de suas principais características, a sensibilidade diante da dor alheia e a prontidão em assistir os desafortunados. Ele mostrou isso de modo magistral através de alguns de seus ensinos mais apreciados, como a parábola do Bom Samaritano (Lc 10.30-37) e a inquietante história do Grande Julgamento (Mt 25.31-46).

5. O impedimento à liberdade de expressão dos gays ou de qualquer pessoa: Deus dá ao homem espaço para pensar, agir, decidir e percebemos isto desde Adão e Eva, que não foram impedidos de pecar (Gn 3). Este espaço para agir tem um limite (Ex. Dilúvio, Torre de Babel, Sodoma e Gomorra, Morte Física, Volta de Cristo), mas esta liberdade existe. Nenhum cristão pode impedir que alguém seja o que quer ser, porque Deus permite. Deus ouviu muitos desaforos e blasfêmias sem agir imediatamente em juízo (Ex. Israel, Jó, Davi, Profetas). Deus permite a prática do desabafo. Portanto, a atitude de impedir que alguém fale o que pensa, e expresse o que acredita, é condenada pela Palavra do Senhor. Isto claro, se em local autorizado para isto. Jesus ouviu e viu de tudo por onde passou, mas ficou extremamente ofendido quando viu o templo em Jerusalém ser profanado pelo comércio de ladrões (Mt 21:12-13).

6. A imposição de uma crença aos gays ou a qualquer pessoa: A Bíblia admite a oposição, Deus admite que alguém não creia nele e não queira obedecê-lo. Deus se entristece com a ignorância espiritual, com a adoração a falsos deuses, com a desvirtuação de sua palavra e de sua vontade, com a rebelião humana, mas o panteon não existiria se não Deus não permitisse. Deus, também, é amor (1 Jo 4:8) e o amor é paciente (1 Co 13:4). Jesus Cristo bate a porta da vida do ser humano esperando ser recebido (Ap 3:20). Jesus ao enviar os setenta para pregar disse que se recebessem na cidade que ali falassem, mas se não o recebessem que fossem embora (Lc 10:8-10). A fé vem pelo ouvir e ouvir a palavra de Cristo (Rm 10:17) e esta transforma a vida de pessoas com a ação do Espírito Santo de Deus que convence do pecado, da justiça e do juízo (Jo 16:8). A Bíblia fala de semear e plantar e nunca de impor (1 Co 3:6). Portanto é anti-bíblico toda imposição de crença e coerção a acreditar em algo forçadamente.


NO QUE A BÍBLIA DISCORDA DO MOVIMENTO GAY CONTRA A “HOMOFOBIA”:

Os princípios bíblicos são invioláveis, portanto, não podemos deixar de segui-los. Qualquer lei humana que for irreconciliável com as leis de Deus, obrigará os cristãos a agirem com firmeza e a agirem como os apóstolos no primeiro século diante do Sinédrio. “Antes importa obedecer a Deus do que aos homens” (At 5:29).

Atitudes que o movimento pró-homossexual condena que a Bíblia ordena.


1. A discordância da prática homossexual:
a Bíblia nos orienta em tudo na nossa vida, porque é a revelação do Criador que mostra à criatura o propósito para o qual foi criada. Na Palavra de Deus encontramos todas as informações necessárias para desenvolvermos a vontade de Deus que é a mais segura para nós. Qualquer comportamento que difira das instruções da Palavra de Deus deve ser evitado e tido como um comportamento, inadequado, desobediente e destrutivo ao homem, afinal a vontade de Deus para nós é que é perfeita, boa e agradável (Rm 12:1-2). Quando o homem traça o seu próprio caminho está fadado ao fracasso, mas “bem-aventurado aquele que teme ao Senhor, e anda nos seus caminhos” (Salmo 112.1 e 128.1).
A Bíblia nos mostra que dentre tantas coisas que o homem, por sua rebeldia, fugiu da vontade boa, perfeita e agradável de Deus, está “a desonra de seus corpos, entregando-se a paixões infames e consequentemente o modo natural de suas relações íntimas, por outro contrário a natureza, deixando o contato natural de mulher e inflamando-se mutuamente em sua sensualidade, homens com homens e mulheres com mulheres” (Rm 1:25-27). A Bíblia ensina que Deus criou a humanidade com uma diferenciação sexual (homem e mulher) visando o casamento, a unidade sexual e a multiplicação dos seres humanos. Jesus Cristo nos diz que “...desde o principio da criação, Deus os fez homem e mulher” Mc 10:6. O sistema heterossexual tem sustentado a humanidade e, com certeza, cada um de nós existe hoje graças a esta união heterossexual. Portanto, o cristão não pode concordar com as práticas e comportamentos sexuais fora do leito de matrimônio planejado por Deus (a homossexualidade, o travestido, o efeminado, a bestialidade, a fornicação, o adultério, a prostituição, pedofilia, incesto, poligamia).

2. A pregação bíblica condenando a prática homossexual:
a verdade que liberta descrita na Palavra (Jo 8:32) é para todos e a Bíblia condena o cristão que se omite da ordem de Cristo de pregar o evangelho a toda criatura (Mc 16:15). Ele é comparado a um homem que enterra o seu talento, inútil (Mt 25:30), ou que esconde a sua luz (Mt 5:14-16). O cristão é ou, deveria ser, um ser que comunica sua fé. Jesus disse que seus discípulos não poderiam se esconder, mas deveriam procurar iluminar o mundo. E a luz do mundo é Jesus e sua palavra. “Lâmpada para os meus pés é a tua palavra e luz para os meus caminhos” Sl 119.105. Paulo nos exorta que a fé vem pelo ouvir a Palavra de Cristo, mas com ouvirão e creram se ninguém pregar? Rm 10:13-17. O Espírito Santo enchendo a vida do cristão o faz mais corajoso e intrépido para anunciar a palavra e ser testemunha de Cristo (At 1.8). Paulo anima o jovem Timóteo a deixar a timidez dizendo “prega a palavra, insta quer seja oportuno, quer não, corrige, repreende, exorta com toda a paciência e doutrina” 2 Tm 4:2. O cristão não pode se omitir de anunciar a verdade em todas as coisas, inclusive sobre comportamento sexual ilícito e fora do propósito de Deus.

3. A impossibilidade de alguém ser membro de uma igreja devido à sua prática homossexual:
um ser humano pode ser o que quiser, mas deve arcar com as conseqüências destes atos. Este é um princípio bíblico onde o próprio Jesus diz que a porta da perdição é larga e muitos entram por ela, ou seja, eles podem entrar, não são proibidos, mas a conseqüência é a perdição eterna (Mt 7:13-14). Por exemplo, se eu decidir me transformar num alcoólatra ninguém pode me impedir, mas virão as conseqüências tanto no âmbito individual (saúde), âmbito familiar (desentendimentos, desestabilidade financeira, separação, etc), âmbito social (desemprego, violência, desaprovação pública, etc.). Assim, na Palavra do Senhor existem atribuições e restrições para quem quer fazer parte da igreja de Cristo na terra. São características que demonstram externamente as transformações internas que o tornam um cristão. Este discernimento entre crente e não crente não é pleno pelo homem que não sonda corações e mentes (só Deus o pode e só Deus na ceifa separará todos os joios do trigo), mas até certo ponto este discernimento possível e exigido da Igreja por Deus. A regra básica para a inclusão como membro da Igreja em plena comunhão é uma vida de santidade, ou seja, não viver na prática do pecado, mas estar buscando sempre se separar dele (1 Jo 1:6). Assim sendo, qualquer pessoa pode participar das atividades de uma igreja, até porque esta deseja alcançá-lo, mas sua inclusão como membro com direitos e responsabilidades nesta depende de sua decisão por Cristo. Depende da manifestação pública dos frutos desta conversão que envolve arrependimento, confissão, abandono do pecado, devendo receber da igreja o apoio na luta de todo cristão para manter-se firme. Assim, todos aqueles que desejam vir a Cristo, devem vir sem reservas, e procurar nEle auxílio para abandonar a prática dos pecados sexuais condenados pela Palavra.

4. A liberdade de consciência e de crença: os cristãos não podem amordaçar nenhum não cristão e proibi-los de proferirem suas palavras contra Deus, contra Jesus, contra a Bíblia. Um dia “todo joelho se dobrará, toda língua confessará que Jesus Cristo é o Senhor” (Mt 24:30 e Fp 2:10,11), mas estamos no tempo da graça onde a misericórdia de Deus não deixa a humanidade ser consumida. Um cristão tem liberdade para crêr em Deus, em Cristo e na sua palavra na maior parte do mundo, com exceção de alguns países islâmicos. Vivemos em um país que legalmente tolera a expressão religiosa de qualquer um. Qualquer lei que impeça a livre expressão e exposição de uma crença quebrará uma liberdade que nem Deus em seu poder e soberania o fez.

5. A ajuda e o incentivo ao abandono da prática homossexual: o cristão que prega a Palavra de Deus não vai “praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito pela orientação sexual”, mas vai falar a verdade da Palavra de Deus esperando que através dela Deus produza no coração do pecador, constrangimento diante da Santidade de Deus, contrição por seu pecado, arrependimento e abandono deste. A Palavra de Deus é como uma espada que corta o ser humano no seu íntimo (Hb 4:12). Diante da Palavra de Deus não só o comportamento sexual, mas todas as atitudes e pensamentos do ser humano revelam-se manchadas pelo pecado. Diante da Palavra de Deus toda pessoa deve ser incentivada a abandonar os seus comportamentos pecaminosos e a buscar viver uma vida que agrade e glorifique a Deus.


APLICAÇÕES À LEGISLAÇÃO BRASILEIRA

Sobre a PL 122/2006:

1. Este projeto de Lei de “criminalização da homofobia” fere os direitos garantidos pela nossa Carta Magna: Constituição Federal – Título II, Capítulo I, Art. 5º:
Inciso IV - “é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato ”.
Inciso VI - “é inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e a suas liturgias”.
Inciso VIII - “ninguém será privado de direitos por motivo de crença religiosa ou de convicção filosófica ou política, salvo se as invocar para eximir-se de obrigação legal a todos imposta e recusar-se a cumprir prestação alternativa, fixada em lei”,
Inciso IX - “é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença”.

2. Este projeto de Lei se contradiz, pois pretende evitar a discriminação impondo discriminação. Por exemplo: No art. 20 fala de “discriminação de religião e de orientação sexual”. As principais religiões do mundo têm princípios quanto à orientação sexual (heterossexualidade), logo a imposição de um silêncio quanto a essa doutrina religiosa se caracterizaria, também, discriminação religiosa em detrimento da sexual.

3. Este projeto de lei reivindica proteção já coberta pela legislação brasileira tanto na Constituição Federal, Leis Ordinárias e Complementares. Ex: lesão corporal (Cap. II, Art. 129 do Código Penal).

4. Este projeto introduz conceitos de significado genérico ou subjetivo: a indefinição dos termos introduzir a discriminação ou preconceito por orientação sexual gera um problema de interpretação jurídica quanto à oposição respeitosa ao homossexual e a postura de intimidação e vexame. Tanto homossexuais podem sofrer injustiça quanto opositores respeitosos também.

6. Este projeto é preconceituoso quanto às religiões tornando seu corpo de doutrina e fé como conteúdo criminoso e impondo assim uma já conhecida expressão “mordaça gay” no Brasil. Cito o colunista do Jornal do Brasil, o filósofo Olavo de Carvalho (24/05/07): “Não creio que haja, entre os céus e a terra, nada que mereça imunidade a priori contra a possibilidade de críticas. Nem reis, nem papas, nem santos, nem sábios, nem profetas reivindicaram jamais um privilégio tão alto. Nem os faraós, nem Júlio César, nem Átila, o huno, nem Gengis Khan ambicionaram tão excelsa prerrogativa. O próprio Deus, quando Jó lhe atirou as recriminações mais medonhas, não tapou a boca do profeta. Ouviu tudo pacientemente e depois respondeu. As únicas criaturas que tentaram vetar de antemão toda crítica possível foram Adolf Hitler, Josef Stálin, Mao-Tse-Tung e Pol-Pot. Só o que conseguiram com isso foi descer abaixo da animalidade, igualar-se a vampiros e demônios, tornar-se alvos da repulsa universal. Nada é incriticável.”

7. Este projeto poderá despertar um efeito contrário, despertando rancor na sociedade que pela primeira vez em sua história será proibida de criticar. Com a criminalização de opiniões transparecerá que os homossexuais se caracterizam como o grupo mais desprotegido e frágil da sociedade e que por não possuírem condições de discutir com a sociedade, o Estado vai impor que ninguém toque no assunto. Como disse Olavo Carvalho, as pessoas podem ter acusado os homossexuais de inúmeros defeitos, mas não de inimigos da liberdade.


Sobre PNDH 3 (Plano Nacional dos Direitos Humanos):

1. Autoritarismo do Governo: Vida, família, educação, liberdade de consciência, de religião e de culto não podem ser definidos pelo poder do Estado ou de uma minoria;
2. Destruição da Unidade Familiar;
3. Fim da Liberdade Religiosa;
4. Sabotagem da Declaração Nacional dos Direitos Humanos (Art. 16, art. 18);
5. Comprometimento da continuidade da humanidade, com a extinção da reprodução;
6. Comprometimento físico, espiritual e psicológico para crianças criadas por um casal homoafetivo;


APLICAÇÕES AOS HOMOSSEXUAIS:


- Reconheça: Como todo ser humano, admitir o nosso pecado não é fácil, é como se disséssemos que o nosso mundo, o mundo onde vivemos, e tudo o que fizemos estava de certa forma errado. Mas esta desconstrução é sadia e acontece a todo ser humano que tem um encontro com Jesus. Percebemos que todo o nosso ser (sentimentos, pensamentos e atitudes) estavam comprometidos com o pecado e que precisamos de um novo mundo e de uma nova vida. Mas em Jesus nascemos de novo. Ele nos alcança em nossa miséria e nos salva com sua graça e amor. Você tem o direito de saber que Deus pode te ajudar a construir uma nova vida, não só sexualmente, mas intelectualmente, relacionalmente, emocionalmente, você pode ser uma nova pessoa! Deus pode fazer isto! Jesus deseja que você tenha vida em abundância! Se você confessar os seus pecados Jesus vai te perdoar e te purificar de toda injustiça.

- Creia:
Entrega o teu caminho, a tua vida ao Senhor, confia nele e ele fará tudo o que for necessário para que você saia vitorioso. Nada vai poder separá-lo do seu amor. Creia hoje, agora no Senhor Jesus e será salvo! Ele é o único que pode preencher os nossos vazios!

- Prossiga: a vida do cristão tem tropeços porque ainda temos a nossa velha natureza. Um dia ela não existirá mais e nos estaremos plenamente santificados. Mas não desanime diante da vida, tenha fé e persevere neste caminho! Ele estará contigo! Ele vai te ajudar! Deus tem planos para você! Ele pode te dar uma família, um lar, filhos, ministérios, frutos, alegrias e uma paz que ninguém neste mundo poderá te dar.

- Cuidado: não deposite sua fé em homens. Talvez você tenha resistido à fé em Jesus por pensamentos, livros, frases de efeito de alguém que defende com inteligência o homossexualismo. Mas saiba que quando você estiver só, somente Deus estará contigo. Portanto não deposite suas fichas, sua vida e sua eternidade em ninguém, pois foi Deus quem te criou, ele sabe o que é melhor pra você, a vontade dele para sua vida é perfeita, boa e agradável a você! Creia!


APLICAÇÕES AOS CRISTÃOS:

- Cuidado com a presunção: A única diferenciação que Deus faz entre os homens é a salvação dada por Deus em Cristo, que determina quem são seus filhos. Nenhum cristão deve desprezar quem quer que seja, pois sua posição de filho de Deus é um privilégio da graça de Deus e não de mérito pessoal, comportamental, intelectual ou espiritual.

- Cuidado com a indiferença: quem pode dizer que ama a Deus a quem não vê se não amar o próximo a quem vê todo dia (1 Jo 4:20). E amar não é se ter dó, não é simplesmente ser gentil, amar e se envolver, ajudar, abençoar. Se na igreja não for o local para um travesti, um efeminado, qualquer homossexual entrar, então ela perdeu a sua função de Luz do mundo.

- Em tudo o amor: ainda que você faça os maiores sacrifícios, se não tiver amor nada adianta. Além de seu juízo de valores baseados na Bíblia sobre o estilo de vida errôneo que uma pessoa esta vivendo, demonstre muito mais amor, disposição em ajudar. Não seja preconceituoso, tenha um conceito formado sobre o que é certo na Palavra, e, acima de tudo, é certo amar.


Tiago Leite

O que vamos imitar?

Queridos irmãos e amigos, minha última publicação foi em Março do ano passado.
Preciso voltar a postar aqui. Vou explicar porque:

Tenho que quebrar uma resistência pecaminosa em minha vida. Sinto-me, já há alguns anos, constrangido e intimamente cobrado a escrever alguma coisa.

Nem tudo o que contemplamos e apreciamos devemos imitar. Quando ouço algumas peças barrocas de Bach ou observo a competente e “mística” regência de um maestro conduzindo inúmeros instrumentos e vozes, aprecio muito. Entretanto, não sou tomado por um ímpeto interno de imitá-los, de me engajar em reproduzir com igual excelência suas habilidades artísticas. O fato é que existem habilidades que testemunhamos e nos satisfazemos em contemplá-las. Mas, existem habilidades que, quando se manifestam diante de nossos olhos, fazem nosso homem interior estremecer como que diante de um chamado divino a trilharmos semelhante caminho. Quando ouço boas exposições da Bíblia ou belas composições de adoração, e quando vejo alguém sendo usado para levar outra pessoa para mais perto de Deus, não tenho dúvidas que tenho estas tarefas também a cumprir. Quais habilidades fazem o seu coração arder e desejar imitar? Quais tipos de pessoas que, além de te impressionarem, também te constrangem a buscar fazer o mesmo que elas estão fazendo?

“Não te faças negligente para com o dom que há em ti”, diz Paulo a Timóteo (1 Tm 4:14). “Se ministério, dediquemo-nos ao ministério; ou o que ensina esmere-se no fazê-lo”, também afirma Paulo aos cristãos de Roma (Rm 12:7). Ou seja, preciso ter dois temores que trarão equilíbrio, humildade e coragem em minha jornada ministerial. O temor de fazer aquilo que Deus não me chamou para fazer e o temor de não fazer aquilo que Deus está me convocando a fazer. Se ministério, tenho que dedicar-me a isto, mas, se não, devo me dedicar a outra coisa. “Ande cada um segundo o Senhor lhe tem distribuído, cada um conforme Deus o tem chamado” (1 Co 7:17).

Percebo, desde Moisés escrevendo o Pentateuco até João escrevendo o Apocalipse, que homens são chamados para escrever sobre Deus, sua obra e redenção. João vai dizer: “Estas coisas vos escrevi, a fim de saberdes que tendes a vida eterna” (1 Jo 5:13). Os escritos destes homens da Bíblia são incomparáveis, inerrantes e insubstituíveis por serem da direta revelação divina para condução do seu povo e condenação dos incrédulos. Mas, também, a cada bom livro que leio, seja pastoral, ou histórico, ou filosófico, ou doutrinário, vejo o quanto Deus usa palavras escritas para nossa edificação. Palavras que fluem de homens que procuram entender e compartilhar as verdades reveladas na Palavra do Senhor. Agostinho, Lutero, João Calvino, Richard Baxter, John Bunyan, Jonathan Edwards, Charles Spurgeon, Dietrich Bonhoeffer, C.S. Lewis, Martin Lloyd Jones, Abraham Kyper, Francis Schaeffer, R. C. Sproul, A. W. Tozer, John Piper, John MacArthur, J. I. Packer, Hermistein Maia, Hernandes Dias Lopes, Augustus Nicodemus e tantos outros homens são incrivelmente usados por Deus para minha edificação. Escrever é uma destas habilidades que não só contemplo, mas me sinto impelido a imitar de alguma forma.

Ainda na infância lembro-me de algumas poesias que rabiscava em meus cadernos de escola. Certa vez minha mãe, que era professora do Estado do Mato Grosso do Sul na época, retornou de uma de suas aulas preocupada com a rebeldia de alguns alunos. Fiquei impressionado com minha mãezinha peitando uns brutamontes no colégio. Na mesma época ouvi nos telejornais a velha situação da desvalorização dos educadores refletida nos baixos salários. Algumas poesias inflamadas contra a injustiça para com os professores fluíram em meus cadernos. Eram palavras ingênuas, utópicas, mas me ajudavam a colocar para fora pensamentos, sentimentos e dúvidas. Ao ler as palavras tocantes escritas por alguém sempre me senti atraído a escrever também.

Eu tive uma experiência curiosa e cômica por volta dos 16 ou 17 anos. Inscrevi-me num concurso de poesias na igreja. Antes da apresentação, recitei para alguns todo o meu poema de cor e, na apresentação, tomei a “grande” decisão de recitá-lo de cor também. Comecei:
“Pela atmosfera transtornada pelos tóxicos liberados,
Há uma terra devastada de valores esgotados.
Os céus ainda inatingidos pela humanidade destruidora,
Onde os luzeiros constrangidos presenciam uma situação aterradora...
Ó frutos de Eva, filhos do pai Adão,
No que transformaram a terra, benção em maldição!”

Mas, durante a declamação, o nervosismo foi tanto que terminei o próximo verso com uma rima que inventei na hora, abreviando pela metade meu tão trabalhado “poema escatológico”. Nem a sensação de que diverti os queridos irmãos me consolou naquele dia. Foi a primeira e última vez que tentei recitar um poema. Penso que muito da nossa timidez é fruto de uma alta autoestima doentia que gera uma baixa autoestima doentia. É um paradoxo mesmo. Achamos que todos querem saber quem somos (alta autoestima, autovalorização), e tememos que todos saibam quem somos (baixa autoestima, autodesvalorização). Às vezes, temos uma visão tão egocêntrica da vida que pequenas falhas, coitadas, são supervalorizadas. Vemos, então, uma conspiração mundial contra nós, como se minha poesia mal declamada fosse estourar uma terceira guerra mundial, como se alguém, além de mim se lembrasse dela ainda hoje. Deveria ter tentado declamá-la novamente, mas me achei demais “visado” e me acovardei. E se tivessem “olheiros” disfarçados ao lado das irmãzinhas da igreja procurando qual seria o próximo Carlos Drummond de Andrade que levariam para um treinamento na Europa? Síndrome de Neymar...

A música me ajudou a memorizar e verbalizar mais sutilmente minhas palavras e, desde então, várias letras foram surgindo e delas as melodias. Do tempo em que fiz Seminário para cá, tenho procurado escrever meus sermões, e tenho muitos deles digitados comigo. As palavras registradas podem ter maior alcance. Sou inclinado a pensar que todos os pastores devem procurar escrever, mesmo que não muito, pois as pessoas que não puderem ouvir suas exposições da Palavra poderão ter acesso a elas por meio de uma pastoral, sermão, livro ou blog. Acho a contribuição do excelente blog “O Tempora! o Mores!” de alguns mestres uma iniciativa imitável!

Tenho consciência de que as minhas palavras são limitadas, meus recursos escassos, meu conhecimento superficial, meu caráter inseguro e minha fé pequena. Não afirmo isto para demonstrar humildade, pois se me orgulhasse de me autodiminuir, já não seria humilde diante de Deus. Aprendi com Jonathan Edwards que se um rei tira o sapato de outro rei, isto é humildade, mas se um servo se ajoelha para tirar o sapato do seu rei não é humildade, é o que se espera dele mesmo. A não ser que o servo seja cegamente cheio de si, não pensará ter feito algo de grande humildade, não se orgulhará do que fez como se fosse um ato de auto-rebaixamento. O servo veria seu ato como uma obrigação normal, pois saberia que realmente é inferior ao rei. Edwards afirma que “O homem verdadeiramente humilde nunca se sente que se rebaixou o suficiente perante Deus. Sente que não importa quanto se prostre, poderia prostrar-se ainda mais”¹. Como posso ter orgulho de expor minhas limitações, quando estou apenas admitindo o que sou? Diante de um Deus Santo e Soberano a penitencia não é humildade, mas honestidade e obediência.

Mas, apesar de minhas limitações, quero prosseguir, ser e fazer tudo o que Deus me chama a fazer. Observando os homens usados por Deus na Bíblia, preciso concluir que Deus vem construindo a história do seu povo, da sua igreja, através dos obedientes e não dos melhores. Eu me surpreendo com a produção literária de alguns diante das adversas circunstâncias em que viveram. Os apóstolos Paulo, Pedro e João, ou Calvino, Knox e Bonhoeffer, são exemplos. Estou envolvido no ministério desde a infância e quão pouco consegui fazer até agora?

Irmãos, acima de qualquer outra habilidade, a que mais devemos, não só contemplar, mas procurar imitar é a de obedecer a Deus. Jesus é nosso exemplo perfeito, e o apóstolo Paulo um grande exemplo de imitador de Cristo, “Sede meus imitadores, como também eu sou de Cristo”. (1 Co 11:1). Que a habilidade de obedecer, não só contemplemos, mas imitemos. O que vai significar em sua vida imitar os homens que obedeceram a Deus? O que você precisa começar a fazer?

Encerro fazendo da oração do Pr. Elbén César a minha oração:

“Ó Deus, tem misericórdia de mim, pois sou pecador e aprendiz. Em meu incontido desejo de repassar para os outros as belezas que encontro na leitura da tua Palavra a cada manhã, peço-te que me dês capacidade para produzir textos edificantes. Dá-me uma porção daquilo que é necessário para cumprir e desenvolver essa aspiração.
Dá-me substância, conteúdo, recado, mensagem. Algo que gere fé e convicção, conforto e esperança, arrependimento e transformação, alegria em meio à tristeza e consternação em meio à euforia. Filtra o que eu tenho para escrever e o que eu quero escrever. Ensina-me a construir em vez de destruir. Que a minha pena em tempo algum afaste alguém de ti.
Dá-me exegese cuidadosa da tua Palavra. Que eu não me sirva dela de modo irresponsável e superficial, mas que ela se sirva de mim. Dá-me uma mentalidade bíblica. Que eu veja a história numa perspectiva bíblica. Que eu veja o presente numa perspectiva bíblica. Que eu enxergue o futuro numa perspectiva bíblica.
Dá-me discernimento espiritual para eu não misturar as coisas nem deixar de distinguir o bem do mal, o doce do amargo, a luz das trevas e o trigo do joio. Dá-me coragem e equilíbrio no trato de temas controvertidos e apaixonantes, e capacidade para enfrentar o que é complexo.
Dá-me a sabedoria que vem do alto, aquela que procede de ti, aquela que existe desde o princípio, aquela que mora com a prudência, aquela que vale mais que o ouro puro e a prata escolhida, aquela que tornaste disponível por meio da oração. Preciso muito de olhos que vejam, de ouvidos que ouçam e de coração que ame. Quero ser escravo e instrumento da Verdade.
Afasta de mim as segundas intenções, os propósitos duvidosos, as alfinetadas desnecessárias, a crítica mordaz. Livra-me do desamor, do preconceito, do equívoco, da injustiça. Segura em tuas mãos as rédeas do meu pensamento, do meu raciocínio, da minha escrita. Não me deixes escrever o que não é para ser escrito. Não me deixes colocar bobagens no papel. Amém”²




¹EDWARDS, Jonathan. A Genuína Experiência Espiritual. Pág. 89. Editora PES, 1993.
²CÉSAR, Élben. Súplicas de Um Necessitado. Capítulo 25. Ed. Ultimato, 2012



Tiago Leite