sexta-feira, 20 de maio de 2011

Arte, Cosmovisão e o Evangelho

Sou um ser humano dentro da minha raça, sou um cidadão dentro do meu tempo e sou um cristão com a minha fé em Cristo. Sou um cristão de um livro só, a Bíblia, e sou um ser de uma estrutura só, a humana. Assim reflito, reconhecendo que estou em um processo divino, agindo no humano que sou, para o desenvolvimento de minha salvação, minha percepção do mundo e minha missão na terra. Como todos, estou em constante contato com as manifestações culturais do meu povo, de minha época. Abaixo algumas reflexões e citações do que tenho lido e pensado sobre minha humanidade e suas competências e sobre minha espiritualidade e sua missão.

A Identidade do Cristão e a Cultura Contemporânea

A visibilidade do nosso Cristianismo. Não podemos desconsiderar a necessidade de que nossa fé seja visível aos outros através de nossa vida. A árvore se conhece pelos frutos, um cristão será percebido pelos outros por seus frutos (Mt 12:33). Somos a luz do mundo e o sal da terra. Os homens precisam ver as nossas boas obras e glorificar a Deus (Mt 5:13-16). O Sermão do Monte traz claramente o ensino de virtudes visíveis (Mt 5-7). Somos feitura dEle criados em Cristo Jesus para boas obras (Ef 2:10). Somos o corpo de Cristo, ou seja, manifestamos neste mundo a ação de Cristo na terra (1 Co 12:27). Temos que viver os frutos da luz e nos desvencilharmos das obras da carne (Gl 5:16-26). Paulo em Efésios ensina que, como nova sociedade em Cristo, manifestamos esta nova vida em nossa unidade e santidade no dia a dia. Nosso comportamento e nossos relacionamentos devem refletir esta nova vida. Tiago é muito claro ao dizer que nossa fé é visível em boas obras (Tg 2:14-26). As cartas do Novo Testamento são muito claras na implicação prática de nossa fé, se nos tornamos cristãos com certeza seremos seres humanos diferentes dos demais. Qualquer teologia que remeta a fé cristã a um caráter totalmente subjetivo e invisível, anulará a obra visível da igreja que deve ir por todo o mundo e pregar o evangelho a toda criatura e deve batizar em nome da Trindade.
O grande problema está no momento em que fatores culturais, temporais e meramente humanos são incorporados a lista do que nos identifica como cristãos. Quando inserimos nas “boas obras” aquilo que a Bíblia não insere estamos adicionando circuncisões pós-modernas, liturgias obrigatórias, sacramentos extra-bíblicos e a sacralização de tradições humanas. Estamos, também, excluindo a beleza da criação de Deus que vai além dos rudimentos da religião, estamos ignorando o ser humano em sua integralidade e em todas as suas capacidades. Desta forma, limitamos a glorificação a Deus a poucos ambientes, a poucas palavras e a poucas melodias. Neste contexto nosso cristianismo se torna autodestrutivo, porque quer levar a Deus apenas uma parte do ser humano e não ele todo.

A invisibilidade do nosso cristianismo. É preciso ter cuidado com o estereótipo de cristão. A razão do primeiro concílio da Igreja Cristã em Jerusalém girava em torno da identidade do cristão. Ser um seguidor de Cristo é ser um judeu ou praticante do judaísmo? Ser um seguidor de Cristo é ser alguém que não come carne de porco, que é circuncidado e visita o Templo em Jerusalém? A visão que Deus dá a Pedro, o discernimento que Ele dá ao multicultural apóstolo Paulo e o parecer de Tiago, caminham em direção a uma reinterpretação do que é ser cristão. Pedro apresenta o parecer do Concílio:
“Deus, que conhece os corações, demonstrou que os aceitou, dando-lhes o Espírito Santo, como antes nos tinha concedido. Ele não fez distinção alguma entre nós e eles, visto que purificou os seus corações pela fé. Então, por que agora vocês estão querendo tentar a Deus, impondo sobre os discípulos um jugo que nem nós nem nossos a antepassados conseguimos suportar? De modo nenhum! Cremos que somos salvos pela graça de nosso Senhor Jesus, assim como eles também" (Atos 15:8-11).
A liderança da Igreja na época enviou esta resolução em forma de carta para as igrejas formadas entre os gentios trazendo o efeito necessário: “Quando a leram sobremaneira se alegraram pelo conforto recebido” (Atos 15:31). A percepção da igreja primitiva promoveu conforto e alívio aos cristãos, quando separou o que era temporal, a cultura judaica do que era eterno, a ação do Espírito. Ser cristão começa com o invisível aos homens, mas percebido por Deus, começa com uma entrega e confiança completa a Jesus, começa com a ação do Espírito. O externo é conseqüência.

A Cultura Contemporânea: Mal Necessário ou Característica da Humanidade

Pensemos na expansão do cristianismo no primeiro século. Um judeu cristão, um samaritano cristão, um grego cristão, um sírio cristão, um romano cristão, cada ser humano que cresse em Cristo naquela época estava livre da expectativa de assumir as práticas, a poesia e as tradições judaicas. Os gentios convertidos poderiam continuar falando a sua língua, vestindo as suas roupas, produzindo a sua música, a sua arte, os gregos poderiam continuar produzindo a sua bela arquitetura desde que em coerência a sua fé cristã.
O cristão precisa se libertar do pecado e não de sua humanidade. Ele precisa se libertar do pecado em sua humanidade e não propriamente da sua humanidade. Foi Deus quem criou as capacidades de nossa humanidade, foi Deus quem fez o homem e suas competências.

O que é Cultura: Michael Horton define cultura como “a atividade humana que intenciona o uso, o prazer e o desenvolvimento da raça humana”.

O relacionamento entre o Cristão e a Cultura: Horton afirma que há cinco posições:

1. Cristo contra cultura: o cristão não deve viver sobre a influência da cultura em geral. Este mundo está contaminado pelo pecado e é governado por Satanás. Tudo que a cultura deste mundo produz deve ser considerado mundanismo para o crente. Portanto, o crente deve de algum modo viver alheio a cultura deste mundo.

2. Cristo da cultura: Nessa posição Cristo é remodelado ou deturpado de sua personalidade original para atender as expectativas do intelectual moderno. O Filho de Deus que veio ao mundo é visto mais como “poeta, moralista ou filósofo do moralismo alemão”. Nesta posição, não há, na verdade, um relacionamento entre o cristianismo bíblico e a cultura, mas uma sobreposição da cultura anulando o cristianismo.

3. Cristo acima da cultura: Esta posição vê a questão de um modo mais vertical. Pensa mais em termos de Deus e o homem do que entre Cristo e a cultura. Não há tentativa de negar a cultura ou de anular o cristianismo pela assimilação completa da cultura. O que se tenta aqui é sintetizar Cristo e a cultura. O principal proponente desta posição é Tomás de Aquino.

4. Cristo em paradoxo com a cultura: Esta posição sustenta que não existe maneira de sintetizar o Cristianismo e a Cultura, porque estas duas forças estão em esferas diferentes da vida do ser humano. O Cristianismo está na esfera da religião e a Cultura está na esfera dos conhecimentos estéticos, morais e intelectuais. “Nenhuma esfera deverá reger a outra, e nem atacar a outra. São simplesmente esferas diferentes de atuação com propósitos diferentes”.

5. Cristo transformador da cultura: Esta posição sustenta que os cristãos devem ser agentes transformadores da sociedade. Os cristãos desta linha querem ir além do seu papel de evangelizar os perdidos, querem mudar as circunstâncias em que vivem, crendo que a cultura está de um modo como não deveria ser. Teologicamente, esta posição enfatiza o fato de que Deus criou todas as coisas, sendo o universo bom essencialmente. O problema do mal no mundo dá-se ao fato de que o mundo está caído e as criaturas pessoais estão em franca oposição a Deus. Este mundo, porém, aguarda a sua redenção. Os cristãos, que fazem parte da criação redimida, podem ser um instrumento nas mãos de Deus para melhoria do mundo atual.
Cito John Stott que ao, comentar o sermão do monte, nos lembra do desafio de sermos sal e luz. A contracultura pregada por John Stott não é a negação da cultura humana, mas a consciência de sua contaminação pecaminosa e da necessidade de ser modificada pelos cristãos. Em seu livro, Contra Cultura Cristã ele afirma:
“Com demasiada freqüência, os cristãos evangélicos têm interpretado a sua responsabilidade social em termos de apenas ajudar às vítimas de uma sociedade doente, nada fazendo para mudar as estruturas que provocam os acidentes. Exatamente como os médicos não se preocupam apenas com o tratamento dos pacientes, mas também com a medicina preventiva e a saúde pública, nós deveríamos nos preocupar com o que poderíamos chamar de "medicina social preventiva" e padrões mais elevados de higiene moral. Por menor que seja a nossa contribuição, não podemos optar pela dispensa da busca da criação de melhores estruturas sociais, que garantam a justiça na legislação e o cum¬primento das leis, a liberdade e a dignidade do indivíduo, os direitos civis para as minorias e a abolição da discriminação social e racial. Não devemos nem desprezar essas coisas nem fugir de nossa responsabilidade para com elas. Isso faz parte do propósito de Deus para o seu povo. Sempre que os cristãos são cidadãos conscientes, agem como sal numa comunidade. Como Sir Frederick Catherwood expôs em sua contribuição ao simpósio Is Revolution Change? (A Revolução Muda Alguma Coisa?): "Tentar melhorar a sociedade não é mundanismo, mas amor. Lavar as mãos diante da sociedade não é amor, mas mun¬danismo.(pag. 32)"
Abrahan Kuyper afirmou: “Não há um único centímetro quadrado em todos os domínios da existência humana sobre o qual Cristo, que é soberano sobre tudo, não clame: é meu!”. O teólogo brasileiro Franklin Ferreira falando sobre Abraham Kuyper afirma: “Precisamos de um evangelho integral, que tenha uma palavra de juízo e graça para todas as esferas da vida humana, manifestando o Reino de Deus em nosso mundo. Um homem que é um modelo como um evangélico envolvido na política é Abraham Kuyper, e, segundo D.M. Lloyd-Jones, a obra deste homem “se ergue como um grande monumento à única oposição verdadeira a toda a idéia que está por trás da Revolução Francesa.”

O que a Bíblia nos fala a respeito da cultura, Horton afirma:
1. A Bíblia diz que, quando a cultura contradiz a verdade revelada, ela deve ser combatida;
2. A Bíblia diz também que, quando um costume cultural grifa um princípio eterno, este costume cultural é recomendado;
3. A Bíblia diz, igualmente, que tudo foi criado por Deus, sendo essencialmente e originalmente bom, mas que o pecado contaminou a criação e que Deus dispensa sua graça aos homens para que eles realizam algo de bom neste mundo;
4. A Bíblia relata exemplos de pessoas que tinham muito conhecimento da cultura em que estavam inseridas e permaneceram fiéis a Deus, sendo muito importantes na História da Salvação (José do Egito, Daniel, Paulo e o próprio Cristo).

Conclusão de Horton:
- Um cristão pode se envolver com a cultura, porque a cultura pode ser uma fonte de verdade desde que ela não contradiga os dados bíblicos, à razão e se aplique à esfera a que aquela esfera cultural se proponha a abordar.
- Além disso, quando cristãos se isolam da cultura, eles acabam criando uma cultura de segunda classe e deixam de interagir com a cultura a fim de melhorá-la.
- Outro motivo por que o cristão deve se envolver com a cultura contemporânea deste modo crítico e sábio diz respeito a tarefa dos cristãos envolvidos com o ministério da Palavra: os obreiros podem conhecer melhor os erros ideológicos para combatê-los em suas próprias vidas e ministérios e na vida de suas ovelhas, e podem tirar conclusões éticas mais acertadas através de seu conhecimento bíblico e cultural.


A Cultura Seria Apenas um Mal Necessário?

A preocupação puritana com o afastamento do cristão do “mundanismo” tem inúmeras contribuições para aqueles que querem ser fiéis seguidores de Cristo. Mas como todo ideal, teve suas intenções sujeitas a interpretações particulares e a extremos prejudiciais. Entendeu-se, por muitos, que os cristãos precisavam justificar tudo em suas vidas pela utilidade espiritual ou evangelística segundo as concepções tradicionais sobre o que seria espiritual ou evangelístico. Surgiu a idéia de que o envolvimento dos cristãos com o mundo seria um mal necessário. Cito novamente Michael Horton:
“No máximo, a educação, atividades, vocações ou buscas seculares eram um mal necessário -- para se ganhar a vida, para ter com que dar o dízimo e dar para missões. Na pior das hipóteses, distraíam da vida cristã. Assim, os que queriam ser empresários procuravam empregos em organizações e agências cristãs. Se descobríssemos um pequeno Rembrandt num jovem artista da igreja, nós o colocávamos como responsável pelo quadro de avisos e (se ele fosse realmente bom) deixávamos que pintasse o batistério. Esperava-se dos nossos cientistas que promulgassem a causa do criacionismo -- mesmo que a cosmologia ou as ciências biológicas e antropológicas não fossem suas especialidades. Dos músicos esperava-se que entrassem (ou formassem) na banda de louvor ou fizesse uma turnê pelas igrejas do país -- o tamanho da igreja, claro, dependia do grau de talento do artista. Através dos anos, temos criado os nossos próprios guetos de artistas, super estrelas e apresentadores, com versões cristãs de tudo que há no mundo.
A Renascença, e de modo especial, os tempos da Reforma foram reações ao modo medieval de encarar a vida. Para a igreja medieval, filosofia, arte, música e ciência se confundiram tanto com a religião que não dava para distinguir uma da outra. Se alguém quisesse ser artista, mais uma vez procurava-se a igreja para um emprego, como a arte era ferramenta da pregação ou do ensino da vida e dos tempos de Jesus e seus apóstolos. E os sofrimentos de Copérnico e Galileu nos lembram do perigo de dizer mais do que a Bíblia diz sobre teorias científicas específicas. A Reforma libertou homens e mulheres cristãos para seguir com dignidade e respeito os seus chamados divinos no mundo, sem ter que justificar a utilidade desses chamados à igreja ou ao empreendimento missionário. A vocação era dom da criação. Até mesmo os não cristãos, como quem carrega a imagem de Deus, possuíam este chamado divino. Crente e incrédulo eram igualmente responsáveis por desenvolver seu trabalho com excelência -- um reconhecendo a Deus como autor e alvo dessa excelência, e o outro servindo a Deus com seus talentos apesar de sua recusa em reconhecê-lo como doador e alvo de tudo. Em contraposição à visão monástica do mundo, a Reforma promulgava uma teologia que abarca o mundo, um dos fatores principais no desenvolvimento da ciência, da Era Dourada da arte holandesa e da literatura inglesa e escocesa, a libertação da igreja da política, a difusão universal da leitura e da escola pública, e o grito por liberdades civis em contraposição ao fundo da tirania vigente. A Reforma teve suas imperfeições, mas os temas bíblicos por ela recuperados trouxeram de volta ao povo de Deus um senso de pertencer a este mundo durante o tempo que Deus nos deu, mas pertencer dentro de, e não como parte do mundo.
A pressão de justificar a arte, ciência e a diversão em termos do seu valor espiritual ou sua utilidade evangelística acaba prejudicando tanto o dom da criação quanto o dom do Evangelho, desvalorizando o primeiro e distorcendo, no processo, o segundo.
Por exemplo, música cristã é freqüentemente uma desculpa para artistas inferiores conseguirem vencer numa subcultura cristã que imita o brilho e glamour do entretenimento secular, inclusive suas próprias cerimônias de premiação e seu ambiente de super estrelato. Pode ser que essa não seja a intenção por parte de muitos artistas que querem contribuir ao cenário da música cristã contemporânea, mas a indústria acaba produzindo, na maioria, imitações nada criativas, repetitivas, superficiais da música popular. Essas pressões, porém, para se criar versões distintamente cristãs de tudo no mundo (ou seja, na criação), pressupõem que exista algo essencialmente errado com a criação -- e essa é uma pressuposição teológica que tem influência muito maior na formação das atitudes evangélicas em todas essas esferas do que geralmente se admite” (extraído da introdução do livro: O Cristão e a Cultura).

A Arte: Um Fruto do Pecado ou Uma Qualidade da Humanidade

Alguns questionamentos para nossa reflexão:
Se o homem não tivesse caído não teríamos poesia romântica (e Cantares?), belos quadros pintados, lindas músicas compostas, escultura, teatro, dança, a arte da ciência, a arte da escrita? Toda multiplicidade cultural só existe por causa do pecado ou está como tudo mais afetado pelo pecado? Se não tivéssemos pecado não teríamos rítmicos musicais diferentes, estilos diferentes? O samba brasileiro, os tambores africanos, o jazz e o blues americano, os clássicos europeus são méritos do pecado? Só o pecado pode alimentar a arte? Só o estado conflituoso do mundo poderia gerar a multiplicidade cultural? Não seria a capacidade criativa do homem uma competência dada por Deus, que como tudo mais foi afetada pelo pecado, mas sob o Espírito pode ser usado para a glória de Deus.
Eliminamos tudo o que o pecado afetou, ou os consagramos? Todas as competências da nossa humanidade foram comprometidas pelo pecado, mas não eliminadas por ele. Adão depois da queda não se transformou num “devoto” de Deus em ininterrupta “postura” de adoração e constante oferta de sacrifícios animais. Adão continuou exercendo sua competência de criar, arar o solo, plantar, colher, sorrir e amar. O pecado afetou nossa humanidade, mas não a eliminou.
A nossa humanidade não agride a Deus, o pecado nela sim. Há beleza em nossa essência mas não perfeição. Há valor em nossas habilidades apesar de não nos redimirem diante de Deus. O que seríamos se não tivéssemos pecado, o que faríamos? Será que nossa humanidade essencialmente ainda não carrega a imagem divina? A criatividade divina, sua habilidade artística, seu senso de beleza e de harmonia ainda estão parcialmente presentes no homem, afinal ainda somos homens.
O que Deus aprecia em nós? Deus gosta de nossa criatividade, de nossa manifestação artística? Deus não se sente glorificado quando um homem no auge de sua humanidade produz um tratado científico fruto da inteligência implantada por Ele próprio? Nascemos para o louvor da sua glória. Os céus proclamam a glória de Deus e o firmamento anuncia a obra de suas mãos, quando, mesmo sem a liturgia de um culto religioso, são belos, harmoniosos e fiéis em sua função.


O Lugar da Arte na Vida Cristã

Francis Schaeffer em sua obra A Arte e a Bíblia, diz com propriedade:
“O senhorio de Cristo deve incluir o interesse pelas artes. Qual o lugar da arte na vida cristã? Será que a arte – especialmente as belas artes da pintura e da música – é simplesmente uma forma de fazer a mundanalidade entrar pela porta dos fundos? Sabemos que a poesia pode ser usada para louvar a Deus nos Salmos e talvez até em hinos modernos. Mas e a escultura e o teatro? Será que há espaço para essas formas de arte também na vida cristã? Não seria melhor o cristão fixar o olhar apenas nas “coisas religiosas” e esquecer a arte e a cultura? Como cristãos evangélicos, tendemos a dar pouca importância à arte. Consideramos os outros aspectos da vida humana mais importantes. Apesar de nosso discurso constante sobre o senhorio de Cristo, limitamos sua atuação a uma pequena área da realidade. Confundimos o conceito do senhorio de Cristo sobre a totalidade do ser humano e sobre todo o universo e não nos apropriamos das riquezas que a Bíblia oferece para nós mesmos, nossa vida e nossa cultura.
O senhorio de Cristo sobre a vida como um todo significa que não há áreas platônicas no cristianismo, nem dicotomia ou hierarquia entre corpo e alma. Deus fez tanto o corpo como a alma, e a redenção é para o homem todo. Os evangélicos têm sido criticados, com razão, por estarem sempre tão interessados em ver almas sendo salvas e indo para o céu, e não se importam muito com as pessoas de maneira integral. No entanto, a Bíblia deixa quatro coisas muito claras:
1. Deus fez o homem todo;
2. Em Cristo o homem todo é redimido;
3. Cristo é Senhor do homem todo agora e Senhor da vida cristã toda;
4. No futuro, quando Cristo retornar, o corpo será ressuscitado dentre os mortos e o homem todo terá uma redenção completa. ”
É a partir desse sistema que devemos compreender o lugar da arte na vida cristã.

O que é uma Atitude Cristã?

O cristão é fiel a Cristo não só quando declara sua fé em Cristo, mas também quando é coerente com sua fé em Cristo, o que talvez seja a melhor declaração cristã. Como alguém já afirmou que “o cristão é a Bíblia que o mundo lê”. Exemplo de atitudes cristãs não religiosas:
- Um médico cristão pode exercer com destreza, zelo e responsabilidade sua função médica, e ser fiel a Cristo;
- Um professor cristão de história pode exercer com fidelidade e honestidade o ensino do conteúdo passado aos alunos e ser fiel a Cristo;
- Um pintor que trabalha com paisagens e cenas reais do cotidiano pode expressar sua arte e ser fiel a Cristo;
- Um músico pode tocar belas harmonias e melodias e ser fiel a Cristo;
- Um compositor pode escrever belas letras e harmonias e ser fiel a Cristo;
- Um poeta pode escrever belas poesias sobre diversos temas da vida e ser fiel a Cristo;

Uma Perspectiva Cristã Sobre a Arte (Francis Schaeffer: A Arte e a Bíblia)

1. A arte tem valor em si mesma: “A arte não é algo que meramente analisamos o valor por causa do seu conteúdo intelectual. É algo para ser desfrutado. A arte tem valor porque a toda obra de arte representa um trabalho criativo e a criatividade tem valor porque Deus é criador. A criatividade tem valor porque Deus é criador”.
A natureza de uma obra de arte:
a. Poder ser tida como algo que simplesmente existe e não pode ser analisada;
b. Opera somente a materialização de uma mensagem sobre o mundo, o artista ou qualquer outra coisa;
c. O artista produz uma obra de arte, esta se soma ao conjunto de sua obra que demonstra sua Cosmovisão.

2. As formas de arte fortalecem a Cosmovisão: não importa qual seja a cosmovisão, se ela é verdadeira ou falsa, se apresentada em forma de arte será ampliada. Ex. podemos memorizar mais facilmente um texto se for musicado.

3. Uma obra de arte que não se utiliza de vocabulário simbólico e definições padrões perde uma dimensão da arte. Um poeta pode utilizar a linguagem com riqueza, como Shakespeare, mas sua obra será compreensível porque está dentro de convenções de linguagem. Fazer uma arte fora do vocabulário simbólico não é amoral ou anticristão, mas é limitada por sua abstração e inteligível.

4. O fato de algo ser uma obra de arte não o torna sagrado. Como cristãos precisamos entender que o simples fato de um artista retratar uma cosmovisão por escrito ou numa tela, não significa que devemos automaticamente aceitar sua cosmovisão. A verdade de uma cosmovisão apresentada por um artista deve ser julgada à parte de sua grandeza artística.

5. Quatro padrões de julgamento de uma obra de arte:
1. Excelência técnica: o artista que tiver alto nível de excelência técnica deve ser reconhecido, ainda que discordemos da cosmovisão dele;
2. Validade: um artista precisa ser honesto consigo mesmo e com sua cosmovisão. Se faz sua arte apenas por dinheiro ou por causa de um cliente então seu trabalho não tem validade;
3. Conteúdo intelectual, a cosmovisão que está sendo comunicada: no caso dos cristãos, a cosmovisão comunicada por meio da arte precisa ser vista sob a ótica das Escrituras. Uma vez que o trabalho de um artista reflete sua cosmovisão, um artista cristão será avaliado à luz da cosmovisão cristã. Alguns artistas podem não saber que estão conscientemente comunicando uma visão, porem as cosmovisões se manifestam. Seja como for, esteja o artista consciente ou não da cosmovisão, se ela estiver presente, deve ser submetida ao julgamento da Palavra de Deus.
Dois pontos importantes aqui: A Responsabilidade da Arte por seu Alcance
I – Mesmo quando algo falso ou imoral é expresso por meio de uma arte de alta qualidade, isso pode ser mais destrutivo e devastador do que se fosse comunicado por meio de uma arte de qualidade inferior ou de uma afirmação prosaica. Ex. Zen-budismo cuja mensagem é que o mundo não é nada e o ser humano não é nada sendo propagado através de belas poesias e melodias acaba tendo um forte efeito.
II – É possível que um escritor ou pintor não-cristão escreva ou pinte de acordo com uma cosmovisão crista ainda que ele mesmo não seja cristão.
4. A integração entre o conteúdo e o veículo: nas valorosas obras de arte há uma correlação entre o estilo e o conteúdo. Ex. poesia “A terra devastada” de Ts Eliot, poema composto por fragmentos de vários escritos adotando no veículo a forma fragmentada expressa no conteúdo.
6. A Arte pode ser usada para todo tipo de mensagem da pura fantasia a realidade. Porque algo tem a forma de uma obra de arte não quer dizer que não possa ser um fato real.

7. Existem estilos de arte em transformação: é perfeitamente legítimo que um cristão rejeite intelectualmente uma obra de arte específica por saber o que está sendo dito por ela. Porém é diferente rejeitar uma obra de arte simplesmente porque seu estilo é diferente daquele com o qual estamos acostumados. Os estilos artísticos mudam e não há nada de errado nisto.
Cada obra de arte em cada cultura deve buscar sua própria relação entre cosmovisão e estilo.

O Estilo da Arte Cristã
1. Deve ser a arte do século atual. A arte muda, a linguagem muda.
2. Deve ser uma arte que varia de país para país. Nada de forçar uma cultura.
3. O conjunto de obras de um artista cristão deve refletir a cosmovisão cristã.

8. Formas de Arte Moderna e a Mensagem Cristã:
a. Separando estilo de mensagem. Não existem estilos ruins. Qual seria o estilo cristão de música? (Sugestão de Leitura: Estilos de Louvor de Paul Basden).
b. O feedback do artista cristão. As pessoas tem compreendido o que o artista cristão está fazendo, sua mensagem, sua interpretação cristã do mundo, sua cosmovisão? Todo artista cristão deve estar consciente da “arma” que tem em suas mãos, a arte. Através dela ele pode evidenciar a visão cristã da vida, instigar a curiosidade dos não cristãos e inspirar muitos a buscarem o Deus Criador e a Salvação em Jesus. Todo artista cristão, como todo cristão em sua área profissional, precisa auto-analisar a sua arte, o seu trabalho, à luz desta missão.

9. A cosmovisão cristã: os extremos, ênfase no tema maior, produzem teologia da prosperidade e a ênfase no tema menor produz a teologia dualista (terra má, céu bom).
Tema menor: “O cristianismo e sua arte, podem encontrar o tema menor: o homem está perdido, e vive uma existência anormal”.
O cristianismo e sua arte devem reconhecer este tema, da derrota, da dor, da tragédia da vida, num momento aonde só se canta sobre vitórias e bênçãos... Este aspecto deve ser considerado seriamente pela arte.A apostasia de muitos jovens se dá exatamente por causa de “uma noção de cristianismo otimista e romancista”.
Tema maior: a arte deve veicular o otimismo da resposta a todo este caos. O resgate integral do homem, em toda a sua integralidade. “O artista e arte deve expressar o amor pelo mundo dando a resposta em uma cosmovisão cristã integral e madura”.

10. O cerne da arte cristã: “A arte cristã não tem que necessariamente ser sempre religiosa”.
“A criação de Deus – as montanhas, as árvores, os pássaros e seus cânticos, o homem a mulher e seu amor mútuo – representa um tema para arte não especificamente religiosa” Francis Schaeffer. Ele cita o livro de cantares como exemplo disto.
A Arte no Antigo Testamento nem sempre era “fotográfica”. Horton destaca que havia romãs azuis nas vestes do sacerdote quando ele adentrava o Santo dos Santos, embora na natureza não exista romãs azuis (Ex 28:33). Os cristãos não podem se sentir ameaçados pela fantasia e imaginação, as romãs são vermelhas na natureza.
“A arte cristã é a expressão da totalidade da vida da pessoa completa; é o homem total, totalmente considerado. O cristão tem de expressar em sua arte a totalidade da vida”. Para Schaeffer o porquê do cristianismo e os artistas cristãos estarem produzindo tão pouca arte é “porque temos esquecido muito do que o cristianismo afirma acerca da arte e da criação de Deus”.

11. Uma obra de arte individual e o conjunto de obras de um artista
Não podemos julgar a obra de um artista por apenas uma peça, mas olhando o conjunto de sua obra. Não tenha medo de escrever um poema de amor apenas por não conseguir colocar nele toda a mensagem cristã. Ainda, assim, se alguém é artista, seu objetivo deve ser produzir um conjunto amplo e profundo de obras durante sua vida.

Pontos Importantes levantados sobre a Arte por Schaeffer

1. “A arte faz parte da condição humana. A criatividade constitui um aspecto de distinção entre humano e não humano”. “A criatividade está intrínseca na nossa condição humana” Francis Schaeffer. Integrar a arte faz de nós seres humanos por completo.

2. Nem toda criação é uma arte de qualidade
Este ponto é interessante porque o que se tem feito não tem crivo nenhum já que pressupõe-se que é bom já que é feito por um cristão. A arte não é apadrinhada do cristianismo, como citou Kuyper.

3. A criatividade foi dada por Deus aos homens.
“O criador repartiu talentos e habilidades entre todos os seres humanos”.“A arte tem valor como criação porque o homem é feita a semelhança de Deus e assim pode... criar”.
Para Schaeffer a arte é uma coisa boa porque é Dom de um Deus criativo, inventivo. Como cristãos então precisamos parar de pensar que a única arte boa é a feita por “cristãos”. Prefiro escutar uma boa bossa nova, a escutar “Cachoeira de Poder” da Cassiane. Prefiro ler um bom poema de Carlos Drummond de Andrade a perder o meu tempo com a “Divina Revelação do Inferno” de Mary Baxter. Prefiro a beleza de uma competência humana exercida com maestria a mediocridade artística (e teológica) de muitos.
Deus deu dons aos homens, e a arte foi repartida indistintamente aos homens. Os homens mesmo não salvos, ainda têm valor e a historia da arte está aí dando testemunho disto!

Os limites da Cultura para o Cristão
Nenhuma cultura humana é desculpa para o pecado. Somos humanos, mas humanos consagrados, escravos de Cristo. Então quando uma música, poesia, dança, teatro, literatura e qualquer outra manifestação cultural afronta os limites dos princípios BIBLICOS do cristão, chegou o limite. Existe um limite. Hoje temos igrejas promovendo boates e este mercado “gospel” brasileiro tem levado muitos cristãos a relaxarem nos padrões morais da Palavra de Deus. Somos cristãos no todo, em todo tempo, lugar e circunstância.
Todo cristão precisa ser fiel a Cosmovisão Cristã do mundo em tudo o que faz. Não somos libertos da escravidão do pecado para a libertinagem de quem não tem norte, não tem leis, não tem padrões. Nosso Deus estabelece limites. Nosso Deus exige fidelidade. Todo cristão precisa glorificar a Deus em tudo o que faz. Todo cristão precisa ser fiel a Palavra de Deus. Quando uma música afronta os valores cristãos ensinados na Bíblia, quando uma dança em seu movimento corporal excita pensamentos e atitudes fora dos limites da Palavra de Deus, quando um livro seja de qualquer gênero sugere verdades e valores diferentes dos valores do reino o limite chegou.

Cuidado, Não Subestime a Vulnerabilidade do Seu Coração
Se o cristão, o artista cristão não estiver alicerçado na Palavra, ou seja, meditando nela individualmente, orando e se consagrando irá se perder. Muitos artistas tem caído moralmente porque sem vida com Deus não tem discernimento e resistência as tentações culturais. Não vou convidá-los a se isolarem da cultura do mundo, a se colocarem reclusos, assim não vão brilhar e assim vão desprezar a beleza da criação de Deus a beleza ainda presente na humanidade criada por Deus, e vão desprezar as próprias competências humanas dadas pelo Criador. Mas, reafirmo que quem ouve as Palavras de Cristo e não pratica constrói a sua vida sobre a areia, e vai desmoronar.
Um Exemplo desta nossa vulnerabilidade foi Salomão que em toda a sua sabedoria foi levado pela vontade de suas mulheres cananitas, a ponto de autorizar o sacrifício de próprios filhos no altar ao Deus Moloque (1 Reis 11:7-8).
Atentemos a exortação da Palavra: “Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e desesperadamente corrupto; quem o conhecerá?” Jeremias 17:9. Precisamos de Artistas que leiam a Bíblia e oram, que tenham hábitos devocionais, senão serão engolidos pela cosmovisão anticristã deste mundo. Afinal, “destruídos os fundamentos, que poderá fazer o justo?” Salmo 11:3.



Referências Bibliográficas:

BASDEN, Paul. Estilos de Louvor. Mundo Cristão.
HORTON, Michael S. O Cristão e a Cultura. Cultura Cristã.
STOTT, John. Contra Cultura Cristã. A Mensagem do Sermão do Monte. ABU.
SCHAEFFER, Francis. A Arte e a Bíblia. Ultimato.


Tiago Leite

Cuidado com o culto de Domingo

Por acaso não é o sonho de todo pastor ver sua igreja cheia de jovens no culto de Domingo? Mas o título acima não é apenas uma frase de provocação, é um alerta sincero e muito sério. Jovem, se você não tomar cuidado os Domingos poderão comprometer a sua vida cristã.
Antes que você comece a entrar em parafuso com estas afirmações, reflita comigo sobre os maiores inimigos religiosos de Jesus e dos cristãos do primeiro século. Quem eles eram? Homens que não perdiam um Culto de Sábado, o dia de culto na época. Eles animariam qualquer um que dirigisse as sinagogas. O Culto de Domingo não pode ser apenas um hábito.

Quero que pense em três cuidados com o seu hábito de ir à igreja no Domingo.

1. Cuidado para não dividir os atos de sua vida em comportamento santo e profano;

Tudo o que for fazer tem que ser para a glória de Deus, leia Colossenses 3:17.

O Domingo pode se tornar um alívio de consciência, um ato nobre de sua parte de demonstrar que não se esqueceu “das coisas de Deus”. O Domingo pode se tornar a sua Quarta-Feira de cinzas. Você passa a semana inteira cultuando a carne, ou seja, os seus relacionamentos (namoro e amizades), seu linguajar, sua mente, são como o de todos os outros. Você entende que durante a semana é assim mesmo, você é um ser humano “normal”. Vê o que todo mundo vê, faz o que todo mundo faz, vai aonde todo mundo vai. Mas tem hora que é “espiritual”, ora antes das refeições e tem o culto de Domingo onde você é super espiritual.
“Ah, o Domingo é especial. Domingo eu subo a “Betel (Casa de Deus). No Domingo eu vejo o quanto sou especial, eu sou “apaixonado” por Deus. Domingo é o dia do encontro com o meu “amado” que deve ter ficado com saudade de mim, pois não o vejo desde o Domingo passado. Domingo é o dia dos meus pais sentirem orgulho de mim. Domingo é dia de cantar no louvor ou no coral, orar bonito e me emocionar no sermão do pastor. Domingo é dia de me entender como um bom crente, fiel, devoto, assíduo no Culto”.
Certa vez ouvi o Pr. Ricardo Barbosa afirmar que até lavar a louça deve ser espiritual. O teólogo Paul Stevens em seu livro “Os outros seis dias”, critica o fato de que só se entende que estamos servindo ao Senhor se trabalhamos na igreja no Domingo. Todo comportamento seu deve ser santo, separado, dedicado a glória de Deus. E glorificar a Deus não é levantar as mãos para os céus e gritar empolgado no louvor, ou se ajoelhar como a escultura de um anjo barroco. Glorificar a Deus é evidenciar o caráter dEle com sua vida. Você glorifica a Deus a cada dia, relacionamento, palavra, atitude e ação, demonstrando a beleza de Quem você serve. O Domingo é um dos dias do Senhor, porque os outros seis dias também são para Ele.

Portanto, cuidado com o Domingo, você pode estar se iludindo ao achar que só nele você será santo.

2. Cuidado para não ter uma religiosidade apenas externa.

O homem só vê o exterior, mas Deus vê o interior também. Leia 1 Samuel 16:6,7.

Ir a Igreja no Domingo pode gerar uma vida cristã hipócrita. É interessante que temos uma música hoje muito cantada “Eu não preciso ser reconhecido por ninguém, a minha glória é que te conheçam a Tí...” Uma música linda, inspirada na Bíblia. Mas tenho até medo de perguntar se haveria a mesma emoção, coreografia e animação na multidão emocionada se estivessem sozinhos em casa durante a semana. O que quero dizer é que nós não nos transformamos no Domingo em crentes que não somos durante a semana. Temos que ser os mesmos; Gostamos da palavra autenticidade, ela está em alta. No mundo, ela é representada por um estereótipo de despreocupação com a imagem. Jovens de cabelos espetados,
piercings, tatoos, e um jeitão descolado, que não tem vergonha de serem “autênticos”. Pois bem, precisamos ser cristãos autênticos. Ser crentes porque somos, independente do dia da semana. Jesus chama a atenção para aqueles que o honram com os lábios, mas não são verdadeiros. Aqueles que o honram com os ouvidos, dando-lhe atenção, mas não são verdadeiros. Mas ele enaltece aqueles que praticam a sua palavra. Estes constroem vidas sobre a rocha, leia Mateus 7:21-27. A ida ao Culto no Domingo pode atrapalhar você na confissão de pecados, no arrependimento, na busca de santidade. Porque a semana foi assim meio “mundana”, mas o Culto de Domingo foi tão bom e abençoado que você nem se lembra mais dos erros, não confessa, não se arrepende, não muda.

Portanto, cuidado com o Domingo porque ele pode estar te mascarando, escondendo quem você realmente é.

3. Cuidado para não ficar se comparando com pessoas não transformadas.

Temos que ser padrão, exemplo de comportamento, de fé, de amor para os crentes, repito, para os crentes. Leia. 1 Tm 4:12.

Você passa a semana com pessoas que ainda não nasceram espiritualmente, que são cegas. Elas são descrentes, elas não vão a igreja, elas não conhecem a Bíblia, nem os cânticos de adoração, nem a “unção” de poder. Mas você é diferente, você vai à igreja no Domingo, você não está perdido como elas. Pensando bem, olhando para a vida delas, você se sente um anjo, um conselheiro, uma pessoa de um nível maior. Afinal você é salvo, elas não... Fala sério, não é muito conveniente um caolho se achar superior aos demais cegos, “em terra de cego quem tem um olho é rei”. O hábito de ir a igreja no Domingo pode ser o olho do caolho! O apóstolo Paulo nos lembra, no texto acima citado, que temos que ser padrão para os fiéis. Isto mesmo, entenda que você precisa inspirar os próprios crentes com sua vida. O fato de ir ao culto de Domingo pode te fazer se sentir superior aos perdidos que não vão, pode te fazer pensar ser profundo, sendo superficial. Deixe a covardia de comparar-se com um descrente de lado, e entenda que o homem natural não compreende as coisas do espírito. Um amigo descrente seu não é o seu padrão, e sim um crente consagrado de sua igreja. Não se preocupe em surpreender os que nada sabem da Bíblia com poucos versículos decorados, mas àqueles que meditam na Lei do Senhor de dia e de noite, a estes surpreenda com o entendimento da Palavra.

Portanto, cuidado com o Culto de Domingo ele pode estar te nivelando por baixo, fazendo-o pensar está rico, sendo pobre, cego e nu.

Conclusão

Você pode se lembrar do texto bíblico que adverte: Não deixem de congregar como é costume de alguns (Hb 10:25). O que significa congregar? Dar uma passada na igreja no Domingo à noite para ver a galera? Congregar significa reunir-se com outros já reunidos, juntar-se, significa relacionamento, divisão de vidas. Significa que não podemos transformar o Domingo numa incursão espiritual, numa visita caridosa. Mas, congregar significa um encontro com um Deus que já conhecemos durante a semana e um encontro com um povo com quem já nos relacionamos.

Não desejo que evite o culto de Domingo, ele é uma benção. No Culto de Domingo Deus deve ser adorado, ouvido e obedecido. Você também deve desenvolver a comunhão, afinal ninguém é o corpo de Cristo sozinho e ninguém é pastor de si mesmo. Pessoalmente, foram raras às vezes em que não estive em um culto de Domingo em toda a minha vida. Mas, no início da minha juventude, em muitos Domingos o culto nada significou para mim, a não ser um hábito.


Tiago Leite

Vivendo as Aventuras de Deus

TEXTO: Mateus 25:25 “receoso, escondi na terra o teu talento...”.

Hoje, ao alcançarmos uma zona de conforto e instabilidade material, alcançamos uma fase de maturidade (não nos guiamos por impulso, planejamos, calculamos, trabalhamos, etc). Estabilidade secularmente = maturidade.
Exemplo de amigos de Ceres que não se tornaram e não fizeram nada;

MAS, na Palavra, zona de conforto espiritual é sinônimo de comodismo e falta de comunhão com Deus; Jesus conta esta parábola, num contexto escatológico, exortando seus discípulos a buscarem estar preparados para a sua volta! Jesus adverte sobre o perigo das riquezas porque elas acomodam o crente!

• Imaginem Abraão não saindo de Ur dos Caldeus;
• Imaginem Noé não construindo a Arca;
• Imaginem Moisés não indo ao Egito;
• Imaginem o Rei Davi não enfrentando Golias;
• Imaginem Pedro se aposentando como “pescador” e não morrendo como mártir;

MAS DEUS TINHA MUITO MAIS EMOÇÕES E DESAFIOS PARA SUAS VIDAS!

Ex. Paulo, quanto mais velho, mais riscos, assim Pedro, Moisés, Abraão e outros;

Dois Princípios Práticos Para Vivermos As Aventuras de Deus

I – Estamos Vivendo No Tempo Do Esforço; (2 servos multiplicaram os talentos)
Tempo de usar os talentos para multiplicar;
O Comércio é um tempo de correr riscos;
É Preciso Sair da Zona de Conforto, dar tudo, correr riscos, trabalhar;
Tempo de Desafios e de aventuras pela obra do Senhor.

• Tempo do Espinho na carne, de aventurar-se para ser crente neste mundo;
• Tempo de arrancar uma mão, de se livrar de um prazer prejudicial;
• Tempo de cruz, de renúncia, de abnegação;
• Tempo de combater o bom combate, percorrer a carreira, guardar a fé;

“Um navio no porto está seguro, mas não foi para isto que ele foi construído” Piper Shedd

II – Vivendo O Tempo Do Esforço, Estamos Vivendo Plenamente
A vida do Servo que enterrou seu talento, foi de ansiedade e medo;
A vida do Servo que não se esforçou foi uma vida chata;
A vida do Servo que enterrou seu talento foi:
Uma Vida Sem Propósito;
Uma Vida Sem Fruto;
Uma Vida Sem Graça;
Uma Vida Desperdiçada.

Moody: “Ainda está para ser visto o que Deus pode fazer com o homem que se entrega completamente a Ele”

“Entrega o Teu caminho ao Senhor, confia nele e o mais ele fará” Salmo 37:5

DEUS TEM MUITO MAIS PARA CADA UM DE NÓS!
VIVA AS AVENTURAS DE DEUS PARA SUA VIDA!


Tiago Leite

Porque Sois Assim Tímidos?

Marcos 4:35-41

Perspectiva Psicológica:

Quem tem temor, receoso; acanhado,retraído, fraco (Dicionário).
Comportamento Evitativo, Fobia Social, Má estrutura Emocional.

“Timidez é o medo de encontrar pessoas e sentir-se desconfortável na presença delas. É o receio de ser avaliado pelos outros e ser rejeitado”. Dr Less Parrot
“Mais de 80% dos estudantes colegiais e universitários tem um elevado grau de timidez” – estatística levantado pelo Dr. Philip Zimbardo da Stanford University que estudou o assunto por mais de 20 anos.

Um Tímido não é necessariamente alguém que tem um jeito calado mas significa essencialmente a característica de alguém cheio de receios e retrações. Uma pessoa com focos de Timidez poderá deixar de utilizar todo o seu potencial e ter problemas de relacionamento.

Perspectiva Bíblica:

Velho Testamento:
A palavra tímido ocorre duas vezes no V.T. (Dt 20:8 e Jz 7:3). Sua raiz vem da palavra medo ou pavor. Está num contexto que implica em covardia, falta de desprendimento e imaturidade.

Novo Testamento:
A palavra tímido (deilós) aparece 3 vezes (Mt 8:26, Mc 4:40 e Ap 21:8). Vem da palavra deos, que quer dizer pavor. Em Mt e Mc está em um contexto de incredulidade, falta de confiança no poder de Deus e medo. Em Apocalipse está num contexto escatológico de perdição por não seguirem a vontade de Deus.
A palavra derivada deilia aparece em 2 Tm 1:7 “...Deus não nos tem dado espírito de covardia” e a palavra derivada deiliao em Jo 14:27 “...não se turbe o vosso coração, nem se atemorize”.
Adão e Eva se esconderam de Deus logo após o pecado.
A quebra da comunhão com Deus foi o começo dos problemas emocionais, baixa auto-estima e timidez!

3 Razões Para Lutar Contra a Timidez

I – Consciência da Posição que Tenho em Deus

“Não te importa que pereçamos?” verso 38
A Timidez vem da insegurança pessoal e baixa auto-estima!
Salomão afirma: “porque como imagina em seu coração, assim ele é” Pv 23:7

Filhos de Deus e não mais escravos (Gálatas 4:4-7)
Jesus Salva os Discípulos da Tempestade!

Tenha Um Novo Senso de Importância!


II – Consciência da Capacitação que Tenho em Deus

Onde está a sua fé? verso 40
A Timidez vem da sensação de impotência!
Paulo afirma: “Tudo posso naquele que me fortalece” Fp 4:13

Deus me dá dons, talentos e realizações (1 Co 12:4-11)
Jesus queria que eles acreditassem no poder de Deus nEles!
Jesus diz: tende bom ânimo, coragem!

Tenha Um Novo Senso de Competência!


III – Consciência da Responsabilidade que Tenho em Deus

“Jesus despertando repreendeu o vento” verso 39
Quem é este? Os discípulos não haviam entendido seu papel no mundo.
Jesus dormia mas queria que os discípulos estivessem acordados.
Eles não perceberam o propósito de sua vidas!
A Timidez vem da sensação de futilidade!
Paulo afirma: “porque de Deus somos cooperadores... Edifício de Deus” 1 Co 3:9

Os apóstolos ficaram cheios do Espírito Santo e com intrepidez anunciaram a palavra de Deus (a4:31; 9:27, 28). Da timidez ao Martírio!
Jesus queria que eles trocassem a timidez pela intrepidez!
Jesus diz: Onde está a sua fé!

Tenha Um Novo Senso de Responsabilidade!


Troque a Sua Timidez:
Medo, Insegurança, Covardia, Baixa Auto-Estima, Fobia social, Desanimo, Depressão, Tristeza,

Pela Intrepidez: Vida Abundante, Coragem, Ousadia, Alegria, Paz, Abençoador, Poder no Espírito Santo, Propósito de Vida , Vocacionado, Capacitado, Filho do Rei!

Tiago Leite

Como Ser Um Cristão Abençoador

Texto: Lucas 5:17-26


A linda história de um paralítico que é curado por Jesus porque três pessoas sensíveis o levaram, mesmo com dificuldade até o Mestre. A nossa religião pode nos tornar benção ou maldição na vida de nossos irmãos. Enquanto fariseus e escribas com sua religiosidade ficavam assentados julgando Jesus e amordaçando o povo, aqueles três homens sensíveis estavam trabalhando para a cura do paralítico.
Lembremo-nos da parábola do bom samaritano em que Jesus conta sobre o sacerdote e o levita que, mesmo com sua religiosidade, ignoraram o homem machucado, enquanto o samaritano foi bom, sensível a abençoou o seu irmão cuidando dele. Jesus conta esta parábola para confrontar o intérprete da Lei que dizia cumpri-la acerca do amar ao próximo. Jesus pergunta então: Quem era o seu próximo? Ou seja, quem realmente abençoou o homem assaltado? Lucas 10:25-37.
Sua vida com Deus te torna uma benção ou um problema para os outros. Ao contrário da frieza dos religiosos, aqueles três homens que ajudaram o paralítico demonstraram uma sensibilidade que Deus usou para abençoar as pessoas.
Como não cair no erro dos religiosos da época de Jesus e me tornar um abençoador como os amigos do paralítico. No que estes três homens nos ensinam sobre como nos tornarmos abençoadores. Vejamos as lições:



I – Preciso Ser Sensível às Pessoas; vs. 18

Eles eram amigos dos Paralíticos.
Gente que conhece gente. Conviviam com o povo.
Vivemos na época do condomínio fechado. Os homens se tornam ilhas, fechados com seus problemas e crises.
A igreja precisa conhecer as mazelas do mundo. O clamor do mundo!
Nossa igreja precisa ser cada vez mais relevante em nosso meio. Ela deve ser sempre uma família, mas nunca deve deixar suas portas fechadas. Não falo da porta do templo que não fica sempre aberta, mas falo sobre a porta do nosso coração para as pessoas. Deus compõe uma família aberta a novas adoções, uma família que cresce. O que forma essa organização é o organismo formado por gente. Se a gente que compõe esta igreja não gostar de gente, não se importar com gente, seremos uma igreja ensimesmada, fechada e não abençoadora.
Jesus ora: Não peço que os tires do mundo, e sim que os guardes do mal. Eles não são do mundo, como também eu não sou. João 17:15 e 16.
Somos cidadãos de dois reinos ao mesmo tempo. Não vivemos isolados do mundo. Nossa mente e perspectivas devem se concentrar em outro mundo, mas não devemos deixar de nos importar com este mundo. Esse foi o erro do monasticismo na idade média, onde muitos se esconderam no alto de montes.
Os cristãos devem ser o sal da Terra. Isso quer dizer, como certa autora descreve, que eles “não devem somente pensar no Céu; eles têm uma tarefa a cumprir na Terra também”.


Você é amigo dos paralíticos? É gente que conhece gente?
Você tem sido benção na vida de quem?
Ore para que o Senhor te torne sensível às pessoas ao seu redor. Peça que Deus te faça sensível a principal necessidade delas: conhecer o Caminho.



II – Preciso Ser Sensível a Jesus; vs. 18

Eles eram gente que conhecia a Jesus. “vendo-lhes a fé” vs. 20
- Eles acreditavam em Jesus;

Aqueles homens não se esforçavam em vão, eles acreditavam realmente que Jesus poderia curar o paralítico. Não bastava perceberem a carência do paralítico, eles precisavam crer no poder de Jesus Cristo.
Cristãos sensíveis às pessoas, mas insensíveis a Cristo, não se tornam agentes de salvação, mas somente filantropos, ativistas ou assistentes sociais..
Jesus é o único que pode salvar a vida de alguém, precisamos entender isto, crer nisto para ajudarmos significativamente alguém. A primeira atitude de Jesus era perdoar os pecados do paralítico, ou seja, resolver o principal problema dele. Só Jesus poderia fazer por aquele paralítico o que fez.
Jesus pergunta: “o que é mais fácil, dizer: Estão perdoados os seus pecados ou Levanta-te e anda?” (vs. 23). Jesus está dizendo com isto que era muito mais difícil pronunciar a palavra de perdão do que a palavra de cura. Ele estava fazendo por aquele paralítico mais do que qualquer médico poderia fazer.

Você conhece a Jesus de perto? O experimenta em sua vida? Tem comunhão com Ele? Ore para que o Senhor aumente a sua fé nEle.



III – Preciso Ser Sensível ao Meu Papel; vs. 18

Eles eram gente que se percebe como Ponte.

- Eles o levaram até Jesus; sem palavras ou súplicas, mas confiavam no amor que Jesus demonstraria por aquele paralítico.
- Amor que gerou uma ação persistente;
- Eles perceberam que as limitações do paralítico o impediam de ir até Cristo, então se viram como capazes de levá-lo até Cristo.
As pessoas ao nosso redor precisam de nossa ajuda para chegarem até Cristo. Precisam de nosso testemunho na vida, com palavras e com atitudes.



Unidos pelo propósito de ajudar o paralítico levando-o a Cristo:
- Eles são parceiros e companheiros de trabalho;
- Unidade: força juntos;
- Propósito: mesma direção;
- Persistência: insistiram;
- Amor: para com o paralítico


Você é gente que percebe-se como Ponte até Cristo.
Você percebe qual é o seu papel na obra do Senhor?
Ore para que o Senhor te ajude a cumprir a missão de reconciliar o homem com Deus.


Conclusão:


Precisamos ajudar as pessoas.
Precisamos ser sociáveis e sensíveis ao outro;
Precisamos ser crentes e sensíveis ao nosso Deus;
Precisamos ser responsáveis e executarmos nosso papel.
O mundo está cheio de aleijados em todos os sentidos. Somente Jesus pode curá-los.
Coloque sua vida nas mãos de Deus, leve pessoas até Jesus e você ficará atônito com os prodígios que Deus vai fazer.
“E todos ficaram maravilhados, e glorificaram a Deus; e ficaram cheios de temor, dizendo: Hoje vimos prodígios.” Lucas 5:26



Tiago Leite