sexta-feira, 20 de novembro de 2015

A Profundidade

Paulo afirma em Romanos 11:33: “Ó profundidade (ō bathos foi a expressão original grega) da riqueza, tanto da sabedoria como do conhecimento de Deus”. O apóstolo Paulo viveu no primeiro século. Ele conheceu a filosofia grega e sua busca por uma realidade transcendente. Ele foi introduzido ao direito romano com o seu senso de unidade da humanidade sob uma lei universal, a Pax Romana. Ele experimentou a ansiosa esperança judaica pela vinda de um Messias. Mas concluiu que tudo isto era insuficiente.

O que os homens de seu tempo puderam lhe oferecer não se equiparou com o mistério da redenção em Cristo que lhe foi revelado. Em sua carta aos cristãos de Roma, Paulo vai gradativamente descrevendo o evangelho. Deus criou o mundo todo com seu poder e por isto merece receber todo o crédito. Deus sustenta todas as coisas por sua vontade e merece receber toda a glória por isto. Deus é eternamente superior a tudo o que criou e por isto merece receber toda a adoração. Mas o homem decidiu duvidar da bondade de Deus e se afastou rebeldemente dele com seus pecados. Totalmente incapaz de voltar a estar perto do Deus que rejeitou, o homem nada pode fazer. Deus foi bom e veio ao encontro do homem pecador, disposto a perdoa-lo e a reconcilia-lo consigo através do seu próprio filho Jesus. Este se entregou pelos pecados dos homens provendo um meio de salvação. Através da fé em Cristo, todo homem pecador pode ser salvo. O homem não pode mudar sua situação de afastamento de Deus e seu destino de morte com a sabedoria grega, com o direito romano ou com as leis judaicas. Somente pela simplicidade humilhante da fé em Cristo, o Cristo crucificado e ressurreto, o homem pode ser salvo. Informação simples, acontecimentos extraordinários.

Paulo conheceu a riqueza, a sabedoria e o conhecimento de sua época. Mas ao conhecer o evangelho de Cristo, percebeu que nada poderia se equipar a isto. Ele percebeu que se tratava de um outro nível, uma outra dimensão de compreensão de tudo. Charles Swindoll traduz muito bem este sentimento: “Não há nada como a profundidade para nos tornar insatisfeitos com as coisas superficiais, rasas. Uma vez que tenhamos cavado abaixo da superfície, e experimentado as maravilhas e os mistérios que há na profundidade, percebemos o valor de investirmos o tempo necessário e enfrentarmos todo obstáculo para alcançarmos essas profundezas.”

A mente de Paulo foi cativada por esta revelação impressionante, de algo maravilhoso por ser dado de graça aos homens e, ao mesmo tempo, tão trágico por ser rejeitado por eles. Paulo entendeu que o mundo pode oferecer riqueza, sabedoria e conhecimento, mas Deus tem uma riqueza, uma sabedoria e um conhecimento muito mais profundos. Não é preciso rejeitar as riquezas, o conhecimento e a sabedoria deste mundo, afinal o mundo é de Deus e sempre será. Mas, crer em Cristo é mergulhar muito mais fundo, é experimentar a profundidade. Eu, de joelhos, creio.

Tiago Leite

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