"Ó profundidade (ō bathos) da riqueza, da sabedoria e do conhecimento de Deus!" Romanos 11:33.
quinta-feira, 3 de dezembro de 2015
Vereda Luminosa
Ao longo do descampado jaz o corpo estirado ao acaso
O mal que assola em assombro grita o estrondo da agonia
Sangue que jorra pela boca aberta no suspiro
Susto que encerra em dor latejando em compasso
Quem dera fosse apenas um corpo numa parábola hipotética
Muito embora a hipótese despenca em analogia
A verdade nua é imbróglio inlúcido ou qualquer neologia
O certo é que o corpo ali estanque logo é palimpsesto
Pois o vento e o tempo varrem toda empatia
E um novo dia revela o nascer do desamor ainda.
A liturgia de Jerusalém não supera Samaria
Quando os sacramentos não amolecem as mãos
Toda cerimônia solene solenemente sobe em vão
O sacerdote não leva a oração em burocracia
E o levita absorto troca o serviço pela lataria
Onde estão os olhos daqueles que pregam colírio
Onde estão os bolsos dos que mercadejam sacrifício
Onde está o pão dos que jejuam twittando economia
Mas o corpo da presa de humanos conspurcados no instinto
Tanto dos que abatem ou dos que deixam caído
É suspenso em trânsito pelo movido do Espírito
Consolador é o adjetivo e Amor é o trabalho
O que alivia o cansado e mata a fome do faminto
Ali no deserto prova o sacrifício insuperável da ação concreta
Da fé tida subjetiva mas que é resiliente e não funâmbula
Pois se apresenta segura na lei não impressa em publicidade
Mas o bom samaritano glorifica a Deus de verdade
Rompe a aurora de uma nova vida em terno enternecer
Aquele que levou a cruz inspira outros a fazer
E o segundo templo de Salomão não pode conter a epifania
Mas a florescência do amor em fulgor indizível
É a própria encarnação da Lei de Cristo
Saber quem é o próximo não é vereda luminosa
Ser de fato o próximo de alguém, foi do Mestre a resposta.
Baseado em Lucas 10:25-37
Tiago Leite
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