quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

Vereda Luminosa


Ao longo do descampado jaz o corpo estirado ao acaso
O mal que assola em assombro grita o estrondo da agonia
Sangue que jorra pela boca aberta no suspiro
Susto que encerra em dor latejando em compasso


Quem dera fosse apenas um corpo numa parábola hipotética
Muito embora a hipótese despenca em analogia
A verdade nua é imbróglio inlúcido ou qualquer neologia
O certo é que o corpo ali estanque logo é palimpsesto
Pois o vento e o tempo varrem toda empatia
E um novo dia revela o nascer do desamor ainda.


A liturgia de Jerusalém não supera Samaria
Quando os sacramentos não amolecem as mãos
Toda cerimônia solene solenemente sobe em vão
O sacerdote não leva a oração em burocracia
E o levita absorto troca o serviço pela lataria
Onde estão os olhos daqueles que pregam colírio
Onde estão os bolsos dos que mercadejam sacrifício
Onde está o pão dos que jejuam twittando economia


Mas o corpo da presa de humanos conspurcados no instinto
Tanto dos que abatem ou dos que deixam caído
É suspenso em trânsito pelo movido do Espírito
Consolador é o adjetivo e Amor é o trabalho
O que alivia o cansado e mata a fome do faminto
Ali no deserto prova o sacrifício insuperável da ação concreta
Da fé tida subjetiva mas que é resiliente e não funâmbula
Pois se apresenta segura na lei não impressa em publicidade
Mas o bom samaritano glorifica a Deus de verdade


Rompe a aurora de uma nova vida em terno enternecer
Aquele que levou a cruz inspira outros a fazer
E o segundo templo de Salomão não pode conter a epifania
Mas a florescência do amor em fulgor indizível
É a própria encarnação da Lei de Cristo
Saber quem é o próximo não é vereda luminosa
Ser de fato o próximo de alguém, foi do Mestre a resposta.


Baseado em Lucas 10:25-37
Tiago Leite

terça-feira, 1 de dezembro de 2015

A felicidade

A felicidade é tola mas tão conveniente, quando o sorriso da gente ignora a dor latente lá dentro insistente. A felicidade é pouca mas tão abundante, volta e meia saltitante, modifica tanto num instante. A felicidade é um choque mas corre tão passageira, logo embarca em movimento no despenco na ladeira. A felicidade é seletiva mas tão abrangente, vai contagiando metida a face de tanta gente.

A felicidade é robusta mas é tão dependente, se as raízes forem profundas fazem do hoje um presente. A felicidade espanta mas é tão atraente, o medo se mistura com um desejo ardente. A felicidade alucina mas se apresenta em lucidez, o coração acelera mas a mente é que sente cada vez. A felicidade é real mas pode ser tão ilusória, vira e mexe ela engana e não passa de estória.

A felicidade é um laço mesmo sendo tão confiante, ela pode cegar os olhos deixar o amor tão distante. A felicidade é um alvo mas também um meio de vida, ela não tem um lugar certo é agente da passiva. A felicidade é um beco mas tem muitos rumos, ela está longe de ser um navio em porto seguro. A felicidade é relativa mas também é coisa única, ela tem muitos clones mas há só uma saída.

A felicidade de Hera é a mais conhecida, ela se apresenta como afago para um egoísta. A felicidade é mentira quando se esconde do amor, nesta versão hedonista no final, dor. A felicidade é verdade quando se é consciente, ela só sobrevive num estado contente. A felicidade é visão para o que é cego no espírito, perdido em sua ambição, sufocado por seu livre arbítrio.

A felicidade é certeza quando não se constrói na areia, ela é a compreensão de uma vida inteira. A felicidade é a segurança do início, do meio e do fim, ela esclarece o propósito de se estar aqui. A felicidade é revelada por Alguém e não por uma situação, ela não é fruto da vontade e do gosto do coração. A felicidade é a verdade que liberta da ilusão, ela é um estado de espírito, de mente e de razão.

A felicidade é escondida pela ganância do mal, ela é tão distorcida em sorriso superficial. A felicidade está presa em circunstâncias precisas, mas a verdade liberta a felicidade cativa. A felicidade nasceu antes de cada um de nós, ela não é um acidente em um bilhão de anos luz. A felicidade precede a todas as lutas da vida, ela flui abundante em Deus, o Espírito e Jesus.

Sim está é a felicidade, não sensação tão frágil e banal. A felicidade tem dono, tem criador afinal. A felicidade é a verdade da nossa existência, ela é visão certa da vida, muito mais do que uma experiência. A felicidade é lágrima, sangue e suor, ela é sorriso, alívio, é calor. Uma matemática do reino assim é a felicidade, consolo nesta vida e certeza da eternidade. A felicidade liberta para se andar em amor, na gratidão do espírito de quem crê no Criador. A felicidade é fé, é certeza e vitória, a felicidade é Cristo nossa esperança da glória.

Tiago Leite

sexta-feira, 20 de novembro de 2015

A Profundidade

Paulo afirma em Romanos 11:33: “Ó profundidade (ō bathos foi a expressão original grega) da riqueza, tanto da sabedoria como do conhecimento de Deus”. O apóstolo Paulo viveu no primeiro século. Ele conheceu a filosofia grega e sua busca por uma realidade transcendente. Ele foi introduzido ao direito romano com o seu senso de unidade da humanidade sob uma lei universal, a Pax Romana. Ele experimentou a ansiosa esperança judaica pela vinda de um Messias. Mas concluiu que tudo isto era insuficiente.

O que os homens de seu tempo puderam lhe oferecer não se equiparou com o mistério da redenção em Cristo que lhe foi revelado. Em sua carta aos cristãos de Roma, Paulo vai gradativamente descrevendo o evangelho. Deus criou o mundo todo com seu poder e por isto merece receber todo o crédito. Deus sustenta todas as coisas por sua vontade e merece receber toda a glória por isto. Deus é eternamente superior a tudo o que criou e por isto merece receber toda a adoração. Mas o homem decidiu duvidar da bondade de Deus e se afastou rebeldemente dele com seus pecados. Totalmente incapaz de voltar a estar perto do Deus que rejeitou, o homem nada pode fazer. Deus foi bom e veio ao encontro do homem pecador, disposto a perdoa-lo e a reconcilia-lo consigo através do seu próprio filho Jesus. Este se entregou pelos pecados dos homens provendo um meio de salvação. Através da fé em Cristo, todo homem pecador pode ser salvo. O homem não pode mudar sua situação de afastamento de Deus e seu destino de morte com a sabedoria grega, com o direito romano ou com as leis judaicas. Somente pela simplicidade humilhante da fé em Cristo, o Cristo crucificado e ressurreto, o homem pode ser salvo. Informação simples, acontecimentos extraordinários.

Paulo conheceu a riqueza, a sabedoria e o conhecimento de sua época. Mas ao conhecer o evangelho de Cristo, percebeu que nada poderia se equipar a isto. Ele percebeu que se tratava de um outro nível, uma outra dimensão de compreensão de tudo. Charles Swindoll traduz muito bem este sentimento: “Não há nada como a profundidade para nos tornar insatisfeitos com as coisas superficiais, rasas. Uma vez que tenhamos cavado abaixo da superfície, e experimentado as maravilhas e os mistérios que há na profundidade, percebemos o valor de investirmos o tempo necessário e enfrentarmos todo obstáculo para alcançarmos essas profundezas.”

A mente de Paulo foi cativada por esta revelação impressionante, de algo maravilhoso por ser dado de graça aos homens e, ao mesmo tempo, tão trágico por ser rejeitado por eles. Paulo entendeu que o mundo pode oferecer riqueza, sabedoria e conhecimento, mas Deus tem uma riqueza, uma sabedoria e um conhecimento muito mais profundos. Não é preciso rejeitar as riquezas, o conhecimento e a sabedoria deste mundo, afinal o mundo é de Deus e sempre será. Mas, crer em Cristo é mergulhar muito mais fundo, é experimentar a profundidade. Eu, de joelhos, creio.

Tiago Leite

quarta-feira, 18 de novembro de 2015

A dor de um refugiado

A dor de um refugiado.


Há muita dor no mundo. Dor lá longe e aqui perto de casa. Dor em Mariana, dor em Águas Claras. Dor na França, dor na Síria, dor na igreja e dor na mesquita.
A dor não escolhe cor ou raça, não privilegia a Europa ou a Ásia. São tantas dores que nosso coração não sabe quem abraça.


Agora compartilho a dor das crianças na praia. Elas não brincam, não fazem graça. Elas saem molhadas e geladas, algumas mortas, algumas sem expressão na face.
A dor dos refugiados quase me mata. Deixar o seu país às pressas pra sua família não ser morta na praça.
A dor de quem deixou para trás, seu lar, suas coisas, lugares importantes. Os bichos de estimação, sua história, seus momentos marcantes. A perda de coisas pequenas e a perda de coisas grandes. Dor que sangra sem alívio, dor sem trégua em nenhum instante.
A dor de ver o que sua terra se tornou, a guerra, o caos, o terror. Os escombros, a miséria, a anarquia, o odor.
A dor com os perigos da fuga, a perda de amigos na luta.
A morte de entes queridos em acidentes na viagem. A fome, a sede, o calor, a frieza na cidade.
A dor de não ter destino, a dor de um destino estranho. Costumes, comidas, lugares, pessoas e línguas profanas.
A dor do deslocamento, do preconceito, do desprezo. A dor da xenofobia, do estranhamento, da mendicância. A dor da humilhação, do desvalor e do medo.
A dor de ser um estrangeiro em uma estranha terra, a dor de ser estranha o que foi um dia a sua terra.


Esta dor tão difícil é mais comum do que o visto. Uma parte dentro de todos nós também procura um refúgio. Fugimos de algo em nós mesmos e fugimos de tudo.
A dor também atinge quem não foge pelo oceano. Gente dentro de casa também se sente longe, vagando. Em cada coração deste mundo há um vazio incômodo.
As vezes fica mais evidente, quando é visível a fuga. Mas cada humano esgueiro esconde seus absurdos.
Refugiado, então, não é um adjetivo específico. É uma marca comum, todos procuram um abrigo.


E se também temos esta dor estando tão longe da Síria, é porque há razões que vão pra bem além desta vida.
Sentimos saudade de uma terra, uma estranha tristeza ressentida.
Esta falta sentida parece até uma loucura, mas tem algo a mais que toda alma procura.
Isto é porque tem mesmo coisas que os olhos não viram ainda. Leiamos o mundo aí fora, e o nosso mundo a vista, a partir das palavras de Deus, o autor da Vida.
Se todos entendessem seus conselhos, todo refugiado o seguiria. Deus é a fortaleza, é o único refúgio seguro nesta vida.


Tiago Leite

“Not in My Name” diz Jesus.

“Not in My Name” diz Jesus.

Esta interessante campanha #notinmyname apresenta jovens muçulmanos afirmando que não se mata em nome do Islã e de nenhuma fé. Aproveito a expressão para reforçar que Jesus é quem mais diz: “Não em meu nome”. Algumas razões:

1ª. “Não em meu nome” porque nenhum ato religioso público, seja considerado muito bom ou muito mal, substituirá a obediência e a fidelidade a vontade de Deus revelada em Cristo. Jesus afirma: “Nem todo aquele que me diz: ‘Senhor, Senhor’, entrará no Reino dos céus, mas apenas aquele que faz a vontade de meu Pai que está nos céus. Muitos me dirão naquele dia: ‘Senhor, Senhor, não profetizamos nós em teu nome? Em teu nome não expulsamos demônios e não realizamos muitos milagres? Então eu lhes direi claramente: ‘Nunca os conheci. Afastem-se de mim vocês, que praticam o mal!” Mateus 7:21-23.

2ª. “Não em meu nome”, porque nenhuma visão ou revelação que veio depois do evangelho de Jesus entregue aos apóstolos (Novo Testamento), deve ser acatada como inerrante Palavra de Deus ou como um novo modelo de vida que suplanta o modelo de vida ensinado por Cristo. O apóstolo Paulo afirma: “Admiro-me de que vocês estejam abandonando tão rapidamente aquele que os chamou pela graça de Cristo, para seguirem outro evangelho que, na realidade, não é o evangelho. O que ocorre é que algumas pessoas os estão perturbando, querendo perverter o evangelho de Cristo. Mas ainda que nós ou um anjo do céu pregue um evangelho diferente daquele que lhes pregamos, que seja amaldiçoado!” Gálatas 1:6-8.

3ª. “Não em meu nome”, porque Deus, através de Cristo, ensina a lei do amor.
- Jesus afirmou categoricamente qual é o grande mandamento, no qual se resume toda a lei e os profetas: "Mestre, qual é o maior mandamento da Lei? "Respondeu Jesus: " ‘Ame o Senhor, o seu Deus de todo o seu coração, de toda a sua alma e de todo o seu entendimento’. Este é o primeiro e maior mandamento. E o segundo é semelhante a ele: ‘Ame o seu próximo como a si mesmo’. Destes dois mandamentos dependem toda a Lei e os Profetas." Mateus 22:36-40.

- Jesus ensina que a marca de seus discípulos é o amor. “Um novo mandamento lhes dou: Amem-se uns aos outros. Como eu os amei, vocês devem amar-se uns aos outros. Com isso todos saberão que vocês são meus discípulos, se vocês se amarem uns aos outros.” João 13:34,35.

- Jesus também ensina como devemos tratar nossos inimigos. “Mas eu lhes digo: Amem os seus inimigos e orem por aqueles que os perseguem, para que vocês venham a ser filhos de seu Pai que está nos céus. Porque ele faz raiar o seu sol sobre maus e bons e derrama chuva sobre justos e injustos. Se vocês amarem aqueles que os amam, que recompensa receberão? Até os publicanos fazem isso! E se vocês saudarem apenas os seus irmãos, o que estarão fazendo de mais? Até os pagãos fazem isso! Portanto, sejam perfeitos como perfeito é o Pai celestial de vocês." Mateus 5:44-48.

- O apóstolo Paulo alerta que, sem amor, qualquer grande sacrifício será inútil. “Ainda que eu dê aos pobres tudo o que possuo e entregue o meu corpo para ser queimado, mas não tiver amor, nada disso me valerá. O amor é paciente, o amor é bondoso. Não inveja, não se vangloria, não se orgulha. Não maltrata, não procura seus interesses, não se ira facilmente, não guarda rancor. O amor não se alegra com a injustiça, mas se alegra com a verdade.” 1 Coríntios 13:3-6.

#notinmaynamesaysjesus

Tiago Leite

sexta-feira, 16 de outubro de 2015

Você se define como um cristão solitário? Deixa de conversa...

Atos 2:44 "Todos os que creram estavam juntos..."

É fácil fazer seu pedido, se sentar numa praça de alimentação e esperar alguém gente boa lhe servir a mesa no Domingo. Mas não confunda isto com comunhão. Comunhão é estar atrás do balcão, sendo um dos que servem e conhecendo outros servos. Ali você vai ter que pagar o preço da intimidade, perdoar e ser perdoado, ajudar e ser ajudado, liderar ou ser liderado. Não faça das igrejas por aí espalhadas um ‘Menu” para o seu consumo e não confunda isto com congregar.

Você pode adotar quatro posturas para com a igreja:
1. Ateísmo eclesiológico: Ser ateu para com a igreja. Se diz cristão, mas não crê mais na igreja. Se entende como um profeta do caos da igreja e não parte dela.
2. Agnosticismo eclesiológico: Ser indiferente para com a igreja. Você admite sua existência, mas acha que ela não tem relevância na sua vida.
3. Ignorância eclesiológica: Ser ignorante para com a igreja é se associar com qualquer comunidade que se diz igreja, admitir qualquer comunidade como igreja, e ignorar que uma igreja verdadeira tem uma identidade definida não por ela, mas pelas Escrituras.
4. Humildade eclesiológica: Sim, você não é otimista, ou pessimista para com a igreja, você é obediente. Jesus ensinou aos seus discípulos um caminho coletivo de missão e de convivência. Você é realista para com a existência de falsas igrejas e igrejas verdadeiras com fragilidades, mas você se percebe como parte da igreja e é consciente desta realidade. Você decide dividir a sua vida com outros cristãos porque Jesus te mandou fazer isto e porque você admite que precisa.

Veja bem como não existe na Bíblia o ensino para ser discípulo solitário:
1. O maior mandamento de um discípulo, do qual depende toda a lei e os profetas é amar a Deus e amar ao próximo como a si mesmo, não uma vida espiritual egoísta e autossuficiente (Mateus 22:37-39);
2. A maior prova de amor a Deus de um discípulo? Basta lermos João 14:21: “Aquele que tem os meus mandamentos e os guarda esse é o que me ama”, e amar o próximo é um mandamento.
3. A marca de um discípulo de Jesus não é sua capacidade de viver sozinho em uma suposta saúde espiritual, mas o amor dos discípulos uns pelos outros diz Jesus (João 13:35);
4. A edificação de um discípulo de Jesus acontece no contexto coletivo da convivência com outros cristãos. Os dons do Espírito e os mandamentos de mutualidade florescem na igreja (Efésios 4:12);
5. A missão de um discípulo é dada por Jesus num contexto coletivo, ou seja, discípulos cumprem a sua missão em conjunto e não isoladamente (Marcos 16:15).

Ou seja, para eu cumprir o mandamento essencial de Deus, para provar que eu o amo, para conter ter a marca de um discípulo, para amadurecer espiritualmente e para cumprir minha missão, eu preciso da igreja. Sem isto, meu cristianismo será apenas uma conversa hipócrita, ou ingênua, ou imatura, ou as três coisas.
Por mais que a igreja evangélica brasileira seja, no geral, decepcionante, não desista da igreja de Jesus, ela a fundou e a preserva no meio do caos. Seja criterioso e cuidadoso para com igreja, mas seja parte dela.

sexta-feira, 2 de outubro de 2015

A COMUNICAÇÃO RELEVANTE DO EVANGELHO

A COMUNICAÇÃO RELEVANTE DO EVANGELHO

Mt 24:14: E será pregado (kerusso) este evangelho do reino (evagellion basileia) por todo o mundo (oikoumene), para testemunho (marturion) a todas as nações (ethnos). Então, virá o fim (thelos).

INTRODUÇÃO:

Ronaldo Lidório trabalha esta passagem em seu artigo sobre a teologia bíblica da contextualização apontando para o princípio bíblico da comunicação. Pretendo também hoje trabalhar este texto extraindo 6 aplicações para nossa comunicação relevante do evangelho. Mas antes, algumas considerações iniciais:

1. O Contexto da Comunicação - Sobre a escatologia de Mateus 24:
Conforme afirma Augustus Nicodemus: “O Sermão Escatológico de Jesus é a resposta que Jesus deu à pergunta dos discípulos sobre a sua declaração profética da destruição iminente do templo de Jerusalém: “Dize-nos quando sucederão estas coisas e que sinal haverá da tua vinda e da consumação do século” (Mt 24.1-3; Eles estavam preocupados com o “quando” e os “sinais.”
Jesus tinha alguns propósitos gerais e óbvios, como (1) corrigir a visão dos seus discípulos sobre a destruição do templo, a sua vinda e o fim de tempos — aparentemente eles confundiram estes eventos como sendo uma e a mesma coisa; (2) adverti-los a não serem enganados pelos falsos profetas e “cristos” que viriam, e também pelos sinais e maravilhas que os mesmos seriam capazes de produzir; (3) estabelecer uma visão ampla e geral da história, começando com sua morte e ressurreição até o julgamento final; (4) adverti-los a que estivessem preparados para o dia e a hora desconhecidos de sua vinda. O foco do Sermão Escatológico, portanto, é muito mais a preparação dos discípulos para os últimos dias do que um programa detalhado da história”.
Então, falar em ordem escatológica é falar da diferença entre 2h da manhã e 4h da manhã. Já estamos em trevas. Já estamos na alta noite. Já estamos vivendo entre a ascensão de Cristo e a sua volta. Estamos entre o cordeiro e o leão. Estamos nos últimos dias!
O certo é que a interpretação escatológica deste verso no contexto de Mateus 24 não altera o imperativo da igreja em cumprir o “será pregado”.

2. Estamos falhando na comunicação relevante do Evangelho.
Temos exemplos tremendos na história de comunicação do evangelho e missões como: Robert Moffat, David Livingstone e Henry Stanley nas selvas africanas. William CArey, Índia, Adoniram Judson, Birmânia; Iran Bingham no Havaí; Lingüistas como Morrinson e Towsend que traduziram as Escrituras para o cakqhiquel (língua indígena com mais de 200 formas para um verbo)!
Temos exemplos tremendos na história de comunicação do evangelho no Brasil: Livros do Pr. Esli, do Pr. João, do Pr. Alderi Matos, Edson Queiroz, etc.
Antes falávamos dos desafios da comunicação do evangelho nas densas florestas selvagens. Exemplo: “Se o seu Deus é tão esperto porque ele não aprendeu a nossa língua?” frase ouvida por William Towsend (fundador da Missão Wycliffe) de um índio na Guatemala.
Entretanto, estamos falhando na comunicação do evangelho não porque missionários tem dificuldades em terras estrangeiras. Apesar de haver estudos afirmando que mais da metade dos missionários hoje retorna nos primeiros 4 anos e não voltam mais.
Mas não é preciso ir em campos estrangeiros. Falhamos em comunicar o Evangelho ao sairmos deste Conferencia hoje à noite e estarmos já amanhã não comunicando o evangelho. Hoje minhas ovelhas na cidade têm dificuldade em comunicar o evangelho para seus vizinhos de porta.

3. Alguns problemas na comunicação do Evangelho:

3.1. O próprio comunicador não pratica a mensagem: Ignoramos nosso papel de seguidores do Evangelho. No seu livro “A Grande Omissão” Dallas Willard afirma:
“Nos dias de hoje, porém, deparamos com uma enorme decepção em relação ao caráter e às influências das pessoas e instituições cristãs e, pelo menos por implicação, da fé cristã e sua visão da realidade. Quem, dentre os cristãos de hoje, é um discípulo de Jesus, em qualquer sentido substantivo do termo "discípulo"? Um discípulo é um aluno, um aprendiz — um praticante, mesmo que iniciante. O Novo Testamento — que deve ser nosso princípio norteador no Caminho com Cristo, deixa isso claro. Nesse contexto, os discípulos de Jesus são pessoas que não apenas adotam e professam certas ideias como também aplicam sua compreensão crescente da vida no reino dos céus a todos os aspectos de sua vida na terra”.
Jesus diz venham após mim, siga-me! Jesus diz toda a autoridade me foi dada, IDE!

3.2. O comunicador evita sua responsabilidade de comunicar a mensagem: Evitamos nosso papel de mensageiros do Evangelho: Esquecemos que nós somos os que pregamos.
O NT nos diz que há pessoas que tem o dom de evangelista (EF 4:11 e At 21:8). Mas no livro de Atos temos vislumbres de que todos os crentes receberam a grande comissão. Em Atos 2 todos os cristãos receberam o Espírito Santo. No AT esse derramamento era um preparatório para a obra de transmitir profeticamente a Palavra de Deus. Em Atos 8:1-4, vemos que muitas pessoas evangelizavam. Vemos Felipe, um diácono, que evangelizava. Em Atos 11:19-21 é evidente a evangelização sendo feita por todos os cristãos dispersos pela perseguição. Pedro exorta que todos os cristãos devem estar preparados para evangelizar (1 Pe 3:15-16).
1) Queremos enviar missionários para regiões onde o evangelho é proibido: Coreia do Norte, Arábia Saudita, Afeganistão, Iraque, Somália, Maldivas, Mali, Irá, Iemem e Síria (Portas Abertas 2013); Ex. Mulher que busquei no aeroporto fugindo com 2 filhas do marido no Egito.
2) Queremos enviar missionários para regiões onde o evangelho é desconhecido: os índios no Brasil são 616.000 indivíduos; - O Brasil tem 340 Etnias; - 147 Etnias não possuem presença de missionários evangélicos (Relatório 2012 da AMTB (Assoc. de Missões Transculturais Brasileiras). No Sertão Nordestino a porcentagem de evangélicos é baixíssima: menos de 4%. Centenas de cidades com menos de 2% de evangélicos. Muitas com menos de 1%. Mais de 320 municípios com 97% da população que não conhecem a Deus. Em todo o sertão 95% da população não conhecem o Evangelho.
3) Evitamos nos ver como missionários para as regiões onde o evangelho é corrompido;
- A maioria da população mundial se encaixa aqui. - O Brasil e grande parte do mundo não tem problema com a proibição de pregar o evangelho, mas com sua diluição.

3.3. O comunicador distorce a mensagem ao comunica-la. Diluímos a mensagem do Evangelho: O Evangelho Corrompido se torna irrelevante:
Paulo afirma: “Admira-me que estejais passando tão depressa daquele que vos chamou na graça de Cristo para outro evangelho, o qual não é outro, senão que há alguns que vos perturbam e querem perverter o evangelho de Cristo. Mas, ainda que nós ou mesmo um anjo vindo do céu vos pregue evangelho que vá além do que vos temos pregado, seja anátema.” (Gálatas 1:6-8).
o Acrescentado: Além do que vos tenho pregado: Salvação com Jesus e algo mais.
o Pervertido: Querem perverter o evangelho: Salvação com um Jesus, mas diferente.
o Trocado: Ensinam outro evangelho: Salvação sem Jesus.
• O Evangelho no 1º Século corria o risco da diluição e já estava num Contexto Comercial Urbano em cidades da Galácia, da Grécia, da Ásia.
A cidade produz sincretismo, diversidade, impessoalidade, crise de identidade, ceticismo.
O Império Romano urbanizou muitas regiões. A Galileia, onde Jesus nasceu, integrava o Império Romano, que abrangia todo o entorno do Mediterrâneo, incluindo partes da Europa, da África e da Ásia, somando 50 milhões de habitantes. Principais cidades: Roma 1 milhão de habitantes, Alexandria 700 mil, Antióquia 300mil. Jerusalém: Principal cidade da Judeia, com 25 mil habitantes, recebia 100 mil peregrinos para festas como a Páscoa.
• Exemplo: a Heresia de Colossos, mistura de legalismo com gnosticismo;
O Mundo é Urbano: mais de 70% do mundo é urbano, mesmo que não queira ministrar na cidade, será inevitável que ela chegue até você.

3.4. O comunicador espanta os destinatários da mensagem.
João 6:60-71 (os discípulos escandalizados). Jesus pergunta: “Isto vos escandaliza?”.
Skandalo: ofensa, tropeço, escândalo, causar ofensa, desencaminhar.
Skandalo tem dois sentidos principais a serem destacados:
1. Obstáculo à aceitação da Salvação: é a ofensa inevitável do evangelho no descrente. Jesus constrange muitos que o seguiam. Eles afirmam: “Duro é este discurso que o pode ouvir”. Duro (gr. Skleros não difícil de entender, mas duro de aceitar). Tentação ao pecado, a descrença, as dificuldades e divisões. Dentro deste sentido está o escandalizar-se com Jesus (Mt 11:6; 13:57; 26:31, 33). Aplicação: devemos constranger as pessoas pelo sentido de nossas palavras e suas implicações.
2. Obstáculo à comunicação e entendimento da Salvação: são ofensa evitáveis e prejudiciais para o evangelho. “Ai do mundo por causa dos escândalos... ai do homem por qual vem o escândalo” Mt 18:7 e Lc 17:1. Aqueles que ofendem os pequeninos que creem em Jesus (Mt 18:6). Temos que ter cuidado quanto a nossa própria conduta, olhares e palavras. Temos que ter cuidado com uma doutrina falsa ou uma teologia incompreensível. Aplicação: não devemos constranger as pessoas pela forma como falamos e pelo código que usamos.


COMO APRESENTAR O EVANGELHO DE FORMA RELEVANTE EM DIFERENTES CULTURAS.

1. O DESAFIO DA COMUNICAÇÃO CLARA: SERÁ PREGADO.
Para ser relevante uma comunicação precisa ser clara, compreensível.
Kerusso: verbo κηρυσσω kerusso - 1) ser um arauto, oficiar como um arauto, pregar, tornar conhecido, proclamar em voz alta; kerys (subs. Arauto), kerigma (mensagem, proclamação).

Kerusso (verbo pregar): um súdito do rei que proclama a mensagem do Rei; No mundo antigo – sem as conferências de impressa e a mídia moderna – um rei enviava arautos, representantes oficiais, que publicamente proclamavam seus feitos ou decretos.
O kerys no período de Homero se referiam aos acompanhantes de um príncipe que cumprem deveres a altura do papel de oficiais superiores. Ele cuidava do bem estar pessoal do príncipe e de seus hóspedes. Era visto como um secretário superior e cabia a ele a palavra de autoridade para informar ou convidar os hóspedes do rei.
O kerys no período da pólis, se multiplicou em vários tipos de arautos. Haviam os arautos da cidade, arautos do concílio, dos arcontes, dos tribunais e até mesmo os arautos dos deuses.
Os arautos precisavam ser homens livres e precisavam suportar o desprezo de muitos por eles. Mas a função do arauto era extremamente importante na sociedade.
Como porta-vozes de autoridades, precisavam ter a qualidade de uma voz alta e clara.
Eram os arautos que conclamavam os soldados para a batalha e os cidadãos titulares a assembleia – igreja – eklesia).
O Novo Testamento usa este verbo para enfatizar que o pregador não deve anunciar sua própria mensagem. Ele fala como porta-voz de Outrem. A ênfase desta palavra está na transmissão exata, fiel e clara da mensagem.
• "Cristo está falando através de mim” (2 Coríntios 13:3).

Kerusso é comunicação inteligível. Os súditos entendiam as palavras lidas.
Kerusso é Comunicação Contextualizada. Os súditos compreendiam as palavras lidas.
Aqui entra o tema contextualização! Colocar no contexto!

A CONTEXTUALIZAÇÃO DA TRINDADE: Deus sendo Deus, estando acima do tempo, do espaço e da matéria se insere nela trinitariamente.
Deus Filho se encarna, assume a forma humana.
Deus Pai se comunica com a linguagem humana e ensina com elementos terrenos.
Deus Espírito se instala em corpos e mentes humanas, tocando as emoções com seu consolo, tocando a mente com seu convencimento do pecado, justiça e juízo.

A CONTEXTUALIZAÇÃO DA IGREJA: Contextualização tema desde o começo da igreja
Atos 6 – primeira resolução da instituição dos diáconos é sobre contextualização.
Atos 15 – primeiro concílio trata de contextualização.
A questão toda: ser cristão no contexto judaico e ser cristão no contexto gentílico.
A razão do primeiro concílio da Igreja Cristã em Jerusalém girava em torno da identidade do cristão. Ser um seguidor de Cristo é ser um judeu ou praticante do judaísmo? Ser um seguidor de Cristo é ser alguém que não come carne de porco, que é circuncidado e visita o Templo em Jerusalém? A visão que Deus dá a Pedro, o discernimento que Ele dá ao multicultural apóstolo Paulo e o parecer de Tiago, caminham em direção a uma reinterpretação do que é ser cristão. Pedro apresenta o parecer do Concílio:
“Deus, que conhece os corações, demonstrou que os aceitou, dando-lhes o Espírito Santo, como antes nos tinha concedido. Ele não fez distinção alguma entre nós e eles, visto que purificou os seus corações pela fé. Então, por que agora vocês estão querendo tentar a Deus, impondo sobre os discípulos um jugo que nem nós nem nossos a antepassados conseguimos suportar? De modo nenhum! Cremos que somos salvos pela graça de nosso Senhor Jesus, assim como eles também" (Atos 15:8-11).
A liderança da Igreja na época enviou esta resolução para as igrejas formadas entre os gentios trazendo o efeito necessário: “Quando a leram sobremaneira se alegraram pelo conforto recebido” (Atos 15:31). A percepção da igreja primitiva promoveu conforto e alívio aos cristãos, quando separou o que era temporal, a cultura judaica do que era eterno, a ação do Espírito.

CONTEXTUALIZAÇÃO E CULTURA:
Contextualização é a adaptação necessária à cultura de um povo. Tim Keller
A contextualização sadia entende a cultura de uma forma mais ampla e profunda.
Popularmente cultura é restrito a música, pintura, arte, alimento, linguagem e costumes.
Entendido corretamente cultura abrange cada aspecto de nossa vida neste mundo.
A cultura de um povo seria como um mapa mental do seu mundo físico, como também, um mapa de valores que determinam seu comportamento e suas decisões. Paul Hiebert

A Contextualização do Evangelho precisa considerar todos estes aspectos.
Não significa apenas modificar o comportamento das pessoas, mas também a cosmovisão delas. Não significa adaptação superficial – como a música ou à roupa, por exemplo. A Cultura afeta cada aspecto da vida humana.
A Contextualização saudável guia o homem de uma visão de mundo antroporeferente para uma visão de mundo teorreferente (Expressão usada por Davi Charles e Fabiano – CPAJ).
Ou seja uma mudança na raiz, na cosmovisão que consequentemente afetará as folhas!
Exemplo do Pr. Davi Merck sobre filhos como macieiras que produzem bons frutos.

A contextualização sadia na comunicação do evangelho trabalha a ressignificação dos símbolos. Como a Cruz De Cristo por exemplo.
Henry R. Van Til em seu livro “O conceito calvinista de Cultura” expõe a cultura verdadeiramente cristã centralizada em Cristo e direcionada por Ele. Ele afirma que após a deformação da cultura e da sociedade pela queda, somente em Cristo, o ser humano poderá encontrar uma base sobre a qual poderá reconstruir a cultura ao seu redor.
Van Til afirma que, embora o cristão esteja no mundo mas não seja do mundo, isso não pode significar que ele não deve se envolver com a cultura de modo geral.
Henry Van Til traça uma linha histórica que parte de Agostinho de Hipona, passando por João Calvino, Abraham Kuyper, culminando em Klaas Schilder (Pastor na Holanda e Professor e Teólogo, resistiu ao nazismo). Van Til cita o trabalho de Agostinho em prol de uma transformação cultural, envolvendo-se e dialogando com ela “redentivamente”. Ele cita, também, João Calvino, destacando o quanto ele dialogou com a cultura, envolveu-se com ela, elogiou-a, e defendeu uma reforma na vida integral do cristão, o que envolve a cultura. Ao abordar Abraham Kuyper, Van Til trata da graça comum, de como Deus age em provisão sobre o mundo caído, derramando dons inclusive àqueles que não o glorificam com os mesmos. Por fim ele encerra seu pensamento com Klass Schilder, pois este vai apresentar Cristo como a única chave para a transformação na forma como os cristãos (e o mundo) se relacionam com a cultura. Schilder vai desenvolver a doutrina da graça comum (Kuyper) naquilo que chamou de doutrina do mandado comum, ou seja, do mandado cultural do paraíso como um serviço dado por Deus que devemos prestar, pela graça.
Abrahan Kuyper afirmou: “Não há um único centímetro quadrado em todos os domínios da existência humana sobre o qual Cristo, que é soberano sobre tudo, não clame: é meu!”
“Contextualização não é simplesmente a aplicação prática de uma doutrina bíblica, mas a tradução dessa doutrina em uma forma de conceituação que se entrosa com a realidade das estruturas sociais e dos padrões dominantes da vida em nossa sociedade contemporânea” David Wells.
A habilidade de contextualizar é um dos segredos do ministério eficaz hoje.


2. O DESAFIO DA COMUNICAÇÃO FIEL: EVANGELHO DO REINO DE DEUS.
Para ser relevante uma comunicação precisa comunicar algo real e verdadeiro.
2098 ευαγγελιον euaggelion - boas novas. Mt 6:33 (busquem em 1 lugar o meu reino)
Evangelizo: um mensageiro que traz boas notícias do Rei; (anjo) Esta é a palavra da qual obtivemos a nossa palavra “evangelizar”. O verbo grego significa “trazer boas notícias” ou “anunciar boas-novas”. A expressão “anunciar o evangelho” é uma tradução do verbo euangelizo.

- o que é o evangelho do reino (basileia); o reino de Deus tema em Mateus.
- não são boas notícias do reino judaico apontando a libertação do Império Romano, são as boas notícias do Reino de Deus estabelecido em Cristo para libertação da condenação eterna.

Breve Histórico do termo Contextualização em Missões.
Os primeiros missionários plantaram igrejas em culturas estrangeiras mantendo o controle sobre elas indefinidamente, usando os cristãos nativos apenas no papel de assistentes. Eles levavam os cristãos nativos a adotar os modos ocidentais por atacado.
O movimento de igrejas autóctones, identificado com Henry Venn e Rufus Anderson, levavam os missionários ocidentais para plantar em novas culturas igrejas “autossustentáveis, autogovernáveis e autopropagáveis”. Eles porem convocam os missionários a serem trabalhadores temporários, cuja tarefa era realizar o evangelismo inicial e depois, o mais rápido possível, entregar as igrejas aos líderes nacionais e regionais para que as igrejas cristãs cultuassem e ministrassem na língua, na música e na cultura locais.
Shoki Coe (teólogo chinês, Conselho Mundial de Igrejas e diretor da Faculdade Teológica de Taiwan), argumentou que era necessário algo mais do que apenas capacitar líderes nacionais.
Coe observou que os cristãos nacionais não estavam sendo incentivados a pensar criativamente sobre como comunicar a mensagem do evangelho à sua própria cultura.
O problema é que a intenção original de Coe de permitir que as igrejas autóctones fizessem uma reflexão teológica sem a imposição de influências extrabíblicas da filosofia ocidental não aconteceu. Pelo contrário, a pressuposto desta libertação, o Fundo de Educação Teológica do Conselho Mundial de Igrejas foi o primeiro a usar o termo contextualização, eles procuraram se libertar da cultura ocidental antiga e mais conservadora dos missionários do século 19, mas mantiveram a cultura ocidental liberal do ambiente acadêmico do século XX. Resultado, novamente uma superadaptação da fé cristã a cultura do missionário. Adotaram o ceticismo iluminista europeu em relação ao miraculoso e sobrenatural nas bases de pensadores como os teólogos do existencialismo como Rudolf Bultmann e Ernst Kasemann.
Soren Kierkegaard, William James, Rudolf Bultmann = Liberalismo Teológico
“Não há verdade dogmática, supracultural e cosmicamente aplicável. A verdade é individual e como tal deve ser compreendida e aplicada de acordo com o molde receptor.”

Os equívocos na relação da igreja com o evangelho e a cultura.
Mark Driscoll, adaptando o missiólogo anglicano Leslie Newbigin, aborda os equívocos da igreja cristã atual na falta de discernimento para com suas relações como evangelho e com a cultura.
1. Cultura mais a Igreja, mas sem o Evangelho: Liberalismo.
2. Igreja mais Evangelho, mas sem a Cultura: Fundamentalismo.
3. Evangelho mais Cultura, mas sem igreja: Organização Para-Eclesiástica, Sincretismo.

A inevitabilidade da Contextualização:
1. Não existe uma apresentação do Evangelho isenta de Cultura.
O fato de termos de exprimir uma verdade universal em determinado contexto cultural não significa que esta verdade universal se tornou menos universal. Se não considerarmos isto, corremos o risco de acharmos que existe só uma forma de comunica-lo e estaremos a caminho de um conservadorismo rígido e culturalmente atado. Carson.

2. Existe apenas um único Evangelho.
D. A. Carson: “Embora nenhuma verdade que os seres humanos articulem possa jamais ser articulada de modo que transcenda a cultura (...) isso não significa que a verdade assim articulada não transcenda a cultura”.
Mas embora não exista uma maneira cultural transcendente de expressar as verdades do evangelho, existe, porém, apenas um evangelho verdadeiro. Se nos esquecermos disto podemos cair no relativismo, que resultará em liberdade sem rumo.

“Contextualizar não é dizer as pessoas o que elas querem ouvir, mas oferecer as pessoas respostas bíblicas que elas talvez não queiram ouvir de forma nenhuma às perguntas sobre a vida que estão fazendo, na época e no lugar em que se encontram, numa linguagem e em formas que compreendam e por meio de apelos e argumentos com uma força que elas sejam capazes de sentir, ainda que, no fim de tudo, os rejeitem”. Tim keller

Pregue o Evangelho Puro e Simples. Ele tem a má notícia e a boa notícia!


3. O DESAFIO DA COMUNICAÇÃO PESSOAL: POR TODO O MUNDO HABITADO.
Para ser relevante uma comunicação precisa ser pessoal, olho no olho.
Mundo: oikomenem (mundo conhecido, terra habitada, delimitação demográfica e não geográfica).

Deus não terceiriza a comunicação do Evangelho. Nós também não devemos.
Ele o revela, Jesus o encarna e o Espírito ensina.
Por todo o mundo habitado! Cada coração sem Cristo!
O Chamado não é geográfico mas é demográfico, onde estão as pessoas!
O Cristão ou é um missionário ou é um impostor! Spurgeon

Mudando o meu olhar sobre o alcance do campo missionário.
- Participo do projeto Férias para Jesus desde 1998 ainda antes de ir ao SETECEB como membro da ICE Maracanã.
- Em Junho do último ano realizamos o Projeto Copa para Jesus em 8 das 12 cidades sede da Copa. Fui pensando que o meu tempo neste trabalho e que meu envolvimento com ele estava chegando ao fim, afinal, estava cansado e com a sensação de ter feito muito.
- Estava no Rio coordenando os trabalhos e em um dos dias subi o Morro do Boréu com um grupo para evangelizarmos. Lá conhecemos a creche, o ambulatório, a Escola de Música da Missão Jocum. Conheci alguns dos líderes e pude ver de perto seu comprometimento.
- Alguns estão lá a 20 anos. Com faculdade, família e filhos, abriram mão de tudo para estarem alí servindo ao Senhor, morando na favela num dos lugares mais perigosos do Rio e do Brasil até a alguns anos atrás. A verdade é que estamos fazendo pouco, muito pouco.
- A obra do Senhor não é feita pelos melhores mas é feita pelos obedientes.

Tema da minha tese: Os membros das igrejas locais estão se omitindo no evangelismo pessoal na medida em que seus pastores estão se acomodando no evangelismo institucional e não se envolvendo no evangelismo pessoal.


4. O DESAFIO DA COMUNICAÇÃO AUTÊNTICA: TESTEMUNHO (MARTÍRIO)
Para ser relevante uma comunicação precisa ser sincera e verdadeira para o comunicador.
3142 μαρτυριον marturion - 1) testemunha - 1a) num sentido legal - 1b) num sentido histórico - 1b1) alguém que presencia algo, p. ex., uma contenda - 1c) num sentido ético
Martureo: testemunha os fatos e acontecimentos do que o Rei fez por nós; Este verbo significa “dar testemunho dos fatos”.

A Autenticidade do Evangelho vem com a conexão sincera e verdadeira da história de Cristo com a nossa história e com a história dos outros.
Muitos cristãos se tornam ateus praticantes. Teóricos da fé. Discursos vazios.
Como o cristianismo pode ser relevante na cultura atual. Tim Keller.
1º. Quando somos Sal e Luz. Cristãos que por seu comportamento semelhante a Cristo chamam a atenção dos incrédulos e os levem a glorificar a Deus. Mat 5 e 1 Pe 2. Então se vivermos conforme a vontade de Deus isto já tem seu impacto;
2º. Quando discipulamos as pessoas. Levando pessoas comuns com profissões comuns a viverem sob a cosmovisão bíblica. E estas vidas expostas no dia a dia sob uma direção bíblica causara impacto. Assim através de cristãos individualmente um grande impacto pode ser feito, e não na confrontação de dizer como a cultura deve ser.

“Contextualização Ativa envolve um processo de três partes: entrar na cultura, desafiar a cultura e depois apelas aos ouvintes.
“Se estamos profundamente envolvidos com a vida, as dúvidas e as preocupações das pessoas, quando estudamos a Bíblia para pregar a elas obteremos as respostas de Deus às suas perguntas”. Keller.
Exemplos: William Willberfoce, Martir Luther King, Abraham Kuyper, C.S. Lewis, Bonhoeffer.


5. O DESAFIO DA COMUNICAÇÃO MULTICULTURAL: A TODAS AS NAÇÕES (ETNIAS)
Para ser relevante uma comunicação precisa ser comunicada a todos que precisam ouvi-la.
1484 εθνος ethnos 1) multidão (seja de homens ou de animais) associados ou vivendo em conjunto - 1a) companhia, tropa, multidão - 2) multidão de indivíduos da mesma natureza ou gênero
2a) a família humana - 3) tribo, nação, grupo de pessoas

As diferenças culturais e a comunicação do Evangelho: Paul Hiebert
Temos o desafio de como vasos humanos levarmos uma mensagem divina
O Evangelho é a lente pela qual devemos enxergar o mundo. Mas como garantir que esta lente não está contaminada com a lente humana do contexto cultural? Paul Hiebert faz este questionamento: “Mas o que nos impede de interpretar a Escritura do nosso próprio ponto de vista cultural, e assim impor muitas de nossas próprias normas culturais sobre as outras pessoas?” Segundo Hiebert:
Primeiro, nós precisamos reconhecer que trazemos nossos preconceitos culturais conosco quando interpretamos as Escrituras. Então, precisamos deixar o evangelho fazer o seu trabalho na vida dos novos cristãos e reconhecer que o mesmo Espírito Santo que nos conduz trabalha neles. Precisamos permitir-lhes o direito de errar e aprender com seus erros.
Em segundo lugar, precisamos estudar tanto a cultura em que ministramos e a nossa própria, a fim de comparar e avaliar as duas. O processo genuíno de buscar compreender uma outra cultura quebra nossos preconceitos culturais e permite-nos a apreciar o lado bom das outras culturas.
Hiebert destaca que o diálogo entre nós e os nossos colegas nativos é importante na construção de pontes de compreensão cultural. O Diálogo com os cristãos de outras culturas ajuda a nos manter longe do legalismo de impor crenças estrangeiras e normas em uma sociedade sem levar em conta as suas situações específicas. Também ajuda a impedir-nos de um relativismo que nega a verdade e reduz a ética à norma culta.
Paul Hiebert afirma que as diferenças culturais afetam a mensagem de várias maneiras, por isto os métodos de evangelização precisam se encaixar na cultura em que se está evangelizando para serem bem entendidos. Ele cita o Sr. Murthi, um evangelista que afirmou “não nos traga o evangelho com uma planta em um vaso. Traga-nos a semente do evangelho para plantarmos em nosso solo”

Uma Igreja Missional = Uma Igreja Missionária. Tim Keller.
Uma Igreja Missional tem um grande respeito aos que não crêem. Ela entende o que significa não crer. Entende os traumas que as pessoas tem com a igreja, suas indagações quanto ao sofrimento, a hipocrisia. Ao entender isto a pregação e as conversas que acontecem nos grupos pequenos levam não cristãos a estarem ali.
1º. Porque os cristãos missionais não ficam ofendidos sobre todos os ataques a não cristãos, sobre afirmações feitas ao homossexualismo, ou sobre outras religiões;
2º. Porque os cristãos missionais não os deixam totalmente confusos porque ao invés de usarmos jargões subculturais evangélicos, sempre estamos em nossas conversas, desde a educação, culto ou a pregação, conectando o evangelho as narrativas, problemas as aspirações culturais cotidianas. Quando um não cristão chega e percebe que vivemos no mesmo mundo, lemos a mesma revista, lidamos com a mesmas questões na sociedade, eles percebem que nós estamos realmente sendo cristãos no mesmo mundo em que eles vivem.
Existem muitas igrejas evangélicas que os descrentes ao entrarem não entendem o jargão evangélico ali. Eles percebem uma enorme mentalidade eles/nós. Nós bons e eles maus. As coisas que discutem e se preocupam na igreja pouco tem haver com a que os descrentes se preocupam. Os crentes não se preocupam com o bem comum, com questões da comunidade. Não há a mesma preocupação. Eles se preocupam com sua tribo. Assim, quando um não cristão entra na igreja, estranha, se sente confuso, ofendido, ignorado e sai.


6. O DESAFIO DA COMUNICAÇÃO URGENTE: ENTÃO VIRÁ O FIM (TELOS)
Para ser relevante uma comunicação precisa ser comunicada a tempo.
5056 τελος telos - 1) fim - 1a) término, o limite no qual algo deixa de ser (sempre do fim de um ato ou estado, mas não do fim de um período de tempo)
1c) aquilo pelo qual algo é terminado, seu fim, resultado
1d) o fim ao qual todas as coisas se relacionam, propósito

“fim” como uma meta, um objetivo, uma finalidade e não como uma tragédia e muito menos como fim do mundo. Telos, seu sentido é “meta”, “conclusão”, “objetivo”, “realização” e não tem nada a ver com “fim do mundo”. Portanto, com a frase ... e então virá o fim o evangelista quer dizer que então, quando o Evangelho, a mensagem de Cristo, for anunciada em todo o mundo a missão está concluída, se realizou o objetivo, a missão está cumprida”. Luiz da Rosa (abiblia.org).

Mateus 25:14-31. Jesus preparava os seus discípulos para os seus ministérios nesta terra depois de sua partida. Jesus acabara de falar sobre os últimos tempos (Mt 24), a lição que temos é a: de que sabendo o que nos espera devemos nos preparar para isto.

• Jesus conta a parábola das 10 virgens para ilustrar a vigilância.
• Jesus conta a parábola dos talentos para ilustrar o serviço.
• Jesus fala das ovelhas e os cabritos para ilustrar o amor.
• Responsabilidade de vigiar. Mc 14:38 “Vigiai e orai, para que não entreis em tentação; o espírito, na verdade, está pronto, mas a carne é fraca”.
• Reponsabilidade de trabalhar. Jo 9:4 “necessário que façamos as obras daquele que me enviou, enquanto é dia; a noite vem, quando ninguém pode trabalhar”
• Responsabilidade de amar. Pedro tu me amas? Apascenta o meu rebanho. Joao 21.

Tiago Leite

quinta-feira, 7 de maio de 2015

Faça sua escolha

Faça sua escolha

Faça sua escolha. Veja as opções. Porque te incomoda a oração?
Quer escolher outra vida, vá e viva com sua opção.
Mas porque o que crê que alguém fez as flores te incomoda o coração?
Porque somente não cheira suas pétalas que pra você pelo acaso ali estão?
Porque criança chora com seu brinquedo, pelo brinquedo que está em outra mão?
Talvez porque desde bebês temos medo da nossa decisão.
Mas decidir é parte do que somos, querendo ou não.
Decidimos, decidimos, e decidimos em cada momento e estação.

Então faça sua escolha. Veja as opções. Porque te incomoda a oração?
Quer escolher outra vida, vá e viva com sua opção.
Mas porque o que crê que alguém fez as flores te incomoda o coração?
Porque somente não cheira suas pétalas que pra você pelo acaso ali estão?
Não há segurança que evite que se levante a questão.
Será que as decisões que tomamos de fato boas serão?
Como não temos o futuro no controle das nossas mãos,
Precisamos admitir que temos que crer nos efeitos que virão.

Então faça sua escolha. Veja as opções. Porque te incomoda a oração?
Quer escolher outra vida, vá e viva com sua opção.
Mas porque o que crê que alguém fez as flores te incomoda o coração?
Porque somente não cheira suas pétalas que pra você pelo acaso ali estão?
E, se depois de tudo, dependemos então da fé após a decisão,
Somos todos crentes, cremos em um futuro que foge de nossa visão.
Um mundo sem escolhas com fé, não existe esta cosmovisão.
Do mais cético ao mais crente, todos creem em sua opção.

Então, faça sua escolha, veja as opções. Porque te incomoda a oração?
Afinal, quer escolher outra vida, vá e viva com sua opção.