sexta-feira, 2 de outubro de 2015

A COMUNICAÇÃO RELEVANTE DO EVANGELHO

A COMUNICAÇÃO RELEVANTE DO EVANGELHO

Mt 24:14: E será pregado (kerusso) este evangelho do reino (evagellion basileia) por todo o mundo (oikoumene), para testemunho (marturion) a todas as nações (ethnos). Então, virá o fim (thelos).

INTRODUÇÃO:

Ronaldo Lidório trabalha esta passagem em seu artigo sobre a teologia bíblica da contextualização apontando para o princípio bíblico da comunicação. Pretendo também hoje trabalhar este texto extraindo 6 aplicações para nossa comunicação relevante do evangelho. Mas antes, algumas considerações iniciais:

1. O Contexto da Comunicação - Sobre a escatologia de Mateus 24:
Conforme afirma Augustus Nicodemus: “O Sermão Escatológico de Jesus é a resposta que Jesus deu à pergunta dos discípulos sobre a sua declaração profética da destruição iminente do templo de Jerusalém: “Dize-nos quando sucederão estas coisas e que sinal haverá da tua vinda e da consumação do século” (Mt 24.1-3; Eles estavam preocupados com o “quando” e os “sinais.”
Jesus tinha alguns propósitos gerais e óbvios, como (1) corrigir a visão dos seus discípulos sobre a destruição do templo, a sua vinda e o fim de tempos — aparentemente eles confundiram estes eventos como sendo uma e a mesma coisa; (2) adverti-los a não serem enganados pelos falsos profetas e “cristos” que viriam, e também pelos sinais e maravilhas que os mesmos seriam capazes de produzir; (3) estabelecer uma visão ampla e geral da história, começando com sua morte e ressurreição até o julgamento final; (4) adverti-los a que estivessem preparados para o dia e a hora desconhecidos de sua vinda. O foco do Sermão Escatológico, portanto, é muito mais a preparação dos discípulos para os últimos dias do que um programa detalhado da história”.
Então, falar em ordem escatológica é falar da diferença entre 2h da manhã e 4h da manhã. Já estamos em trevas. Já estamos na alta noite. Já estamos vivendo entre a ascensão de Cristo e a sua volta. Estamos entre o cordeiro e o leão. Estamos nos últimos dias!
O certo é que a interpretação escatológica deste verso no contexto de Mateus 24 não altera o imperativo da igreja em cumprir o “será pregado”.

2. Estamos falhando na comunicação relevante do Evangelho.
Temos exemplos tremendos na história de comunicação do evangelho e missões como: Robert Moffat, David Livingstone e Henry Stanley nas selvas africanas. William CArey, Índia, Adoniram Judson, Birmânia; Iran Bingham no Havaí; Lingüistas como Morrinson e Towsend que traduziram as Escrituras para o cakqhiquel (língua indígena com mais de 200 formas para um verbo)!
Temos exemplos tremendos na história de comunicação do evangelho no Brasil: Livros do Pr. Esli, do Pr. João, do Pr. Alderi Matos, Edson Queiroz, etc.
Antes falávamos dos desafios da comunicação do evangelho nas densas florestas selvagens. Exemplo: “Se o seu Deus é tão esperto porque ele não aprendeu a nossa língua?” frase ouvida por William Towsend (fundador da Missão Wycliffe) de um índio na Guatemala.
Entretanto, estamos falhando na comunicação do evangelho não porque missionários tem dificuldades em terras estrangeiras. Apesar de haver estudos afirmando que mais da metade dos missionários hoje retorna nos primeiros 4 anos e não voltam mais.
Mas não é preciso ir em campos estrangeiros. Falhamos em comunicar o Evangelho ao sairmos deste Conferencia hoje à noite e estarmos já amanhã não comunicando o evangelho. Hoje minhas ovelhas na cidade têm dificuldade em comunicar o evangelho para seus vizinhos de porta.

3. Alguns problemas na comunicação do Evangelho:

3.1. O próprio comunicador não pratica a mensagem: Ignoramos nosso papel de seguidores do Evangelho. No seu livro “A Grande Omissão” Dallas Willard afirma:
“Nos dias de hoje, porém, deparamos com uma enorme decepção em relação ao caráter e às influências das pessoas e instituições cristãs e, pelo menos por implicação, da fé cristã e sua visão da realidade. Quem, dentre os cristãos de hoje, é um discípulo de Jesus, em qualquer sentido substantivo do termo "discípulo"? Um discípulo é um aluno, um aprendiz — um praticante, mesmo que iniciante. O Novo Testamento — que deve ser nosso princípio norteador no Caminho com Cristo, deixa isso claro. Nesse contexto, os discípulos de Jesus são pessoas que não apenas adotam e professam certas ideias como também aplicam sua compreensão crescente da vida no reino dos céus a todos os aspectos de sua vida na terra”.
Jesus diz venham após mim, siga-me! Jesus diz toda a autoridade me foi dada, IDE!

3.2. O comunicador evita sua responsabilidade de comunicar a mensagem: Evitamos nosso papel de mensageiros do Evangelho: Esquecemos que nós somos os que pregamos.
O NT nos diz que há pessoas que tem o dom de evangelista (EF 4:11 e At 21:8). Mas no livro de Atos temos vislumbres de que todos os crentes receberam a grande comissão. Em Atos 2 todos os cristãos receberam o Espírito Santo. No AT esse derramamento era um preparatório para a obra de transmitir profeticamente a Palavra de Deus. Em Atos 8:1-4, vemos que muitas pessoas evangelizavam. Vemos Felipe, um diácono, que evangelizava. Em Atos 11:19-21 é evidente a evangelização sendo feita por todos os cristãos dispersos pela perseguição. Pedro exorta que todos os cristãos devem estar preparados para evangelizar (1 Pe 3:15-16).
1) Queremos enviar missionários para regiões onde o evangelho é proibido: Coreia do Norte, Arábia Saudita, Afeganistão, Iraque, Somália, Maldivas, Mali, Irá, Iemem e Síria (Portas Abertas 2013); Ex. Mulher que busquei no aeroporto fugindo com 2 filhas do marido no Egito.
2) Queremos enviar missionários para regiões onde o evangelho é desconhecido: os índios no Brasil são 616.000 indivíduos; - O Brasil tem 340 Etnias; - 147 Etnias não possuem presença de missionários evangélicos (Relatório 2012 da AMTB (Assoc. de Missões Transculturais Brasileiras). No Sertão Nordestino a porcentagem de evangélicos é baixíssima: menos de 4%. Centenas de cidades com menos de 2% de evangélicos. Muitas com menos de 1%. Mais de 320 municípios com 97% da população que não conhecem a Deus. Em todo o sertão 95% da população não conhecem o Evangelho.
3) Evitamos nos ver como missionários para as regiões onde o evangelho é corrompido;
- A maioria da população mundial se encaixa aqui. - O Brasil e grande parte do mundo não tem problema com a proibição de pregar o evangelho, mas com sua diluição.

3.3. O comunicador distorce a mensagem ao comunica-la. Diluímos a mensagem do Evangelho: O Evangelho Corrompido se torna irrelevante:
Paulo afirma: “Admira-me que estejais passando tão depressa daquele que vos chamou na graça de Cristo para outro evangelho, o qual não é outro, senão que há alguns que vos perturbam e querem perverter o evangelho de Cristo. Mas, ainda que nós ou mesmo um anjo vindo do céu vos pregue evangelho que vá além do que vos temos pregado, seja anátema.” (Gálatas 1:6-8).
o Acrescentado: Além do que vos tenho pregado: Salvação com Jesus e algo mais.
o Pervertido: Querem perverter o evangelho: Salvação com um Jesus, mas diferente.
o Trocado: Ensinam outro evangelho: Salvação sem Jesus.
• O Evangelho no 1º Século corria o risco da diluição e já estava num Contexto Comercial Urbano em cidades da Galácia, da Grécia, da Ásia.
A cidade produz sincretismo, diversidade, impessoalidade, crise de identidade, ceticismo.
O Império Romano urbanizou muitas regiões. A Galileia, onde Jesus nasceu, integrava o Império Romano, que abrangia todo o entorno do Mediterrâneo, incluindo partes da Europa, da África e da Ásia, somando 50 milhões de habitantes. Principais cidades: Roma 1 milhão de habitantes, Alexandria 700 mil, Antióquia 300mil. Jerusalém: Principal cidade da Judeia, com 25 mil habitantes, recebia 100 mil peregrinos para festas como a Páscoa.
• Exemplo: a Heresia de Colossos, mistura de legalismo com gnosticismo;
O Mundo é Urbano: mais de 70% do mundo é urbano, mesmo que não queira ministrar na cidade, será inevitável que ela chegue até você.

3.4. O comunicador espanta os destinatários da mensagem.
João 6:60-71 (os discípulos escandalizados). Jesus pergunta: “Isto vos escandaliza?”.
Skandalo: ofensa, tropeço, escândalo, causar ofensa, desencaminhar.
Skandalo tem dois sentidos principais a serem destacados:
1. Obstáculo à aceitação da Salvação: é a ofensa inevitável do evangelho no descrente. Jesus constrange muitos que o seguiam. Eles afirmam: “Duro é este discurso que o pode ouvir”. Duro (gr. Skleros não difícil de entender, mas duro de aceitar). Tentação ao pecado, a descrença, as dificuldades e divisões. Dentro deste sentido está o escandalizar-se com Jesus (Mt 11:6; 13:57; 26:31, 33). Aplicação: devemos constranger as pessoas pelo sentido de nossas palavras e suas implicações.
2. Obstáculo à comunicação e entendimento da Salvação: são ofensa evitáveis e prejudiciais para o evangelho. “Ai do mundo por causa dos escândalos... ai do homem por qual vem o escândalo” Mt 18:7 e Lc 17:1. Aqueles que ofendem os pequeninos que creem em Jesus (Mt 18:6). Temos que ter cuidado quanto a nossa própria conduta, olhares e palavras. Temos que ter cuidado com uma doutrina falsa ou uma teologia incompreensível. Aplicação: não devemos constranger as pessoas pela forma como falamos e pelo código que usamos.


COMO APRESENTAR O EVANGELHO DE FORMA RELEVANTE EM DIFERENTES CULTURAS.

1. O DESAFIO DA COMUNICAÇÃO CLARA: SERÁ PREGADO.
Para ser relevante uma comunicação precisa ser clara, compreensível.
Kerusso: verbo κηρυσσω kerusso - 1) ser um arauto, oficiar como um arauto, pregar, tornar conhecido, proclamar em voz alta; kerys (subs. Arauto), kerigma (mensagem, proclamação).

Kerusso (verbo pregar): um súdito do rei que proclama a mensagem do Rei; No mundo antigo – sem as conferências de impressa e a mídia moderna – um rei enviava arautos, representantes oficiais, que publicamente proclamavam seus feitos ou decretos.
O kerys no período de Homero se referiam aos acompanhantes de um príncipe que cumprem deveres a altura do papel de oficiais superiores. Ele cuidava do bem estar pessoal do príncipe e de seus hóspedes. Era visto como um secretário superior e cabia a ele a palavra de autoridade para informar ou convidar os hóspedes do rei.
O kerys no período da pólis, se multiplicou em vários tipos de arautos. Haviam os arautos da cidade, arautos do concílio, dos arcontes, dos tribunais e até mesmo os arautos dos deuses.
Os arautos precisavam ser homens livres e precisavam suportar o desprezo de muitos por eles. Mas a função do arauto era extremamente importante na sociedade.
Como porta-vozes de autoridades, precisavam ter a qualidade de uma voz alta e clara.
Eram os arautos que conclamavam os soldados para a batalha e os cidadãos titulares a assembleia – igreja – eklesia).
O Novo Testamento usa este verbo para enfatizar que o pregador não deve anunciar sua própria mensagem. Ele fala como porta-voz de Outrem. A ênfase desta palavra está na transmissão exata, fiel e clara da mensagem.
• "Cristo está falando através de mim” (2 Coríntios 13:3).

Kerusso é comunicação inteligível. Os súditos entendiam as palavras lidas.
Kerusso é Comunicação Contextualizada. Os súditos compreendiam as palavras lidas.
Aqui entra o tema contextualização! Colocar no contexto!

A CONTEXTUALIZAÇÃO DA TRINDADE: Deus sendo Deus, estando acima do tempo, do espaço e da matéria se insere nela trinitariamente.
Deus Filho se encarna, assume a forma humana.
Deus Pai se comunica com a linguagem humana e ensina com elementos terrenos.
Deus Espírito se instala em corpos e mentes humanas, tocando as emoções com seu consolo, tocando a mente com seu convencimento do pecado, justiça e juízo.

A CONTEXTUALIZAÇÃO DA IGREJA: Contextualização tema desde o começo da igreja
Atos 6 – primeira resolução da instituição dos diáconos é sobre contextualização.
Atos 15 – primeiro concílio trata de contextualização.
A questão toda: ser cristão no contexto judaico e ser cristão no contexto gentílico.
A razão do primeiro concílio da Igreja Cristã em Jerusalém girava em torno da identidade do cristão. Ser um seguidor de Cristo é ser um judeu ou praticante do judaísmo? Ser um seguidor de Cristo é ser alguém que não come carne de porco, que é circuncidado e visita o Templo em Jerusalém? A visão que Deus dá a Pedro, o discernimento que Ele dá ao multicultural apóstolo Paulo e o parecer de Tiago, caminham em direção a uma reinterpretação do que é ser cristão. Pedro apresenta o parecer do Concílio:
“Deus, que conhece os corações, demonstrou que os aceitou, dando-lhes o Espírito Santo, como antes nos tinha concedido. Ele não fez distinção alguma entre nós e eles, visto que purificou os seus corações pela fé. Então, por que agora vocês estão querendo tentar a Deus, impondo sobre os discípulos um jugo que nem nós nem nossos a antepassados conseguimos suportar? De modo nenhum! Cremos que somos salvos pela graça de nosso Senhor Jesus, assim como eles também" (Atos 15:8-11).
A liderança da Igreja na época enviou esta resolução para as igrejas formadas entre os gentios trazendo o efeito necessário: “Quando a leram sobremaneira se alegraram pelo conforto recebido” (Atos 15:31). A percepção da igreja primitiva promoveu conforto e alívio aos cristãos, quando separou o que era temporal, a cultura judaica do que era eterno, a ação do Espírito.

CONTEXTUALIZAÇÃO E CULTURA:
Contextualização é a adaptação necessária à cultura de um povo. Tim Keller
A contextualização sadia entende a cultura de uma forma mais ampla e profunda.
Popularmente cultura é restrito a música, pintura, arte, alimento, linguagem e costumes.
Entendido corretamente cultura abrange cada aspecto de nossa vida neste mundo.
A cultura de um povo seria como um mapa mental do seu mundo físico, como também, um mapa de valores que determinam seu comportamento e suas decisões. Paul Hiebert

A Contextualização do Evangelho precisa considerar todos estes aspectos.
Não significa apenas modificar o comportamento das pessoas, mas também a cosmovisão delas. Não significa adaptação superficial – como a música ou à roupa, por exemplo. A Cultura afeta cada aspecto da vida humana.
A Contextualização saudável guia o homem de uma visão de mundo antroporeferente para uma visão de mundo teorreferente (Expressão usada por Davi Charles e Fabiano – CPAJ).
Ou seja uma mudança na raiz, na cosmovisão que consequentemente afetará as folhas!
Exemplo do Pr. Davi Merck sobre filhos como macieiras que produzem bons frutos.

A contextualização sadia na comunicação do evangelho trabalha a ressignificação dos símbolos. Como a Cruz De Cristo por exemplo.
Henry R. Van Til em seu livro “O conceito calvinista de Cultura” expõe a cultura verdadeiramente cristã centralizada em Cristo e direcionada por Ele. Ele afirma que após a deformação da cultura e da sociedade pela queda, somente em Cristo, o ser humano poderá encontrar uma base sobre a qual poderá reconstruir a cultura ao seu redor.
Van Til afirma que, embora o cristão esteja no mundo mas não seja do mundo, isso não pode significar que ele não deve se envolver com a cultura de modo geral.
Henry Van Til traça uma linha histórica que parte de Agostinho de Hipona, passando por João Calvino, Abraham Kuyper, culminando em Klaas Schilder (Pastor na Holanda e Professor e Teólogo, resistiu ao nazismo). Van Til cita o trabalho de Agostinho em prol de uma transformação cultural, envolvendo-se e dialogando com ela “redentivamente”. Ele cita, também, João Calvino, destacando o quanto ele dialogou com a cultura, envolveu-se com ela, elogiou-a, e defendeu uma reforma na vida integral do cristão, o que envolve a cultura. Ao abordar Abraham Kuyper, Van Til trata da graça comum, de como Deus age em provisão sobre o mundo caído, derramando dons inclusive àqueles que não o glorificam com os mesmos. Por fim ele encerra seu pensamento com Klass Schilder, pois este vai apresentar Cristo como a única chave para a transformação na forma como os cristãos (e o mundo) se relacionam com a cultura. Schilder vai desenvolver a doutrina da graça comum (Kuyper) naquilo que chamou de doutrina do mandado comum, ou seja, do mandado cultural do paraíso como um serviço dado por Deus que devemos prestar, pela graça.
Abrahan Kuyper afirmou: “Não há um único centímetro quadrado em todos os domínios da existência humana sobre o qual Cristo, que é soberano sobre tudo, não clame: é meu!”
“Contextualização não é simplesmente a aplicação prática de uma doutrina bíblica, mas a tradução dessa doutrina em uma forma de conceituação que se entrosa com a realidade das estruturas sociais e dos padrões dominantes da vida em nossa sociedade contemporânea” David Wells.
A habilidade de contextualizar é um dos segredos do ministério eficaz hoje.


2. O DESAFIO DA COMUNICAÇÃO FIEL: EVANGELHO DO REINO DE DEUS.
Para ser relevante uma comunicação precisa comunicar algo real e verdadeiro.
2098 ευαγγελιον euaggelion - boas novas. Mt 6:33 (busquem em 1 lugar o meu reino)
Evangelizo: um mensageiro que traz boas notícias do Rei; (anjo) Esta é a palavra da qual obtivemos a nossa palavra “evangelizar”. O verbo grego significa “trazer boas notícias” ou “anunciar boas-novas”. A expressão “anunciar o evangelho” é uma tradução do verbo euangelizo.

- o que é o evangelho do reino (basileia); o reino de Deus tema em Mateus.
- não são boas notícias do reino judaico apontando a libertação do Império Romano, são as boas notícias do Reino de Deus estabelecido em Cristo para libertação da condenação eterna.

Breve Histórico do termo Contextualização em Missões.
Os primeiros missionários plantaram igrejas em culturas estrangeiras mantendo o controle sobre elas indefinidamente, usando os cristãos nativos apenas no papel de assistentes. Eles levavam os cristãos nativos a adotar os modos ocidentais por atacado.
O movimento de igrejas autóctones, identificado com Henry Venn e Rufus Anderson, levavam os missionários ocidentais para plantar em novas culturas igrejas “autossustentáveis, autogovernáveis e autopropagáveis”. Eles porem convocam os missionários a serem trabalhadores temporários, cuja tarefa era realizar o evangelismo inicial e depois, o mais rápido possível, entregar as igrejas aos líderes nacionais e regionais para que as igrejas cristãs cultuassem e ministrassem na língua, na música e na cultura locais.
Shoki Coe (teólogo chinês, Conselho Mundial de Igrejas e diretor da Faculdade Teológica de Taiwan), argumentou que era necessário algo mais do que apenas capacitar líderes nacionais.
Coe observou que os cristãos nacionais não estavam sendo incentivados a pensar criativamente sobre como comunicar a mensagem do evangelho à sua própria cultura.
O problema é que a intenção original de Coe de permitir que as igrejas autóctones fizessem uma reflexão teológica sem a imposição de influências extrabíblicas da filosofia ocidental não aconteceu. Pelo contrário, a pressuposto desta libertação, o Fundo de Educação Teológica do Conselho Mundial de Igrejas foi o primeiro a usar o termo contextualização, eles procuraram se libertar da cultura ocidental antiga e mais conservadora dos missionários do século 19, mas mantiveram a cultura ocidental liberal do ambiente acadêmico do século XX. Resultado, novamente uma superadaptação da fé cristã a cultura do missionário. Adotaram o ceticismo iluminista europeu em relação ao miraculoso e sobrenatural nas bases de pensadores como os teólogos do existencialismo como Rudolf Bultmann e Ernst Kasemann.
Soren Kierkegaard, William James, Rudolf Bultmann = Liberalismo Teológico
“Não há verdade dogmática, supracultural e cosmicamente aplicável. A verdade é individual e como tal deve ser compreendida e aplicada de acordo com o molde receptor.”

Os equívocos na relação da igreja com o evangelho e a cultura.
Mark Driscoll, adaptando o missiólogo anglicano Leslie Newbigin, aborda os equívocos da igreja cristã atual na falta de discernimento para com suas relações como evangelho e com a cultura.
1. Cultura mais a Igreja, mas sem o Evangelho: Liberalismo.
2. Igreja mais Evangelho, mas sem a Cultura: Fundamentalismo.
3. Evangelho mais Cultura, mas sem igreja: Organização Para-Eclesiástica, Sincretismo.

A inevitabilidade da Contextualização:
1. Não existe uma apresentação do Evangelho isenta de Cultura.
O fato de termos de exprimir uma verdade universal em determinado contexto cultural não significa que esta verdade universal se tornou menos universal. Se não considerarmos isto, corremos o risco de acharmos que existe só uma forma de comunica-lo e estaremos a caminho de um conservadorismo rígido e culturalmente atado. Carson.

2. Existe apenas um único Evangelho.
D. A. Carson: “Embora nenhuma verdade que os seres humanos articulem possa jamais ser articulada de modo que transcenda a cultura (...) isso não significa que a verdade assim articulada não transcenda a cultura”.
Mas embora não exista uma maneira cultural transcendente de expressar as verdades do evangelho, existe, porém, apenas um evangelho verdadeiro. Se nos esquecermos disto podemos cair no relativismo, que resultará em liberdade sem rumo.

“Contextualizar não é dizer as pessoas o que elas querem ouvir, mas oferecer as pessoas respostas bíblicas que elas talvez não queiram ouvir de forma nenhuma às perguntas sobre a vida que estão fazendo, na época e no lugar em que se encontram, numa linguagem e em formas que compreendam e por meio de apelos e argumentos com uma força que elas sejam capazes de sentir, ainda que, no fim de tudo, os rejeitem”. Tim keller

Pregue o Evangelho Puro e Simples. Ele tem a má notícia e a boa notícia!


3. O DESAFIO DA COMUNICAÇÃO PESSOAL: POR TODO O MUNDO HABITADO.
Para ser relevante uma comunicação precisa ser pessoal, olho no olho.
Mundo: oikomenem (mundo conhecido, terra habitada, delimitação demográfica e não geográfica).

Deus não terceiriza a comunicação do Evangelho. Nós também não devemos.
Ele o revela, Jesus o encarna e o Espírito ensina.
Por todo o mundo habitado! Cada coração sem Cristo!
O Chamado não é geográfico mas é demográfico, onde estão as pessoas!
O Cristão ou é um missionário ou é um impostor! Spurgeon

Mudando o meu olhar sobre o alcance do campo missionário.
- Participo do projeto Férias para Jesus desde 1998 ainda antes de ir ao SETECEB como membro da ICE Maracanã.
- Em Junho do último ano realizamos o Projeto Copa para Jesus em 8 das 12 cidades sede da Copa. Fui pensando que o meu tempo neste trabalho e que meu envolvimento com ele estava chegando ao fim, afinal, estava cansado e com a sensação de ter feito muito.
- Estava no Rio coordenando os trabalhos e em um dos dias subi o Morro do Boréu com um grupo para evangelizarmos. Lá conhecemos a creche, o ambulatório, a Escola de Música da Missão Jocum. Conheci alguns dos líderes e pude ver de perto seu comprometimento.
- Alguns estão lá a 20 anos. Com faculdade, família e filhos, abriram mão de tudo para estarem alí servindo ao Senhor, morando na favela num dos lugares mais perigosos do Rio e do Brasil até a alguns anos atrás. A verdade é que estamos fazendo pouco, muito pouco.
- A obra do Senhor não é feita pelos melhores mas é feita pelos obedientes.

Tema da minha tese: Os membros das igrejas locais estão se omitindo no evangelismo pessoal na medida em que seus pastores estão se acomodando no evangelismo institucional e não se envolvendo no evangelismo pessoal.


4. O DESAFIO DA COMUNICAÇÃO AUTÊNTICA: TESTEMUNHO (MARTÍRIO)
Para ser relevante uma comunicação precisa ser sincera e verdadeira para o comunicador.
3142 μαρτυριον marturion - 1) testemunha - 1a) num sentido legal - 1b) num sentido histórico - 1b1) alguém que presencia algo, p. ex., uma contenda - 1c) num sentido ético
Martureo: testemunha os fatos e acontecimentos do que o Rei fez por nós; Este verbo significa “dar testemunho dos fatos”.

A Autenticidade do Evangelho vem com a conexão sincera e verdadeira da história de Cristo com a nossa história e com a história dos outros.
Muitos cristãos se tornam ateus praticantes. Teóricos da fé. Discursos vazios.
Como o cristianismo pode ser relevante na cultura atual. Tim Keller.
1º. Quando somos Sal e Luz. Cristãos que por seu comportamento semelhante a Cristo chamam a atenção dos incrédulos e os levem a glorificar a Deus. Mat 5 e 1 Pe 2. Então se vivermos conforme a vontade de Deus isto já tem seu impacto;
2º. Quando discipulamos as pessoas. Levando pessoas comuns com profissões comuns a viverem sob a cosmovisão bíblica. E estas vidas expostas no dia a dia sob uma direção bíblica causara impacto. Assim através de cristãos individualmente um grande impacto pode ser feito, e não na confrontação de dizer como a cultura deve ser.

“Contextualização Ativa envolve um processo de três partes: entrar na cultura, desafiar a cultura e depois apelas aos ouvintes.
“Se estamos profundamente envolvidos com a vida, as dúvidas e as preocupações das pessoas, quando estudamos a Bíblia para pregar a elas obteremos as respostas de Deus às suas perguntas”. Keller.
Exemplos: William Willberfoce, Martir Luther King, Abraham Kuyper, C.S. Lewis, Bonhoeffer.


5. O DESAFIO DA COMUNICAÇÃO MULTICULTURAL: A TODAS AS NAÇÕES (ETNIAS)
Para ser relevante uma comunicação precisa ser comunicada a todos que precisam ouvi-la.
1484 εθνος ethnos 1) multidão (seja de homens ou de animais) associados ou vivendo em conjunto - 1a) companhia, tropa, multidão - 2) multidão de indivíduos da mesma natureza ou gênero
2a) a família humana - 3) tribo, nação, grupo de pessoas

As diferenças culturais e a comunicação do Evangelho: Paul Hiebert
Temos o desafio de como vasos humanos levarmos uma mensagem divina
O Evangelho é a lente pela qual devemos enxergar o mundo. Mas como garantir que esta lente não está contaminada com a lente humana do contexto cultural? Paul Hiebert faz este questionamento: “Mas o que nos impede de interpretar a Escritura do nosso próprio ponto de vista cultural, e assim impor muitas de nossas próprias normas culturais sobre as outras pessoas?” Segundo Hiebert:
Primeiro, nós precisamos reconhecer que trazemos nossos preconceitos culturais conosco quando interpretamos as Escrituras. Então, precisamos deixar o evangelho fazer o seu trabalho na vida dos novos cristãos e reconhecer que o mesmo Espírito Santo que nos conduz trabalha neles. Precisamos permitir-lhes o direito de errar e aprender com seus erros.
Em segundo lugar, precisamos estudar tanto a cultura em que ministramos e a nossa própria, a fim de comparar e avaliar as duas. O processo genuíno de buscar compreender uma outra cultura quebra nossos preconceitos culturais e permite-nos a apreciar o lado bom das outras culturas.
Hiebert destaca que o diálogo entre nós e os nossos colegas nativos é importante na construção de pontes de compreensão cultural. O Diálogo com os cristãos de outras culturas ajuda a nos manter longe do legalismo de impor crenças estrangeiras e normas em uma sociedade sem levar em conta as suas situações específicas. Também ajuda a impedir-nos de um relativismo que nega a verdade e reduz a ética à norma culta.
Paul Hiebert afirma que as diferenças culturais afetam a mensagem de várias maneiras, por isto os métodos de evangelização precisam se encaixar na cultura em que se está evangelizando para serem bem entendidos. Ele cita o Sr. Murthi, um evangelista que afirmou “não nos traga o evangelho com uma planta em um vaso. Traga-nos a semente do evangelho para plantarmos em nosso solo”

Uma Igreja Missional = Uma Igreja Missionária. Tim Keller.
Uma Igreja Missional tem um grande respeito aos que não crêem. Ela entende o que significa não crer. Entende os traumas que as pessoas tem com a igreja, suas indagações quanto ao sofrimento, a hipocrisia. Ao entender isto a pregação e as conversas que acontecem nos grupos pequenos levam não cristãos a estarem ali.
1º. Porque os cristãos missionais não ficam ofendidos sobre todos os ataques a não cristãos, sobre afirmações feitas ao homossexualismo, ou sobre outras religiões;
2º. Porque os cristãos missionais não os deixam totalmente confusos porque ao invés de usarmos jargões subculturais evangélicos, sempre estamos em nossas conversas, desde a educação, culto ou a pregação, conectando o evangelho as narrativas, problemas as aspirações culturais cotidianas. Quando um não cristão chega e percebe que vivemos no mesmo mundo, lemos a mesma revista, lidamos com a mesmas questões na sociedade, eles percebem que nós estamos realmente sendo cristãos no mesmo mundo em que eles vivem.
Existem muitas igrejas evangélicas que os descrentes ao entrarem não entendem o jargão evangélico ali. Eles percebem uma enorme mentalidade eles/nós. Nós bons e eles maus. As coisas que discutem e se preocupam na igreja pouco tem haver com a que os descrentes se preocupam. Os crentes não se preocupam com o bem comum, com questões da comunidade. Não há a mesma preocupação. Eles se preocupam com sua tribo. Assim, quando um não cristão entra na igreja, estranha, se sente confuso, ofendido, ignorado e sai.


6. O DESAFIO DA COMUNICAÇÃO URGENTE: ENTÃO VIRÁ O FIM (TELOS)
Para ser relevante uma comunicação precisa ser comunicada a tempo.
5056 τελος telos - 1) fim - 1a) término, o limite no qual algo deixa de ser (sempre do fim de um ato ou estado, mas não do fim de um período de tempo)
1c) aquilo pelo qual algo é terminado, seu fim, resultado
1d) o fim ao qual todas as coisas se relacionam, propósito

“fim” como uma meta, um objetivo, uma finalidade e não como uma tragédia e muito menos como fim do mundo. Telos, seu sentido é “meta”, “conclusão”, “objetivo”, “realização” e não tem nada a ver com “fim do mundo”. Portanto, com a frase ... e então virá o fim o evangelista quer dizer que então, quando o Evangelho, a mensagem de Cristo, for anunciada em todo o mundo a missão está concluída, se realizou o objetivo, a missão está cumprida”. Luiz da Rosa (abiblia.org).

Mateus 25:14-31. Jesus preparava os seus discípulos para os seus ministérios nesta terra depois de sua partida. Jesus acabara de falar sobre os últimos tempos (Mt 24), a lição que temos é a: de que sabendo o que nos espera devemos nos preparar para isto.

• Jesus conta a parábola das 10 virgens para ilustrar a vigilância.
• Jesus conta a parábola dos talentos para ilustrar o serviço.
• Jesus fala das ovelhas e os cabritos para ilustrar o amor.
• Responsabilidade de vigiar. Mc 14:38 “Vigiai e orai, para que não entreis em tentação; o espírito, na verdade, está pronto, mas a carne é fraca”.
• Reponsabilidade de trabalhar. Jo 9:4 “necessário que façamos as obras daquele que me enviou, enquanto é dia; a noite vem, quando ninguém pode trabalhar”
• Responsabilidade de amar. Pedro tu me amas? Apascenta o meu rebanho. Joao 21.

Tiago Leite

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