Faça sua escolha
Faça sua escolha. Veja as opções. Porque te incomoda a oração?
Quer escolher outra vida, vá e viva com sua opção.
Mas porque o que crê que alguém fez as flores te incomoda o coração?
Porque somente não cheira suas pétalas que pra você pelo acaso ali estão?
Porque criança chora com seu brinquedo, pelo brinquedo que está em outra mão?
Talvez porque desde bebês temos medo da nossa decisão.
Mas decidir é parte do que somos, querendo ou não.
Decidimos, decidimos, e decidimos em cada momento e estação.
Então faça sua escolha. Veja as opções. Porque te incomoda a oração?
Quer escolher outra vida, vá e viva com sua opção.
Mas porque o que crê que alguém fez as flores te incomoda o coração?
Porque somente não cheira suas pétalas que pra você pelo acaso ali estão?
Não há segurança que evite que se levante a questão.
Será que as decisões que tomamos de fato boas serão?
Como não temos o futuro no controle das nossas mãos,
Precisamos admitir que temos que crer nos efeitos que virão.
Então faça sua escolha. Veja as opções. Porque te incomoda a oração?
Quer escolher outra vida, vá e viva com sua opção.
Mas porque o que crê que alguém fez as flores te incomoda o coração?
Porque somente não cheira suas pétalas que pra você pelo acaso ali estão?
E, se depois de tudo, dependemos então da fé após a decisão,
Somos todos crentes, cremos em um futuro que foge de nossa visão.
Um mundo sem escolhas com fé, não existe esta cosmovisão.
Do mais cético ao mais crente, todos creem em sua opção.
Então, faça sua escolha, veja as opções. Porque te incomoda a oração?
Afinal, quer escolher outra vida, vá e viva com sua opção.
"Ó profundidade (ō bathos) da riqueza, da sabedoria e do conhecimento de Deus!" Romanos 11:33.
quinta-feira, 7 de maio de 2015
sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014
Ser O Que Diz
E Tão Simples E Tão Grande O Gesto De Dar
Que Demonstra Que Tens Algo Pra Compartilhar
Da No Peito Uma Maravilhosa Emoção
De Que Foi Deus Quem Te Deu Esta Missão
E A O Ver Com Grande Obra Produziu
A Semente Que Plantou No Coração
De Quem Recebeu Sua Contribuição
E No Peito Que Agora Goza Comunhão
E Tão Simples Simplesmente Obedecer
O Que Deus Te Pede Te Da Forças Pra Fazer
Olha O Tempo E Condição Que Ele Te Dá
Nas Suas Mãos Os Seus Talentos Que Ele Vai Cobrar
Deus Não Nutre Sua Vida Pra Engordar
Deus Não Te Enche De Bênçãos Pra Se Acomodar
Ouça Agora A Ordem Do Senhor Que Te Salvou
Para Ser Benção No Mundo Foi Que Deus Te Criou
Cada Um De Nos Neste Mundo E Um Semeador
E O Campo Missionário E Qualquer Coração Sem O Senhor
Erga Agora Os Seus Olhos E Comece A Agir
Pois Deus Esta Olhando Para Ti
Para Ver Se Sua Ordem Vai Cumprir
Para Ver Se Você Vai O Seguir
Para Ver Se Você Vai Ser O Que Diz
Tiago Gomes Leite
02/08/2002
12 anos atrás, isto já ardia, agora ainda mais, vamo que vamo!
Que Demonstra Que Tens Algo Pra Compartilhar
Da No Peito Uma Maravilhosa Emoção
De Que Foi Deus Quem Te Deu Esta Missão
E A O Ver Com Grande Obra Produziu
A Semente Que Plantou No Coração
De Quem Recebeu Sua Contribuição
E No Peito Que Agora Goza Comunhão
E Tão Simples Simplesmente Obedecer
O Que Deus Te Pede Te Da Forças Pra Fazer
Olha O Tempo E Condição Que Ele Te Dá
Nas Suas Mãos Os Seus Talentos Que Ele Vai Cobrar
Deus Não Nutre Sua Vida Pra Engordar
Deus Não Te Enche De Bênçãos Pra Se Acomodar
Ouça Agora A Ordem Do Senhor Que Te Salvou
Para Ser Benção No Mundo Foi Que Deus Te Criou
Cada Um De Nos Neste Mundo E Um Semeador
E O Campo Missionário E Qualquer Coração Sem O Senhor
Erga Agora Os Seus Olhos E Comece A Agir
Pois Deus Esta Olhando Para Ti
Para Ver Se Sua Ordem Vai Cumprir
Para Ver Se Você Vai O Seguir
Para Ver Se Você Vai Ser O Que Diz
Tiago Gomes Leite
02/08/2002
12 anos atrás, isto já ardia, agora ainda mais, vamo que vamo!
Como este pode ser o seu melhor ano até agora:
1. Antes de conseguir o melhor da sua vida, você precisa mudar a forma como a vive:
- alguns vivem uma vida de reação: vão vivendo conforme o contexto forçar, sem direção definida;
- outros vivem uma vida de conformidade:guiam sua vida flutuando na superficialidade da opinião dos outros; "gastam o que não tem, para comprar o que não precisam, para impressionar quem nem conhecem";
- ainda outros vivem uma vida de independência, na tentativa ingênua de serem diferentes do que nem sabem.
- mas vivam uma vida de intencionalidade, estruturem suas vidas, tirem do piloto automático. Não deixe a sua vida controlar você, controle a sua vida. Ações e atividades inteligentes e intencionais. E a melhor forma de viver uma vida de intencionalidade é buscando o auxílio de uma direção segura, de um técnico competente, de um mestre sábio, de um conselheiro vencedor, de Jesus Cristo, o co-autor da criação que se tornou um de nós.
"vivei acima de tudo por modo digno do evangelho de Cristo" Fp 1:27.
2. Você precisa entender a importância de fazer deste ano, o melhor até agora.
Porque o meu melhor ano até aqui não poderia ser 2008 ou 2010? Porque sua vida não é estática, mas em Cristo, é um contínuo processo de amadurecer, crescer, desenvolver. Então, se você está num processo de aperfeiçoamento, o momento em que vive agora, tem que ser a melhor versão de você até agora!
"esquecendo-me das coisas que para trás ficam e avançando para as que diante de mim estão, prossigo para o alvo" Fp 3:12-13.
3. Você precisa avaliar se será o melhor ano até aqui pelo parâmetro certo.
Este será o melhor ano da minha vida até aqui se for o melhor ano do que é mais importante na minha vida.
E o melhor parâmetro para medir o seu melhor ano é sua proximidade com Jesus. Ele eleva o padrão da sua vida, então: 1. Ande com o melhor - intimidade e relacionamento; 2. Siga as instruções do melhor - conhecimento e entendimento; 3. Realize o trabalho orientado pelo melhor - proposito e missão.
Invista em coisas e terá coisas por algum tempo, melhor, invista em pessoas e terá pessoas por algum tempo, mas se investir em Jesus, ganhará a vida eterna para desfrutar das melhores coisas que o Criador pode ter criado e dos melhores relacionamentos que poderia desenvolver.
"Mas o que para mim era lucro, isto considerei perda por causa de Cristo" Fp 3:7 .
4. Você precisa encarar esta meta de viver o seu melhor com seriedade.
Seu melhor ano precisa da meta de viver mais perto de Jesus. E grandes metas são atingidas por quem as encara com:
1) sinceridade: sua meta como uma verdade. tenha uma ligação sincera com esta meta.
2) animação: sua meta como uma realidade. imagem vale mais, temos a imagem de Cristo!!! uma meta visual, alcançável!
3) necessidade: sua meta como uma necessidade. o mundo precisa do que quero ser ou fazer! entusiasmo. valorizar os efeitos futuros!
4) dificuldade: sua meta como superação. veja como uma qualidade a dificuldade! significa valor, algo raro, algo extraordinário! desejo, ousadia, disposição!
"Porquanto, para mim, o viver é Cristo e o morrer é lucro"
5. Você vai colher com esta meta, alegria.
Sim seu melhor ano vai ser também o mais alegre.
A Alegria afetará sua fé: melhor.
A Alegria afetará sua visão do sofrimento: honra e utilidade.
A Alegria afetará seu ânimo: sempre avante.
A Alegria afetará seu contentamento: sempre contente.
A Alegria afetará sua ansiedade: troca pela paz!!
A Alegria afetará seus pensamentos: tudo o que é verdadeiro, puro, amável...
A Alegria afetará sua esperança: e o meu Deus há de suprir em Cristo cada uma de suas necessidades!
Fp 4:4: alegrai-vos sempre no Senhor!
- alguns vivem uma vida de reação: vão vivendo conforme o contexto forçar, sem direção definida;
- outros vivem uma vida de conformidade:guiam sua vida flutuando na superficialidade da opinião dos outros; "gastam o que não tem, para comprar o que não precisam, para impressionar quem nem conhecem";
- ainda outros vivem uma vida de independência, na tentativa ingênua de serem diferentes do que nem sabem.
- mas vivam uma vida de intencionalidade, estruturem suas vidas, tirem do piloto automático. Não deixe a sua vida controlar você, controle a sua vida. Ações e atividades inteligentes e intencionais. E a melhor forma de viver uma vida de intencionalidade é buscando o auxílio de uma direção segura, de um técnico competente, de um mestre sábio, de um conselheiro vencedor, de Jesus Cristo, o co-autor da criação que se tornou um de nós.
"vivei acima de tudo por modo digno do evangelho de Cristo" Fp 1:27.
2. Você precisa entender a importância de fazer deste ano, o melhor até agora.
Porque o meu melhor ano até aqui não poderia ser 2008 ou 2010? Porque sua vida não é estática, mas em Cristo, é um contínuo processo de amadurecer, crescer, desenvolver. Então, se você está num processo de aperfeiçoamento, o momento em que vive agora, tem que ser a melhor versão de você até agora!
"esquecendo-me das coisas que para trás ficam e avançando para as que diante de mim estão, prossigo para o alvo" Fp 3:12-13.
3. Você precisa avaliar se será o melhor ano até aqui pelo parâmetro certo.
Este será o melhor ano da minha vida até aqui se for o melhor ano do que é mais importante na minha vida.
E o melhor parâmetro para medir o seu melhor ano é sua proximidade com Jesus. Ele eleva o padrão da sua vida, então: 1. Ande com o melhor - intimidade e relacionamento; 2. Siga as instruções do melhor - conhecimento e entendimento; 3. Realize o trabalho orientado pelo melhor - proposito e missão.
Invista em coisas e terá coisas por algum tempo, melhor, invista em pessoas e terá pessoas por algum tempo, mas se investir em Jesus, ganhará a vida eterna para desfrutar das melhores coisas que o Criador pode ter criado e dos melhores relacionamentos que poderia desenvolver.
"Mas o que para mim era lucro, isto considerei perda por causa de Cristo" Fp 3:7 .
4. Você precisa encarar esta meta de viver o seu melhor com seriedade.
Seu melhor ano precisa da meta de viver mais perto de Jesus. E grandes metas são atingidas por quem as encara com:
1) sinceridade: sua meta como uma verdade. tenha uma ligação sincera com esta meta.
2) animação: sua meta como uma realidade. imagem vale mais, temos a imagem de Cristo!!! uma meta visual, alcançável!
3) necessidade: sua meta como uma necessidade. o mundo precisa do que quero ser ou fazer! entusiasmo. valorizar os efeitos futuros!
4) dificuldade: sua meta como superação. veja como uma qualidade a dificuldade! significa valor, algo raro, algo extraordinário! desejo, ousadia, disposição!
"Porquanto, para mim, o viver é Cristo e o morrer é lucro"
5. Você vai colher com esta meta, alegria.
Sim seu melhor ano vai ser também o mais alegre.
A Alegria afetará sua fé: melhor.
A Alegria afetará sua visão do sofrimento: honra e utilidade.
A Alegria afetará seu ânimo: sempre avante.
A Alegria afetará seu contentamento: sempre contente.
A Alegria afetará sua ansiedade: troca pela paz!!
A Alegria afetará seus pensamentos: tudo o que é verdadeiro, puro, amável...
A Alegria afetará sua esperança: e o meu Deus há de suprir em Cristo cada uma de suas necessidades!
Fp 4:4: alegrai-vos sempre no Senhor!
quinta-feira, 7 de novembro de 2013
De quem é a dívida e quem pagou?
Recentemente, Rodrigo Constantino escreveu um interessante artigo com o seguinte título: “Menino mata os pais? A culpa é do videogame, claro!”. Cito alguns trechos:
Há algum tempo atrás o filme de Mel Gibson, a "Paixão de Cristo" suscitou protestos por parte da comunidade judaica internacional. O estigma de culpados pela morte de Jesus incomoda os judeus há muito tempo e o filme de Gibson, de certa forma, enfatizou novamente a direta participação dos judeus na condenação e morte de Jesus Cristo no primeiro século. Entretanto, em uma breve análise panorâmica da soteriologia vétero testamentária percebemos que a morte de Jesus foi selada na história cronológica humana no episódio descrito em Gênesis capítulo três, quando o primeiro casal de humanos desobedeceu a Deus e comeu da árvore do conhecimento do bem e do mal. Ou seja, a quebra da lei moral de Deus no Éden e não apenas o beijo de Judas, as mãos lavadas de Pilatos e a injusta alforria de Barrabás selaram a morte de Jesus.
Em uma análise ainda mais profunda da morte de Cristo, o apóstolo Paulo menciona em Gálatas 1:4 que “Jesus se entregou a si mesmo pelos nossos pecados, para nos desarraigar deste mundo perverso, segundo a vontade de nosso Deus e Pai, a quem seja a glória pelos séculos dos séculos”. Assim, a morte de Jesus foi voluntária, mas também determinada e substitutiva. Paulo afirma que mediante esta morte substitutiva os cristãos da Galácia podiam ter “graça e paz da parte de Deus, nosso Pai e do nosso Senhor Jesus Cristo” (Gálatas 1:3). Os judeus cristãos espalhados pela Galácia, por exemplo, deviam entender que só podiam ter paz com Deus devido a graça do perdão dos pecados que Jesus proporcionou morrendo pelos pecadores na cruz e nunca deviam pensar que teriam paz com Deus pelo simples fato de pertencerem a linhagem abraâmica.
A forma como entendemos nossa salvação, como toda teologia, incide diretamente na maneira como vivemos. Diversos momentos na história da igreja reforçam esta tese. Dentre outros, podemos citar a teologia filosófica desenvolvida por Agostinho de Hipona no quarto século, em que ataca a concepção pelagiana da participação sinergista na salvação. Agostinho em livros como, a Cidade de Deus e Confissões, enfatiza a percepção paulina da incapacidade humana de contribuir para própria salvação, evocando a desesperada e humilhante admissão de que dependemos unicamente da ação de Deus para sermos redimidos. Os seres humanos dependem tanto da iniciativa de Deus para serem salvos, quanto para responderem ao chamado a Salvação. No século 16, os reformadores repetem a ênfase agostiniana e as confissões reformadas, principalmente, defendem o entendimento monergista de nossa salvação atribuindo a Deus e, somente a Deus, toda a glória de nossa salvação. Em contrapartida, outras correntes da reforma como os radicais anabatistas pregavam a participação humana na salvação, e a famosa diferença da teologia soteriológica de Calvino e a de Armínio. Semelhantemente, temos Jonathan Edwards e George Withifield no século 18, defendendo a suprema graça de Deus como única responsável pela salvação em contrapartida a defesa de John Wesley do mérito humano. Posteriormente, no segundo grande despertamento americano no século 19, Charles Finney e outros avivalistas, provocam um despertamento mais centrado no mérito humano do que na soberania divina.
Como C. S. Lewis afirmava, todos fazem teologia de uma forma ou de outra, e esta afeta diretamente nossa maneira de viver. Recentemente, no dia 02 de Novembro, milhões de brasileiros foram visitar parentes e amigos queridos, e o que parece apenas uma homenagem tradicional brasileira no feriado de Finados, na verdade está embuído de uma teologia popular de que a morte física ainda não será o fim da oportunidade de se “trabalhar” pela salvação. Consequentemente, dentre outras implicações, a mais latente é que Jesus torna-se desnecessário. Como bem enfatizou o grande pregador Charles Spurgeon, o entendimento radical de um livre arbítrio humano, retira de Deus o mérito que é só dele quanto à nossa salvação. Estamos presos a uma natureza afetada pelo pecado, e a melhor versão de nós mesmos para este mundo é escondidos atrás de Cristo. Não será suficiente imitarmos os pés ou as mãos de Cristo, temos que de fato sermos assimilados pela própria mente de Cristo, que comandará cada impulso de nosso corpo. Cristo através de nós é a melhor versão que podemos ter de nós mesmos neste mundo.
Diante deste panorama bíblico de nossa extrema fragilidade moral e completa dependência da justiça de Cristo, podemos perceber melhor a razão da morte expiatória de Cristo. O primeiro homem, Adão, fez o que se faz até hoje, procurou se eximir de sua culpa. C. S. Lewis viu de perto a guerra religiosa, o ódio e a morte, poderia ter se tornado um cético violento e sádico, no entanto, como ele bem descreve foi surpreendido pela alegria, pela graça, pelo milagre do novo nascimento e a humildade do arrependimento. A grande questão nunca será arrumar outro culpado, esta não era a função do bode expiatório quando perambulava desesperado pelo deserto. O bode expiatório era a declaração tácita da completa culpa humana e da completa graça divina.
Quanto à legitimidade da substituição de um inocente por um culpado, pode-se evitar um perigoso terreno de especulação teológica, entendendo que não se trata aqui de um juiz humano, mas do criador soberano de todas as coisas que decidiu atribuir ao sacrifício de seu filho, o valor necessário à satisfação de sua justiça.
Tiago Leite
"Essa mania que alguns têm de sempre buscar uma explicação reducionista para fenômenos complexos é mesmo cansativa. E eles sempre erram o alvo, pois buscam bodes expiatórios para retirar a responsabilidade de indivíduos. Objetos inanimados ganham vida, e se tornam os grandes culpados pelas desgraças. Armas matam, videogames assassinam, e os seres humanos se tornam autômatos, vítimas indefesas dessas forças exógenas malignas. É o que podemos concluir da fala do advogado Arles Gonçalves Júnior, presidente da comissão de segurança da Ordem dos Advogados do Brasil de São Paulo (OAB-SP). Segundo ele, o garoto Marcelo Pesseghini, suspeito de matar os pais, a avó e a tia-avó e depois se suicidar, foi “influenciado” por jogar muito videogame e que o caso é “um divisor de águas” na crônica policial. Eis os indícios: O garoto usava a imagem de um assassino de videogame no seu perfil do Facebook há um mês. O suspeito havia trocado sua foto de perfil no dia 5 de julho, passando a utilizar a imagem de um matador do game “Assassin’s Creed”. Esta foi a última atualização de Marcelo na rede social. Pronto: culpa do videogame!http://veja.abril.com.br/blog/rodrigo-constantino/cultura/menino-mata-os-pais-a-culpa-e-do-videogame-claro/>
Não importa que o garoto, ainda adolescente, tenha aprendido a atirar e a dirigir com os próprios pais. Tampouco importa que inúmeros outros garotos passem horas jogando videogame, os jogos mais violentos do mundo, e depois sejam crianças amáveis incapazes de fazer mal a uma mosca. Países como Japão ou Canadá possuem milhões de crianças e adolescentes mergulhados em jogos violentos ou filmes repletos de sangue, e nem por isso saem atirando nos pais por aí. Não vou negar que a exposição a esses filmes e jogos possa ter algum grau de influência, mas isso será potencializado somente se houver predisposição, por algum outro motivo, ao crime. O ambiente familiar e a punição legal são muito mais importantes do que os filmes e jogos. Pode ser confortante jogar a responsabilidade de atos nefastos no colo dos objetos, mas isso é fugir da realidade. Videogames não matam ninguém de carne e osso. Armas tampouco matam. Quem mata é sempre um indivíduo, e ele deve ser responsável por isso".
Há algum tempo atrás o filme de Mel Gibson, a "Paixão de Cristo" suscitou protestos por parte da comunidade judaica internacional. O estigma de culpados pela morte de Jesus incomoda os judeus há muito tempo e o filme de Gibson, de certa forma, enfatizou novamente a direta participação dos judeus na condenação e morte de Jesus Cristo no primeiro século. Entretanto, em uma breve análise panorâmica da soteriologia vétero testamentária percebemos que a morte de Jesus foi selada na história cronológica humana no episódio descrito em Gênesis capítulo três, quando o primeiro casal de humanos desobedeceu a Deus e comeu da árvore do conhecimento do bem e do mal. Ou seja, a quebra da lei moral de Deus no Éden e não apenas o beijo de Judas, as mãos lavadas de Pilatos e a injusta alforria de Barrabás selaram a morte de Jesus.
Em uma análise ainda mais profunda da morte de Cristo, o apóstolo Paulo menciona em Gálatas 1:4 que “Jesus se entregou a si mesmo pelos nossos pecados, para nos desarraigar deste mundo perverso, segundo a vontade de nosso Deus e Pai, a quem seja a glória pelos séculos dos séculos”. Assim, a morte de Jesus foi voluntária, mas também determinada e substitutiva. Paulo afirma que mediante esta morte substitutiva os cristãos da Galácia podiam ter “graça e paz da parte de Deus, nosso Pai e do nosso Senhor Jesus Cristo” (Gálatas 1:3). Os judeus cristãos espalhados pela Galácia, por exemplo, deviam entender que só podiam ter paz com Deus devido a graça do perdão dos pecados que Jesus proporcionou morrendo pelos pecadores na cruz e nunca deviam pensar que teriam paz com Deus pelo simples fato de pertencerem a linhagem abraâmica.
A forma como entendemos nossa salvação, como toda teologia, incide diretamente na maneira como vivemos. Diversos momentos na história da igreja reforçam esta tese. Dentre outros, podemos citar a teologia filosófica desenvolvida por Agostinho de Hipona no quarto século, em que ataca a concepção pelagiana da participação sinergista na salvação. Agostinho em livros como, a Cidade de Deus e Confissões, enfatiza a percepção paulina da incapacidade humana de contribuir para própria salvação, evocando a desesperada e humilhante admissão de que dependemos unicamente da ação de Deus para sermos redimidos. Os seres humanos dependem tanto da iniciativa de Deus para serem salvos, quanto para responderem ao chamado a Salvação. No século 16, os reformadores repetem a ênfase agostiniana e as confissões reformadas, principalmente, defendem o entendimento monergista de nossa salvação atribuindo a Deus e, somente a Deus, toda a glória de nossa salvação. Em contrapartida, outras correntes da reforma como os radicais anabatistas pregavam a participação humana na salvação, e a famosa diferença da teologia soteriológica de Calvino e a de Armínio. Semelhantemente, temos Jonathan Edwards e George Withifield no século 18, defendendo a suprema graça de Deus como única responsável pela salvação em contrapartida a defesa de John Wesley do mérito humano. Posteriormente, no segundo grande despertamento americano no século 19, Charles Finney e outros avivalistas, provocam um despertamento mais centrado no mérito humano do que na soberania divina.
Como C. S. Lewis afirmava, todos fazem teologia de uma forma ou de outra, e esta afeta diretamente nossa maneira de viver. Recentemente, no dia 02 de Novembro, milhões de brasileiros foram visitar parentes e amigos queridos, e o que parece apenas uma homenagem tradicional brasileira no feriado de Finados, na verdade está embuído de uma teologia popular de que a morte física ainda não será o fim da oportunidade de se “trabalhar” pela salvação. Consequentemente, dentre outras implicações, a mais latente é que Jesus torna-se desnecessário. Como bem enfatizou o grande pregador Charles Spurgeon, o entendimento radical de um livre arbítrio humano, retira de Deus o mérito que é só dele quanto à nossa salvação. Estamos presos a uma natureza afetada pelo pecado, e a melhor versão de nós mesmos para este mundo é escondidos atrás de Cristo. Não será suficiente imitarmos os pés ou as mãos de Cristo, temos que de fato sermos assimilados pela própria mente de Cristo, que comandará cada impulso de nosso corpo. Cristo através de nós é a melhor versão que podemos ter de nós mesmos neste mundo.
Diante deste panorama bíblico de nossa extrema fragilidade moral e completa dependência da justiça de Cristo, podemos perceber melhor a razão da morte expiatória de Cristo. O primeiro homem, Adão, fez o que se faz até hoje, procurou se eximir de sua culpa. C. S. Lewis viu de perto a guerra religiosa, o ódio e a morte, poderia ter se tornado um cético violento e sádico, no entanto, como ele bem descreve foi surpreendido pela alegria, pela graça, pelo milagre do novo nascimento e a humildade do arrependimento. A grande questão nunca será arrumar outro culpado, esta não era a função do bode expiatório quando perambulava desesperado pelo deserto. O bode expiatório era a declaração tácita da completa culpa humana e da completa graça divina.
Quanto à legitimidade da substituição de um inocente por um culpado, pode-se evitar um perigoso terreno de especulação teológica, entendendo que não se trata aqui de um juiz humano, mas do criador soberano de todas as coisas que decidiu atribuir ao sacrifício de seu filho, o valor necessário à satisfação de sua justiça.
Tiago Leite
terça-feira, 15 de outubro de 2013
Ad Fontes – Reforma é volta à fonte
Igreja Primitiva: Os discípulos de Jesus tinham a fonte de água viva jorrando diante deles. O poder de Jesus mudava vidas de forma surpreendente e sobrenatural. Seus ensinamentos maravilhavam o simples e suas palavras redimiam muitos pecadores. Com a morte, ressurreição e ascensão de Cristo, os discípulos tinham o legado de suas palavras, a autorização de seu poder e o mundo para alcançar. Será que continuariam jorrando a água viva que Jesus possuía em abundância? No Pentecostes em Jerusalém, Pedro e os demais apóstolos testemunham a confirmação clara de que o poder e a autoridade de Jesus estavam neles através de seu Espírito e sua Espada, a Palavra de Cristo. A igreja primitiva tinha o alimento sólido de Cristo "fresquinho", “recém-saído do forno”, recém-proferido e ensinado no ministério público de Jesus Cristo. Mas, desde seus primeiros anos de vida, a igreja primitiva já era ameaçada pelo gnosticismo, pela perseguição dos religiosos judaicos e pelo incômodo que gradativamente foi gerando ao Império Romano. Entretanto, as portas do inferno não prevaleceram contra ela, e apesar do sangue de muitos mártires terem sido derramados, a igreja não desapareceu, pelo contrário, se expandiu e atingiu toda a área de domínio do império romano.
Período Patrístico: iniciou-se o período patrístico, considerado a partir do término dos documentos do Novo Testamento (100) até o decisivo Concílio da Calcedônia no ano 451. No início deste período a agenda da igreja era sobreviver. A igreja se preocupou em esclarecer a relação entre cristianismo e judaísmo, em defender a fé cristã diante dos seus críticos e produzir importantes ensaios sobre cristologia (estudo da natureza de Cristo) frente às polêmicas visões de alguns como Ário, que alegava ser Jesus apenas uma criatura. O imperador romano Galerius em 311 ordenou o fim da perseguição romana ao cristianismo, colocando-o entre outras religiões legalizadas. Constantino assumiu o império e logo declarou sua conversão ao cristianismo e a partir de 312 o cristianismo começou a se impor como a religião oficial do império romano. O debate teológico se tornou uma atividade pública e posteriormente política, o que levou Constantino a desejar uma igreja unida e estável. A busca por um consenso teológico gerou um período muito rico na história teológica na última fase do período patrístico. Teólogos como Justino Mártir, Irineu de Lion, Orígenes, Tertuliano, Atanásio e Agostinho de Hipona geraram progressos cruciais na teologia como: o fechamento do cânon do Novo Testamento, a valorização da tradição dos pais da igreja com a firmação de credos e pronunciamentos doutrinários que procuravam manter a transmissão doutrinária da igreja primitiva diante das especulações gnósticas da época e, também, a relação da teologia com a cultura. Doutrinas como as duas naturezas de Cristo, a doutrina da Trindade, a doutrina da Igreja e a doutrina da graça (Agostinho) foram estabelecidas. Escolas teológicas (como Alexandria e Antioquia) se estabeleceram como grandes centros de estudos teológicos, debates marcaram a consolidação de doutrinas (como a controvérsia ariana e o debate apolinarista) e quatro concílios foram realizados, como o de Nicéia (325) convocado pelo próprio Constantino a fim de solucionar os desentendimentos cristológicos que desestabilizavam seu império e o Concílio da Calcedônia (451) que confirmou as decisões do concilio de Nicéia e respondeu a novas polemicas a respeito da humanidade de Cristo.
Idade das Trevas: em 410, Roma foi conquistada por Alarico e até por volta do ano 1000 tem-se a denominada Idade das Trevas na Europa Ocidental. Neste período surgiram três grandes sistemas de poder em substituição ao antigo Império Romano: O império Bizantino (o centro era Constantinopla), a Europa Ocidental (o centro era Roma) e o Califado Islâmico (Sul do Mediterrâneo e extremo Oriente). Neste período a rivalidade política e teológica entre a igreja ocidental (Roma) e a igreja oriental (Constantinopla) se intensificou de tal forma que em 1054 houve o grande cisma entre o ocidente católico e o oriente ortodoxo.
Idade Média: já na chamada idade média, entre 1300 e 1500, o mundo ocidental teve dois grandes movimentos intelectuais de grande importância na história do pensamento e consequentemente na teologia: o Escolasticismo e o Humanismo. Neste período destacam-se os teólogos Anselmo de Cantuária, Tomás de Aquino, Duns Scotus, Guilherme de Occam e Erasmo de Roterdã.
O Escolasticismo enfatizava a justificação racional da crença religiosa bem como a apresentação desta crença de forma sistemática. Algumas escolas foram criadas neste movimento intelectual, destacam-se ao final o “caminho moderno” e a “escola agostiniana moderna”. Dentre outras diferenças, o “caminho moderno” defendia que a maior parte dos recursos necessários à salvação eram inerentes a natureza humana e a “escola agostiniana moderna” afirmava que estes meios encontravam-se fora da natureza humana (Gregório de Rimini). Posteriormente, os reformadores de Wittenberg (Lutero e Melancton) vão utilizar esta ênfase agostiniana da graça e anti-pelagiana (Pelágio foi criticado por Agostinho por pregar a salvação por mérito próprio).
O Humanismo (esta palavra tem significado diferente do atual): foi um projeto cultural que via no retorno as fontes originais do pensamento clássico (ad fontes) o caminho para se entender como as ideias eram adquiridas e expressadas. As artes, a arquitetura, a palavra escrita ou falada deveriam se apropriar das bases da Antiguidade Clássica. Este movimento além de outros ideais, inseriu no campo teológico o desejo de maior eloquência na escrita e na oratória, seguindo o estilo do período clássico e promoveu um projeto religioso voltado ao avivamento de toda a igreja cristã. Seria assim a busca do ideal de uma Renascença também no cristianismo. Este berço humanista influenciou diversos reformadores dentre eles, o alemão Martinho Lutero, o suíço Ulrico Zuinglio e o francês João Calvino.
Pré-Reforma: esta busca ad fontes produziu o ambiente ideal para o surgimento da Reforma Religiosa. Erasmo de Roterdã havia produzido o primeiro Novo Testamento Grego permitindo que os teólogos tivessem acesso direto ao texto original do Novo Testamento (ad fontes). Ele também produziu confiáveis edições das obras patrísticas, inclusive dos escritos de Agostinho de Hipona, talvez o maior influenciador patrístico dos reformadores. Consideráveis progressos teológicos apareceram como: a consolidação do legado patrístico, ou seja, a retomada dos escritos de Agostinho e de outros pais da igreja, a exploração do papel da razão na teologia, o desenvolvimento de sistemas teológicos, o desenvolvimento de uma teologia dos sacramentos, o desenvolvimento da teologia da graça (Agostinho), a discussão sobre o papel de Maria, e principalmente um retorno as fontes da teologia cristã, ou seja, a Bíblia, sobretudo o Novo Testamento. A versão romana (vulgata latina) do Novo Testamento começou a ser questionada devido aos vários erros de tradução que favoreciam crenças e práticas da igreja medieval. Estas descobertas abriram caminho para uma revisão teológica, fundamentada num entendimento mais apurado do texto bíblico. Inaugurou-se o ambiente fértil de estudos acadêmicos sobre a Bíblia onde a Reforma florescia.
Além dos fatores intelectuais provenientes do humanismo renascentista, outros fatores podem ser destacados para o surgimento da Reforma como: a insatisfação política com o domínio da igreja medieval pelas novas nações-estados centralizadas no noroeste da Europa; a cobiça das extensas terras da igreja pelos governantes nacionais; as discrepâncias entre a Igreja sobre a qual os humanistas liam no Novo Testamento e a igreja que viam (corrupção e o comércio da fé); o surgimento de uma próspera classe média urbana com um espírito novo de individualismo; e o fracasso da igreja medieval em satisfazer as reais necessidades espirituais do povo.
A Reforma, sobretudo, foi uma tentativa de retorno ao manancial de águas vivas que é a palavra de Jesus Cristo. Ad fontes, um retorno às fontes, ainda continua sendo um desafio à igreja de nossos dias que experimenta distorções semelhantes aos da igreja na idade média. Reler a história é caminhar em direção ao entendimento de nossa atual identidade. E entender nossa identidade pode nos levar a melhorá-la, corrigí-la e aproximá-la da identidade dEle, Cristo, o início, o meio e o fim de todas as reformas. Ele é a nossa fonte, voltemos ao Evangelho de Cristo, ad fontes!
Pr. Tiago Leite
ICE Águas Claras
Período Patrístico: iniciou-se o período patrístico, considerado a partir do término dos documentos do Novo Testamento (100) até o decisivo Concílio da Calcedônia no ano 451. No início deste período a agenda da igreja era sobreviver. A igreja se preocupou em esclarecer a relação entre cristianismo e judaísmo, em defender a fé cristã diante dos seus críticos e produzir importantes ensaios sobre cristologia (estudo da natureza de Cristo) frente às polêmicas visões de alguns como Ário, que alegava ser Jesus apenas uma criatura. O imperador romano Galerius em 311 ordenou o fim da perseguição romana ao cristianismo, colocando-o entre outras religiões legalizadas. Constantino assumiu o império e logo declarou sua conversão ao cristianismo e a partir de 312 o cristianismo começou a se impor como a religião oficial do império romano. O debate teológico se tornou uma atividade pública e posteriormente política, o que levou Constantino a desejar uma igreja unida e estável. A busca por um consenso teológico gerou um período muito rico na história teológica na última fase do período patrístico. Teólogos como Justino Mártir, Irineu de Lion, Orígenes, Tertuliano, Atanásio e Agostinho de Hipona geraram progressos cruciais na teologia como: o fechamento do cânon do Novo Testamento, a valorização da tradição dos pais da igreja com a firmação de credos e pronunciamentos doutrinários que procuravam manter a transmissão doutrinária da igreja primitiva diante das especulações gnósticas da época e, também, a relação da teologia com a cultura. Doutrinas como as duas naturezas de Cristo, a doutrina da Trindade, a doutrina da Igreja e a doutrina da graça (Agostinho) foram estabelecidas. Escolas teológicas (como Alexandria e Antioquia) se estabeleceram como grandes centros de estudos teológicos, debates marcaram a consolidação de doutrinas (como a controvérsia ariana e o debate apolinarista) e quatro concílios foram realizados, como o de Nicéia (325) convocado pelo próprio Constantino a fim de solucionar os desentendimentos cristológicos que desestabilizavam seu império e o Concílio da Calcedônia (451) que confirmou as decisões do concilio de Nicéia e respondeu a novas polemicas a respeito da humanidade de Cristo.
Idade das Trevas: em 410, Roma foi conquistada por Alarico e até por volta do ano 1000 tem-se a denominada Idade das Trevas na Europa Ocidental. Neste período surgiram três grandes sistemas de poder em substituição ao antigo Império Romano: O império Bizantino (o centro era Constantinopla), a Europa Ocidental (o centro era Roma) e o Califado Islâmico (Sul do Mediterrâneo e extremo Oriente). Neste período a rivalidade política e teológica entre a igreja ocidental (Roma) e a igreja oriental (Constantinopla) se intensificou de tal forma que em 1054 houve o grande cisma entre o ocidente católico e o oriente ortodoxo.
Idade Média: já na chamada idade média, entre 1300 e 1500, o mundo ocidental teve dois grandes movimentos intelectuais de grande importância na história do pensamento e consequentemente na teologia: o Escolasticismo e o Humanismo. Neste período destacam-se os teólogos Anselmo de Cantuária, Tomás de Aquino, Duns Scotus, Guilherme de Occam e Erasmo de Roterdã.
O Escolasticismo enfatizava a justificação racional da crença religiosa bem como a apresentação desta crença de forma sistemática. Algumas escolas foram criadas neste movimento intelectual, destacam-se ao final o “caminho moderno” e a “escola agostiniana moderna”. Dentre outras diferenças, o “caminho moderno” defendia que a maior parte dos recursos necessários à salvação eram inerentes a natureza humana e a “escola agostiniana moderna” afirmava que estes meios encontravam-se fora da natureza humana (Gregório de Rimini). Posteriormente, os reformadores de Wittenberg (Lutero e Melancton) vão utilizar esta ênfase agostiniana da graça e anti-pelagiana (Pelágio foi criticado por Agostinho por pregar a salvação por mérito próprio).
O Humanismo (esta palavra tem significado diferente do atual): foi um projeto cultural que via no retorno as fontes originais do pensamento clássico (ad fontes) o caminho para se entender como as ideias eram adquiridas e expressadas. As artes, a arquitetura, a palavra escrita ou falada deveriam se apropriar das bases da Antiguidade Clássica. Este movimento além de outros ideais, inseriu no campo teológico o desejo de maior eloquência na escrita e na oratória, seguindo o estilo do período clássico e promoveu um projeto religioso voltado ao avivamento de toda a igreja cristã. Seria assim a busca do ideal de uma Renascença também no cristianismo. Este berço humanista influenciou diversos reformadores dentre eles, o alemão Martinho Lutero, o suíço Ulrico Zuinglio e o francês João Calvino.
Pré-Reforma: esta busca ad fontes produziu o ambiente ideal para o surgimento da Reforma Religiosa. Erasmo de Roterdã havia produzido o primeiro Novo Testamento Grego permitindo que os teólogos tivessem acesso direto ao texto original do Novo Testamento (ad fontes). Ele também produziu confiáveis edições das obras patrísticas, inclusive dos escritos de Agostinho de Hipona, talvez o maior influenciador patrístico dos reformadores. Consideráveis progressos teológicos apareceram como: a consolidação do legado patrístico, ou seja, a retomada dos escritos de Agostinho e de outros pais da igreja, a exploração do papel da razão na teologia, o desenvolvimento de sistemas teológicos, o desenvolvimento de uma teologia dos sacramentos, o desenvolvimento da teologia da graça (Agostinho), a discussão sobre o papel de Maria, e principalmente um retorno as fontes da teologia cristã, ou seja, a Bíblia, sobretudo o Novo Testamento. A versão romana (vulgata latina) do Novo Testamento começou a ser questionada devido aos vários erros de tradução que favoreciam crenças e práticas da igreja medieval. Estas descobertas abriram caminho para uma revisão teológica, fundamentada num entendimento mais apurado do texto bíblico. Inaugurou-se o ambiente fértil de estudos acadêmicos sobre a Bíblia onde a Reforma florescia.
Além dos fatores intelectuais provenientes do humanismo renascentista, outros fatores podem ser destacados para o surgimento da Reforma como: a insatisfação política com o domínio da igreja medieval pelas novas nações-estados centralizadas no noroeste da Europa; a cobiça das extensas terras da igreja pelos governantes nacionais; as discrepâncias entre a Igreja sobre a qual os humanistas liam no Novo Testamento e a igreja que viam (corrupção e o comércio da fé); o surgimento de uma próspera classe média urbana com um espírito novo de individualismo; e o fracasso da igreja medieval em satisfazer as reais necessidades espirituais do povo.
A Reforma, sobretudo, foi uma tentativa de retorno ao manancial de águas vivas que é a palavra de Jesus Cristo. Ad fontes, um retorno às fontes, ainda continua sendo um desafio à igreja de nossos dias que experimenta distorções semelhantes aos da igreja na idade média. Reler a história é caminhar em direção ao entendimento de nossa atual identidade. E entender nossa identidade pode nos levar a melhorá-la, corrigí-la e aproximá-la da identidade dEle, Cristo, o início, o meio e o fim de todas as reformas. Ele é a nossa fonte, voltemos ao Evangelho de Cristo, ad fontes!
Pr. Tiago Leite
ICE Águas Claras
quarta-feira, 9 de outubro de 2013
A Reforma Protestante - Semper Reformandum
O primeiro concílio da igreja cristã em Atos 15, devido à controvérsia da conversão de não judeus (polarizada entre os apóstolos Paulo e Pedro), já revelava uma verdade que ainda hoje precisamos nos lembrar. A palavra de Deus é imutável e infalível, mas nós como intérpretes, somos mutáveis e falíveis. A palavra de Deus é profunda e extremamente rica, mas nós somos rasos de compreensão e pobres de entendimento. O mandamento de amar a Deus com “todo o nosso entendimento” continua um desafio. Daí se justificar que a cada domingo um expositor dedicado da Bíblia pode nos surpreender com percepções da verdade de Deus, implicações surpreendentes e aplicações contextuais mais adequadas ao nosso tempo. A Bíblia é a verdade de Deus, mas nós não a conheceremos completamente em nossa breve vida terrena. Desde as divergências de interpretações e aplicações no tempo da igreja primitiva até os nossos dias, a Palavra de Deus continua uma fonte inesgotável em nossa hermenêutica diária.
Além do engano interpretativo de Pedro, outros incontáveis exemplos ilustram a importância de não se subestimar a riqueza da Palavra de Deus. É preciso cuidado para não limitá-la a uma percepção precipitada e temporal, sem a devida profundidade em seu estudo e sem a devida contextualização de sua aplicabilidade. Como exemplo, observemos as frases de dois nativos registradas no processo de evangelização realizado por missionários ocidentais. Um evangelista indiano chamado Murthi afirmou: “não nos traga o evangelho com uma planta em um vaso. Traga-nos a semente do evangelho para plantarmos em nosso solo”¹ . William Towsend ouviu de um índio na Guatemala: “Se o seu Deus é tão esperto porque ele não aprendeu a nossa língua?”, esta pergunta o levou a dedicar treze anos de sua vida na tradução da Bíblia para a língua dos índios cakchiquel e posteriormente fundar a Missão de Tradução da Bíblia Wycliffe"² .
O princípio Sola Scriptura (só a Bíblia como regra de fé e prática), corretamente relembrado na reforma, não deve ser entendido simploriamente. Só a Escritura no sentido de ser somente ela como nossa base primordial de vida cristã. Mas, nunca Só a Escritura como se ela fosse um simples livro de receitas. Por exemplo, apesar dos reformadores destacarem o sacerdócio universal dos crentes e o princípio de qualquer pessoa poderia ter acesso a Bíblia e a sua compreensão clara, os reformadores e seus sucessores entenderam que um grupo seleto de estudiosos da palavra deveria pesquisá-la a fundo e facilitar seu entendimento para os leigos. É perigoso se entender que as compreensões e implicações da Palavra são facilmente dedutíveis e consensuais. Não tem sido assim em toda a história da igreja.
Alister McGrath³ cita o grande teólogo puritano John Robinson, que em 1620, pregou um sermão aos que estavam partindo para conhecer o Novo Mundo a bordo do navio Mayflower. Seu vigoroso discurso retratava os peregrinos partindo em uma viagem que os levaria não só a um novo mundo, mas também a uma nova apreensão da verdade. Eles seriam pioneiros espirituais e teológicos não só explorando o novo Mundo das Américas, mas também as novas percepções que encontrariam na Bíblia enquanto procuravam plantar o Reino de Deus em terras distantes. Uma frase sua repercute através das eras: “Estou verdadeiramente persuadido de que o Senhor tem mais verdades ainda a revelar em sua santa Palavra”.
McGrath faz uma leitura interessante deste aspecto do protestantismo: “Ser protestante é sair em uma peregrinação intelectual e espiritual que nunca está completa. Cada ambiente, cada geração, cada desafio força a comunidade de fé a reler a Bíblia, perguntando-se o que ela tem a dizer nessa situação que não disse em outra. Para o puritano Robinson, nenhuma pessoa, nenhuma era poderia jamais perscrutar totalmente as profundezas da Escritura. Por meio da orientação do Espírito Santo, novos desafios poderiam levar a novas percepções; acima de tudo, em relação às estruturas e à política da igreja. O que pode ser correto em uma situação ou para uma era pode não ser em outra ou para outra”4.
A igreja evangélica brasileira tem características diversificadas, assim como a igreja nativa africana e asiática. Somos fruto de uma dinâmica interação do protestantismo europeu e americano. Reformados, luteranos, anabatistas, anglicanos, metodistas, presbiterianos, congregacionais, episcopais, e, mais recentemente, o movimento pentecostal, transplantado dos Estados Unidos e adaptado em nossa cultura.
Fica cada vez mais evidente que algumas ideias protestantes tradicionais a respeito de arquitetura da igreja, estrutura denominacional, padrões de adoração, e até determinados valores e comportamentos morais (vestuário, cinema, futebol, namoro, teatro, dança e música já foram sem exceção, pecado em determinados momentos), com frequência, são pouco mais que construções culturais refletindo a bigorna de uma época antiga da cultura europeia ocidental e não a compreensão completa da verdade bíblica.
Entendo que o caráter de Cristo expresso nas bem aventuranças é atemporal, mas as implicações externas dele são expressas em códigos compreensíveis de nosso tempo. Exemplo: uma mulher ficar em silencio na igreja de Corinto supria naquele contexto a demonstração de um bom testemunho cristão. Hoje na mesma região o testemunho seria manifesto de outra forma. Diante disto, o que significa ser “padrão de procedimento para os fiéis” (1 Tm 4:12) aqui no Brasil, nas Filipinas, na Nigéria, na Coréia do Sul, etc., qual é a essência e a forma deste padrão?
Neste sentido, quanto à aplicabilidade dos princípios cristãos, devemos pensar no protestantismo como “semper reformandum”, sempre sendo reformado. Ou seja, o protestantismo localiza sua identidade no constante autoexame à luz da Bíblia e em sua disposição de se corrigir quando tomar a direção errada ou a situação mudar. O protestantismo seria visto como um método de aplicabilidade bíblica no contexto em que está.
Mergulhemos nas profundezas ricas da Palavra de Deus, conservando seus princípios fundamentais, o credo cristão. Uma base para igrejas históricas deve ser os estudos bíblicos presentes nas confissões de fé registradas na história da igreja protestante e reformada, mas sem perder de vista uma construção teológica nacional sólida e bem fundamentada. Também submetamos nossas estruturas denominacionais, eclesiológicas e estratégicas a constante avaliação de sua fidelidade aos princípios bíblicos e suas implicações em nossa cultura.
Ao nos lembrarmos da Reforma Protestante, lembremo-nos de que ainda não terminou. Semper Reformandum.
Tiago Leite
¹HIEBERT, Cultural Differences and the Communication of the Gospel, p. 381.
²TUCKER. Ruth. Até aos confins da terra. São Paulo: Vida Nova, 1986.
³McGrath, Alister E. Revolução Protestante. Brasília, DF. Ed. Palavra, 2012.
4_________________________. Pag. 459-450. Brasília, DF. Ed. Palavra, 2012.
Além do engano interpretativo de Pedro, outros incontáveis exemplos ilustram a importância de não se subestimar a riqueza da Palavra de Deus. É preciso cuidado para não limitá-la a uma percepção precipitada e temporal, sem a devida profundidade em seu estudo e sem a devida contextualização de sua aplicabilidade. Como exemplo, observemos as frases de dois nativos registradas no processo de evangelização realizado por missionários ocidentais. Um evangelista indiano chamado Murthi afirmou: “não nos traga o evangelho com uma planta em um vaso. Traga-nos a semente do evangelho para plantarmos em nosso solo”¹ . William Towsend ouviu de um índio na Guatemala: “Se o seu Deus é tão esperto porque ele não aprendeu a nossa língua?”, esta pergunta o levou a dedicar treze anos de sua vida na tradução da Bíblia para a língua dos índios cakchiquel e posteriormente fundar a Missão de Tradução da Bíblia Wycliffe"² .
O princípio Sola Scriptura (só a Bíblia como regra de fé e prática), corretamente relembrado na reforma, não deve ser entendido simploriamente. Só a Escritura no sentido de ser somente ela como nossa base primordial de vida cristã. Mas, nunca Só a Escritura como se ela fosse um simples livro de receitas. Por exemplo, apesar dos reformadores destacarem o sacerdócio universal dos crentes e o princípio de qualquer pessoa poderia ter acesso a Bíblia e a sua compreensão clara, os reformadores e seus sucessores entenderam que um grupo seleto de estudiosos da palavra deveria pesquisá-la a fundo e facilitar seu entendimento para os leigos. É perigoso se entender que as compreensões e implicações da Palavra são facilmente dedutíveis e consensuais. Não tem sido assim em toda a história da igreja.
Alister McGrath³ cita o grande teólogo puritano John Robinson, que em 1620, pregou um sermão aos que estavam partindo para conhecer o Novo Mundo a bordo do navio Mayflower. Seu vigoroso discurso retratava os peregrinos partindo em uma viagem que os levaria não só a um novo mundo, mas também a uma nova apreensão da verdade. Eles seriam pioneiros espirituais e teológicos não só explorando o novo Mundo das Américas, mas também as novas percepções que encontrariam na Bíblia enquanto procuravam plantar o Reino de Deus em terras distantes. Uma frase sua repercute através das eras: “Estou verdadeiramente persuadido de que o Senhor tem mais verdades ainda a revelar em sua santa Palavra”.
McGrath faz uma leitura interessante deste aspecto do protestantismo: “Ser protestante é sair em uma peregrinação intelectual e espiritual que nunca está completa. Cada ambiente, cada geração, cada desafio força a comunidade de fé a reler a Bíblia, perguntando-se o que ela tem a dizer nessa situação que não disse em outra. Para o puritano Robinson, nenhuma pessoa, nenhuma era poderia jamais perscrutar totalmente as profundezas da Escritura. Por meio da orientação do Espírito Santo, novos desafios poderiam levar a novas percepções; acima de tudo, em relação às estruturas e à política da igreja. O que pode ser correto em uma situação ou para uma era pode não ser em outra ou para outra”4.
A igreja evangélica brasileira tem características diversificadas, assim como a igreja nativa africana e asiática. Somos fruto de uma dinâmica interação do protestantismo europeu e americano. Reformados, luteranos, anabatistas, anglicanos, metodistas, presbiterianos, congregacionais, episcopais, e, mais recentemente, o movimento pentecostal, transplantado dos Estados Unidos e adaptado em nossa cultura.
Fica cada vez mais evidente que algumas ideias protestantes tradicionais a respeito de arquitetura da igreja, estrutura denominacional, padrões de adoração, e até determinados valores e comportamentos morais (vestuário, cinema, futebol, namoro, teatro, dança e música já foram sem exceção, pecado em determinados momentos), com frequência, são pouco mais que construções culturais refletindo a bigorna de uma época antiga da cultura europeia ocidental e não a compreensão completa da verdade bíblica.
Entendo que o caráter de Cristo expresso nas bem aventuranças é atemporal, mas as implicações externas dele são expressas em códigos compreensíveis de nosso tempo. Exemplo: uma mulher ficar em silencio na igreja de Corinto supria naquele contexto a demonstração de um bom testemunho cristão. Hoje na mesma região o testemunho seria manifesto de outra forma. Diante disto, o que significa ser “padrão de procedimento para os fiéis” (1 Tm 4:12) aqui no Brasil, nas Filipinas, na Nigéria, na Coréia do Sul, etc., qual é a essência e a forma deste padrão?
Neste sentido, quanto à aplicabilidade dos princípios cristãos, devemos pensar no protestantismo como “semper reformandum”, sempre sendo reformado. Ou seja, o protestantismo localiza sua identidade no constante autoexame à luz da Bíblia e em sua disposição de se corrigir quando tomar a direção errada ou a situação mudar. O protestantismo seria visto como um método de aplicabilidade bíblica no contexto em que está.
Mergulhemos nas profundezas ricas da Palavra de Deus, conservando seus princípios fundamentais, o credo cristão. Uma base para igrejas históricas deve ser os estudos bíblicos presentes nas confissões de fé registradas na história da igreja protestante e reformada, mas sem perder de vista uma construção teológica nacional sólida e bem fundamentada. Também submetamos nossas estruturas denominacionais, eclesiológicas e estratégicas a constante avaliação de sua fidelidade aos princípios bíblicos e suas implicações em nossa cultura.
Ao nos lembrarmos da Reforma Protestante, lembremo-nos de que ainda não terminou. Semper Reformandum.
Tiago Leite
¹HIEBERT, Cultural Differences and the Communication of the Gospel, p. 381.
²TUCKER. Ruth. Até aos confins da terra. São Paulo: Vida Nova, 1986.
³McGrath, Alister E. Revolução Protestante. Brasília, DF. Ed. Palavra, 2012.
4_________________________. Pag. 459-450. Brasília, DF. Ed. Palavra, 2012.
terça-feira, 2 de julho de 2013
Praça ou Balcão?
A vida é uma praça de alimentação onde nos servirmos do que os outros podem nos oferecer? Comparamos, compramos, apreciamos ou dispensamos?
Ou o melhor nesta vida é quando saltamos para trás de um balcão e aprendemos a construir, criar, relacionar, entender, servir e oferecer?Alimentamos, aprendemos, crescemos, acrescentamos?
Vidas que se assentam a espera de um cardápio, empobrecem, "obesam" e adoecem.
Vidas que servem atrás de um balcão, aprendem, se enriquecem e se "ensaudecem".
Ande em bando, faça amigos, tenha irmãos.
Tenha planos, para e pense um pouco, não coloque apenas tijolo, arquitete, sonhe.
Dobre os joelhos, nutra o Espírito, contemple e se oriente com O Transcendente..
"entristecidos, mas sempre alegres; pobres, mas enriquecendo a muitos; nada tendo, mas tudo possuindo" 2 Co 6:10.
Ou o melhor nesta vida é quando saltamos para trás de um balcão e aprendemos a construir, criar, relacionar, entender, servir e oferecer?Alimentamos, aprendemos, crescemos, acrescentamos?
Vidas que se assentam a espera de um cardápio, empobrecem, "obesam" e adoecem.
Vidas que servem atrás de um balcão, aprendem, se enriquecem e se "ensaudecem".
Ande em bando, faça amigos, tenha irmãos.
Tenha planos, para e pense um pouco, não coloque apenas tijolo, arquitete, sonhe.
Dobre os joelhos, nutra o Espírito, contemple e se oriente com O Transcendente..
"entristecidos, mas sempre alegres; pobres, mas enriquecendo a muitos; nada tendo, mas tudo possuindo" 2 Co 6:10.
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