Diante de tantas manifestações na porta de estádios, marchas gospel e protestos evangélicos na esplanada, fica a pergunta: O cristão que não se envolver nestes protestos estará se omitindo do papel de melhorar a sociedade?
O cristão omisso e acomodado com as injustiças sociais é aquele que não se envolve com manifestações violentas, xingamentos, gestos obscenos, corre-corre, gás lacrimogênio e tiros de borracha, enfrentamento com a polícia, pichamento de prédios públicos e privados, destruição de patrimônio, impedimento de vias públicas?
Ou os cristãos omissos são aqueles que não dominam o seu espírito, rebeldes contra os pais, contra professores e contra qualquer autoridade? Muitos são meninos e meninas que saem de casa batendo a porta, deixando os pais em lágrimas, corruptos no caráter, nas palavras e nas atitudes. Entendem-se como as únicas vozes não omissas no meio de um bando de brasileiros alienados e conformados. São empolgados com a adrenalina da batalha nas ruas, se sentem com soldados lutando pela libertação de nosso país, mas totalmente omissos à luta interna de dominar o seu espírito.
O cristão omisso e acomodado com as injustiças sociais é aquele que não se envolve em marchas públicas contra leis antibíblicas? O cristão precisa seguir os que se dizem representantes dos evangélicos mas que não dominam a língua e nem a amabilidade para com qualquer pessoa independente da inclinação sexual? Milhionários da fé que não dominam a ganãncia e a soberba. Muitos cabeças destas marchas e protestos elegem algumas causas convenientes, mas vivem no luxo de suas próprias ambições. Vocês querem fazer parte dos seus rebanhos, querem se associar com eles? Ou o cristão não omisso seria aquele que no dia a dia privado e público se posiciona com amor, humildade, sabedoria e amabilidade?
Como um cristão transforma a sua sociedade? Como os discípulos de Cristo influenciaram o mundo diante do império Romano e da oposição judaica?
O confronto fora de um Estádio e a vaia a um presidente da república dentro de um Estádio, são a melhor forma de mudar a sociedade, de denunciar a injustiça? Confesso que fiquei com vergonha das duas atitudes. Não vejo exemplos semelhantes na Bíblia. Não vejo estas atitudes no povo de Deus para com as suas autoridades. O que vejo? Conveniência. É mais fácil pintar a cara e desenhar um cartaz do que mudar gradualmente uma realidade por posicionamentos constantes e consistentes em todos os fóruns devidos. É mais fácil usar a boca para vaiar alguns segundos e denegrir uma autoridade. Será que vaiar a presidente que elegemos democraticamente estando sentados em um banquinho novo e confortável do Estádio Nacional é realmente se posicionar contra injustiças no Brasil? Será que não seria mais eficiente, autêntico e convicente usar a sua vida gradualmente e perseverantemente para lutar e mudar a sociedade com exemplo, respeito e posicionamentos nos fóruns devidos?
Os bem-aventurados por serem perseguidos por causa da justiça tinham que tipo de caráter? Lendo Mateus 5 vemos que eram humildes, pacificadores, misericordiosos, limpos de coração, choravam por seus pecados e entendiam que para serem luz do mundo e sal da terra precisavam mostrar mais do que faixas e palanques, precisavam mostrar caráter.
Como Jesus tratou Herodes, Pilatos e outras autoridades opressoras? Como Paulo se refere às autoridades que o oprimiam e perseguiam? Quais são os pronomes de tratamento de Paulo para com Festo, César, Agripa e outras autoridades?
Amigos, também compartilho da causa pela justiça e pela boa gestão pública. Compartilho também da causa pela liberdade de expressão bíblica e pela defesa da família. Compartilho de manifestações pacíficas e respeitosas, manifestações de cristãos justos nas palavras e atitudes.
Mas, não compartilho das manifestações como a do último sábado em Brasília no Estádio Nacional. Não compartilho da passeata evangélica na esplanada. Não compartilho muitas marchas do povo gospel. Estive recentemente na Casa Rosada em Buenos Aires onde vi muitos protestos argentinos. Não compartilho disto também. Fico pensando que se os milhares de evangélicos brasilienses que aparecem nestes eventos fossem cristãos incorruptíveis, teríamos uma capital com menos divórcio, violência, sonegação de impostos, crimes e corrupção, mas o sal está perdendo a salinidade e a luz está perdendo a luminosidade.
Eu estava, sábado passado, no Estádio Nacional no Jogo de Abertura da Copa das Confederações para falar do amor de Deus junto com outros irmãos. Distribuímos uma mensagem de esperança para torcedores, policiais, funcionários e manifestantes.
Ver de perto as manifestações só reforçou esta convicção de que estes protestos e aglomerados contem mais erros do que acertos.
Algumas razões para um cristão não se envolver com muitas manifestações:
1. Apesar de terem algumas causas justas, você se mistura com gente que te usa para fortalecer outras causas que não são justas e aprovadas por Deus. Tem muita gente se promovendo as suas custas. Saiba quais causas representa e saiba quais pessoas está seguindo;
2. A Bíblia é contra a violência e a linguagem que não edifica. Vi de perto a violência dos manifestantes com atitudes e palavras contra policiais, civis e autoridades. A raiva e o ódio a pessoas não condiz com um cristão;
3. A principal forma dos cristãos mudarem uma sociedade injusta começa com a batalha interna contra a corrupção do nosso próprio coração. Se tivermos cristãos de caráter para com a sua família, para com os seus colegas de trabalho, para com o governo, as coisas podem começar a mudar. Se tivermos cristãos de caráter ocupando cargos públicos e privados as coisas podem começar a mudar. Se tivermos cristãos em postos do governo dando um bom testemunho de Cristo as coisas podem começar a mudar. Homens como José no Egito, Daniel na Babilônia, Lutero na Alemanha, John Knox na Escócia, Calvino em Genebra, William Willberforce na Inglaterra, Abraham Kuyper na Holanda e muitos outros tem muito a nos ensinar sobre como podemos lutar pela justiça.
As grandes injustiças que ocorreram no reinado de Salomão não se deveram a opressão política ou guerras armadas. As grandes injustiças do seu reino existiram pela derrota de caráter, pela depravação das atitudes. Salomão conclui: “Melhor é o longânimo do que o herói da guerra, e o que domina o seu espírito, do que o que toma uma cidade” Provérbios 16:32.
Amigos cristãos, se não querem ser omissos para com as injustiças sociais ou leis antibíblicas sugiro uma boa forma de começar a lutar por esta causa: procurem se tornar pessoas justas, imitem o Justo, Jesus Cristo. Se não começar por aí, nossos protestos não passarão de paus, pedras, palavrões ou apenas marchas, palanques e entrevistas acaloradas. Lutemos pela justiça, sejamos soldados justos com as armas da luz e com os frutos do Espírito.
Sugestão de leitura sobre o tema: http://tempora-mores.blogspot.com.br/2013/06/apontamentos-sobre-os-tumultos-e.html?utm_source=feedburner&utm_medium=email&utm_campaign=Feed:+blogspot/wFUcB+(O+Tempora,+O+Mores)
Abraço!
Tiago Leite
Discordo veemente de você! Como cristã, eu não posso me calar diante dos ditames de um governo que é omisso com seu povo e o trata de forma rude e desrespeitosa! SE fosse assim como vc diz, Cristo jamais deveria ter entrado no templo num ato de fúria contra o erro! Martin Luterking Jr jamais teria empunhado a luta contra o racismo e Lutero não poderia ter protestado! Eles protestaram, e como protestante, vou protestar!
ResponderExcluirBoa tarde Lucyana tem todo o direito de discordar viu, eu te respeito. Peço que leia meu próximo post,onde coincidentemente falo sobre isto. Entendo que o que Jesus fez e o que Lutherking fez uma oposição cristã, reflitamos juntos, sou protestante como você. Abraço, no amor de Cristo!
ResponderExcluirOlá Tiago,a mensagem que compreendi em seu post é que devemo nos transformar por dentro primeiro,estou errada?Concordo em partes com você,quando diz que um cristão transformado pode muito. Quando nos deixamos ser massa de manobra e seguimos a multidão sem refletir também concordo,mas sinceramente creio que temos que bradar em alta voz e denunciar,participar,mas não só na passeata, todo o tempo de nossas vidas temos que nos posicionar ao lado do que sofre.
ResponderExcluirAbraços
Clara
http://claradiscipulos.blogspot.com.br/2013/06/os-jovens-nas-ruas-o-pingo-dagua.html?showComment=1372077724434#c8296927559828568075
Olá Clara, obrigado por sua participação.
ResponderExcluirTenho mais dois posts sobre o assunto que podem esclarecer um pouco mais meu ponto de vista. Vejo que o preço do passe, o custo do estádio, etc, são como uma febre. Devemos combate-la, tomar antitérmicos, etc. Mas vejo o pecado no homem como a infecção que provoca a febre. Se tratarmos só a febre, ela passa um pouco e depois volta. A corrupção no Brasil, só será eficientemente combatida quando o pecado for combatido nos brasileiros. Não creio que a Dilma ou a FIFA seja mais corrupta do que a maioria dos que estão nas ruas. Ela e a FIFA só tiveram mais poder nas mãos. Minha ênfase é que protestar contra a corrupção é bom, mas é pouco, superficial e passageiro. Precisamos fazer mais do que isto, mais do que algumas horas nas ruas, precisamos de uma marcha diária e constante até a volta de Cristo. Será que a cidadania não se prova no dia a dia e o cristão que luta pela justiça não se prova no dia a dia. Temo que quando as marchas acabarem, já vem diminuindo, a omissão dos cidadãos continue e a dos cristãos também. Por enquanto vou fazer três coisas: 1. Vou orar, a arma mais poderosa, pois temos um Deus soberano sobre qualquer autoridade "evangélica" ou não. 2. Vou trabalhar diariamente por um mundo melhor e mais cheio da justiça de Deus (o caráter de Cristo) 3. Vou
Abraço!